Os mais humildes membros do reino das plantas?

Conheça as briófitas, primeiro grupo de plantas a ocupar o ambiente terrestre

Ler

Schlotheimia torquata sobre Tabulae physiognom XI (2023), de Denilson Fernandes Peralta e Talita da Silva DewesFonte original: Personal file adapted.

Foco nas briófitas

Os musgos, hepáticas e antóceros formam um grupo conhecido como briófitas, o segundo maior entre as plantas terrestres. Invisíveis para a maioria das pessoas devido ao seu tamanho, as briófitas são notáveis e inesquecíveis depois de percebidas!

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part II, Fasc. 1 Plate 4CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Martius e as briófitas

A obra “Viagem pelo Brasil” relata que Martius pretendia fazer pesquisas “também com os mais humildes membros do reino das plantas, tais como os musgos”. Outros pesquisadores também usaram e ainda usam termos pejorativos como “vegetais inferiores” para denominar essas plantas.

Comunidade de briófitas no Parque Estadual de Tainhas, Rio Grande do Sul, Brasil. (2023), de Lucas de Souza LimaFonte original: Personal file.

Incrível minimundo das briófitas

Existem cerca de 18 mil espécies de briófitas no mundo, que apresentam uma diversidade fascinante de formas e estruturas. Então, por que elas são chamadas inferiores ou humildes?

Tab XIX, de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: von Martius, C.F.P.: Icones plantarum cryptogamicarum, Impensis auctoris, Monachii, 1828-1834.

Sem flores e sementes

Essas plantas não possuem flores nem sementes. Elas se reproduzem por meio de esporos produzidos por uma estrutura chamada esporófito.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part II, Fasc. 1 Plate 2CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Diferentes sim, inferiores jamais!

Elas são pequenas quando comparadas com outras plantas como as árvores. A diferença de tamanho se deve à ausência de estruturas morfológicas de sustentação, transporte e conservação de água.

Musgos protoesfagoides (2021), de MICHAEL S. IGNATOV, ELENA V. MASLOVA.Fonte original: BioTaxa

Conquista do ambiente terrestre

As briófitas foram as primeiras plantas a conquistar o ambiente terrestre, e acredita-se que ainda mantenham muito da aparência das espécies pioneiras. No entanto, com poucos fósseis disponíveis, grande parte dessa história permanece oculta no passado.

Tapete de musgo na Antártica, de Juçara BordinFonte original: Personal file.

Distribuição das briófitas

Estão distribuídas ao redor do mundo, ocorrendo tanto em regiões secas e desérticas quanto em regiões polares. Desenvolvem-se em todos os substratos naturais disponíveis no ambiente, como solo, rochas, troncos e também em componentes antropogênicos.

Tab XVIII, de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: von Martius, C.F.P.: Icones plantarum cryptogamicarum, Impensis auctoris, Monachii, 1828-1834.

Abundância x Diversidade

Apesar de se destacarem nas regiões temperadas e polares pela abundância, nas regiões tropicais concentra-se um maior número de espécies. Martius e Spix relataram que as árvores na Amazônia possuíam “folhas espessas cobertas com Jungermanias e com musgos”.

Tab XVI, de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: von Martius, C.F.P.: Icones plantarum cryptogamicarum, Impensis auctoris, Monachii, 1828-1834.

"Icones Plantarum Cryptogamicarum"

Entre as briófitas, apenas os musgos foram citados na Flora Brasiliensis, com 196 espécies. Algumas hepáticas coletadas na expedição de Martius e Spix foram mencionadas em uma obra anterior, Icones Plantarum Cryptogamicarum. Apenas os antóceros ficaram de fora dessas publicações.

Musgo de turfeira, Sphagnum cuspidatum.Fonte original: Canva

Pequenas, mas não menos importantes!

Além da incrível beleza em miniatura das briófitas, essas plantas não são tão humildes como alguns autores nos fazem pensar. Elas possuem um papel ecológico muito importante e um potencial biotecnológico enorme, mas isso é história para outras histórias!

Créditos: história

Pesquisa e redação: Talita Dewes (UFRGS), Juçara Bordin (UERGS)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA) & Luiza F. A. de Paula (UFMG)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991); Icones Plantarum Cryptogamicarum (https://www.biodiversitylibrary.org/bibliography/16100); Ignatov & Maslova (2021). Fossil mosses: What do they tell us about moss evolution?. Bryophyte Diversity Evol. 43: 72-97.
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores das imagens que gentilmente cederam seus arquivos, Denilson Fernandes Peralta, Lucas Souza de Lima, Michael Ignatov e Elena Maslova.

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

Créditos: todas as mídias
Em alguns casos, é possível que a história em destaque tenha sido criada por terceiros independentes. Portanto, ela pode não representar as visões das instituições, listadas abaixo, que forneceram o conteúdo.