CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Talita Dewes & Juçara Bordin
Schlotheimia torquata sobre Tabulae physiognom XI (2023), de Denilson Fernandes Peralta e Talita da Silva DewesFonte original: Personal file adapted.
Foco nas briófitas
Os musgos, hepáticas e antóceros formam um grupo conhecido como briófitas, o segundo maior entre as plantas terrestres. Invisíveis para a maioria das pessoas devido ao seu tamanho, as briófitas são notáveis e inesquecíveis depois de percebidas!
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part II, Fasc. 1 Plate 4CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Martius e as briófitas
A obra “Viagem pelo Brasil” relata que Martius pretendia fazer pesquisas “também com os mais humildes membros do reino das plantas, tais como os musgos”. Outros pesquisadores também usaram e ainda usam termos pejorativos como “vegetais inferiores” para denominar essas plantas.
Incrível minimundo das briófitas
Existem cerca de 18 mil espécies de briófitas no mundo, que apresentam uma diversidade fascinante de formas e estruturas. Então, por que elas são chamadas inferiores ou humildes?
Sem flores e sementes
Essas plantas não possuem flores nem sementes. Elas se reproduzem por meio de esporos produzidos por uma estrutura chamada esporófito.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part II, Fasc. 1 Plate 2CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Diferentes sim, inferiores jamais!
Elas são pequenas quando comparadas com outras plantas como as árvores. A diferença de tamanho se deve à ausência de estruturas morfológicas de sustentação, transporte e conservação de água.
Conquista do ambiente terrestre
As briófitas foram as primeiras plantas a conquistar o ambiente terrestre, e acredita-se que ainda mantenham muito da aparência das espécies pioneiras. No entanto, com poucos fósseis disponíveis, grande parte dessa história permanece oculta no passado.
Tapete de musgo na Antártica, de Juçara BordinFonte original: Personal file.
Distribuição das briófitas
Estão distribuídas ao redor do mundo, ocorrendo tanto em regiões secas e desérticas quanto em regiões polares. Desenvolvem-se em todos os substratos naturais disponíveis no ambiente, como solo, rochas, troncos e também em componentes antropogênicos.
Abundância x Diversidade
Apesar de se destacarem nas regiões temperadas e polares pela abundância, nas regiões tropicais concentra-se um maior número de espécies. Martius e Spix relataram que as árvores na Amazônia possuíam “folhas espessas cobertas com Jungermanias e com musgos”.
"Icones Plantarum Cryptogamicarum"
Entre as briófitas, apenas os musgos foram citados na Flora Brasiliensis, com 196 espécies. Algumas hepáticas coletadas na expedição de Martius e Spix foram mencionadas em uma obra anterior, Icones Plantarum Cryptogamicarum. Apenas os antóceros ficaram de fora dessas publicações.
Musgo de turfeira, Sphagnum cuspidatum.Fonte original: Canva
Pequenas, mas não menos importantes!
Além da incrível beleza em miniatura das briófitas, essas plantas não são tão humildes como alguns autores nos fazem pensar. Elas possuem um papel ecológico muito importante e um potencial biotecnológico enorme, mas isso é história para outras histórias!
Pesquisa e redação: Talita Dewes (UFRGS), Juçara Bordin (UERGS)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA) & Luiza F. A. de Paula (UFMG)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991); Icones Plantarum Cryptogamicarum (https://www.biodiversitylibrary.org/bibliography/16100); Ignatov & Maslova (2021). Fossil mosses: What do they tell us about moss evolution?. Bryophyte Diversity Evol. 43: 72-97.
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores das imagens que gentilmente cederam seus arquivos, Denilson Fernandes Peralta, Lucas Souza de Lima, Michael Ignatov e Elena Maslova.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br