CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Luiza F. A. de Paula
Madeira-preta
Melanoxylon brauna é uma árvore de madeira de cor preta.
Significado do nome
Melano vem do grego melanos-melanina, pigmento escuro, presente na pele, em alusão à cor escura do cerne (lenho preto) e xylon vem de madeira. Já o epíteto brauna vem do tupi ibirá-uma, que significa “madeira preta”.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 36 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Ocorrência
De nome popular braúna, essa espécie é típica da Mata Atlântica, e pode ocorrer do sudeste ao nordeste do Brasil. Na litografia da Flora Brasiliensis, é retratado um ambiente típico de floresta tropical, onde a braúna originalmente ocorria de forma abundante.
Braúna na Flora Brasiliensis
Detalhes da braúna foram registrados na Flora Brasiliensis, obra de vários volumes sobre a Flora do Brasil, resultante da viagem (1817-1820) dos naturalistas alemães Spix e Martius pelo país.
Suas flores são vivamente coloridas de amarelo, com tonalidades alaranjadas, e perfumadas.
Seus frutos são do tipo legume, variando de 8 cm a 18 cm de comprimento por 3 cm a 4 cm de largura. Legumes são típicos da família Fabaceae, à qual pertence a braúna, mesma família do feijão e da soja.
Suas folhas são compostas, ou seja, possuem limbo subdividido em folíolos, apresentando pecíolos que se unem e fixam em um pecíolo comum. Como o arranjo inteiro está associado a uma gema lateral (na base), todo esse conjunto de folíolos forma uma única folha. Na fotografia, é apresentada uma folha inteira com folíolos.
A braúna é exemplo de uma espécie da Mata Atlântica que foi largamente retirada do seu ambiente natural, por fornecer madeira de alta qualidade e de grande resistência, com emprego variado, servindo para confecção de móveis, pontes, dormentes de trilhos e construções em geral.
Ameaçadas de extinção
Diante do cenário de retirada exagerada da espécie da natureza, Melanoxylon brauna está na Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção. Uma espécie ameaçada é aquela cujas populações estão decrescendo a ponto de colocar em risco a sua sobrevivência.
Funções ecológicas: enriquecimento dos solos
As fabáceas, como a braúna, têm uma importante função nos ecossistemas: fixação de nitrogênio no solo, processo por meio do qual o nitrogênio presente na atmosfera é convertido em formas que podem ser utilizadas pelas plantas. Eliminar essas espécies, assim, empobrece os solos.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 16 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Desmatamento
Desde o início da colonização do Brasil, a Mata Atlântica vem sendo desmatada, por exemplo para abertura de estradas, criação de cidades, atividades agropastoris, além da exploração dos recursos naturais, como a madeira.
Perda de habitat
Essa prancha da Flora Brasiliensis revela o desmatamento da Floresta Atlântica no início do século XIX. Dadas as contínuas e crescentes ameaças à biodiversidade da Mata Atlântica, hoje restam entre 7-11% desse bioma, com diversas das suas espécies ameaçadas de extinção.
Antropoceno
Vivemos a era do Antropoceno, termo usado para descrever o período mais recente na história do Planeta Terra, quando as atividades humanas passaram a ter um impacto global no clima do planeta e no funcionamento dos seus ecossistemas, levando muitas espécies ao risco de extinção.
Melanoxylon brauna (braúna) em um remanescente florestal de Mata Atlântica (2023), de Renato Carvalho FrancoCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Conservação em foco
Nesse século, será nossa tarefa investir em recuperação de áreas degradadas, visando retomar a funcionalidade ambiental da Mata Atlântica, além de focar em projetos de conservação de espécies ameaçadas, como a braúna, para que elas voltem a recuperar suas populações naturais.
Pesquisa e redação: Luiza F. A. de Paula (Universidade Federal de Minas Gerais / CRIA)
Montagem: Luiza F. A. de Paula
Revisão: João Renato Stehmann (Universidade Federal de Minas Gerais), Renato De Giovanni (CRIA), Fernando B. Matos (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e personagens da história
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br