Martius no sul da Bahia

Um passeio botânico pela litografia n. 18 da Flora Brasiliensis

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Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 18 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Flora brasiliensis

A Flora Brasiliensis é um marco da botânica mundial. Embora iniciada em 1840, seu volume 1 foi publicado por último, em 1906, com 59 gravuras de paisagens brasileiras. Nesta história, embarcaremos em um “passeio botânico” por uma delas, destacando suas plantas.

Mata Atlântica Baiana

As florestas úmidas do sul da Bahia estão entre as florestas mais biodiversas do mundo. A figura 18 da Flora Brasiliensis ilustra a passagem de Martius e Spix por esta região. Partindo de Ilhéus em dezembro de 1818, eles navegaram de canoa pelo rio Itaípe até chegarem em Almada.

E assim relatou Martius:

"A vegetação avançava tanto sobre o rio Itaípe que, às vezes, até retardava o curso da nossa canoa. Mas é exatamente isso o que enche o botânico de alegria, pois com os pés secos e sem dificuldades, ele pode alcançar todas as plantas que atraem seus olhos por sua singularidade."

Ao longo das margens, vemos uma arácea aquática de hábito arborescente, a "aninga" (Montrichardia linifera). Seus caules longos, delgados e cinzentos, às vezes brancos como marfim, são coroados com grandes folhas de lâminas sagitadas e pecíolos em forma de canoa.

Balançando suas panículas ao vento, vemos o "caniço-de-flecha", "cana-brava" ou "ubá" (Gynerium sagittatum), uma gramínea de colmos eretos e folhas lineares. Muito utilizada pelos nativos, serve na confecção de flechas, gaiolas e construções, incluindo cercas e coberturas.

Neste mesmo ambiente, destaca-se outra planta fascinante: a "rapátea" (Rapatea paludosa). Suas folhas verdes e lanceoladas contrastam com as inflorescências capituliformes e flores amarelas. É uma espécie de distribuição amazônica, que ocorre disjuntamente no sul da Bahia.

Flutuando livremente rio abaixo, vemos muitas "alfaces-d'água" (Pistia stratiotes), uma arácea de folhas grossas, verde-claras e dispostas em roseta. Encontrada em inúmeros países, apresenta grande potencial paisagístico e vem sendo utilizada no tratamento de águas residuais.

Ainda nas margens, logo atrás das "aningas", vemos a "tália" ou "brinco-de-princesa" (Thalia geniculata), uma marantácea muito ornamental. Suas folhas são grandes e lanceoladas, enquanto suas flores brancas e roxas são pequenas e organizam-se em panículas pendentes.

A elegante palmeira que se destaca nesta paisagem é o 'palmito-juçara' (Euterpe edulis), cujo principal e mais conhecido produto é o palmito adocicado, consumido fresco ou em conserva. Seus frutos também são muito apreciados, mas a espécie encontra-se ameaçada de extinção.

A árvore alta mais ao fundo é conhecida como "imbira-quiabo" ou "xixá" (Sterculia excelsa). Trata-se de uma espécie exclusiva do Brasil, mas que apresenta distribuição disjunta entre as florestas Amazônica e Atlântica. Fornece alimento para fauna, especialmente psitacídeos.

"Aqui, os cipós enroscam-se pelos troncos brancos das embaúbas em tapeçaria espessa; acolá penduram em grinaldas compridas, constituindo pontes vacilantes nas enseadas do rio." Destacam-se os cipós das famílias Apocynaceae (Mandevilla sp.) e Bignoniaceae (Amphilophium sp.).

No lado direito, a árvore em destaque é o Zanthoxylum tingoassuiba, uma espécie da família Rutaceae popularmente conhecida como "guando-do-mato", "mamica-de-porca", "laranjeira" e "limãozinho". Pode chegar até 10 m de altura e apresenta propriedades medicinais.

Devido ao seu extraordinário número de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, o sul da Bahia é hoje uma das áreas mais importantes para a conservação da biodiversidade mundial. Um verdadeiro "hot-point" dentro do já consagrado "hotspot" da Mata Atlântica.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA) & Jomar G. Jardim (UFSB/CEPEC)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Esta história foi baseada no texto explicativo que acompanha a litografia n. 18 da Flora Brasiliensis (Martius 1906: 71-72).

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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