Martius nos Campos Gerais

Um passeio botânico pela litografia n. 5 da Flora Brasiliensis

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Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 5 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Flora brasiliensis

A Flora Brasiliensis é um marco da botânica mundial. Embora iniciada em 1840, seu volume 1 foi publicado por último, em 1906, com 59 gravuras de paisagens brasileiras. Nesta história, embarcaremos em um “passeio botânico” por uma delas, destacando suas plantas.

Campos Gerais

Os Campos Gerais representam uma paisagem única dos planaltos do sul do Brasil, marcada por um clima subtropical úmido e relevo ondulado. Campos naturais se misturam com capões de florestas com araucárias, criando um mosaico de rica diversidade vegetal.

Naturalistas europeus

Em dezembro de 1817, os naturalistas bávaros Spix e Martius partiram do Rio de Janeiro para São Paulo, onde se encantaram com os Campos Gerais. Com eles estava o pintor austríaco Thomas Ender, que capturou em aquarela a paisagem que vemos aqui.

Araucária: símbolo dos Campos Gerais

A árvore que mais se destaca nessa paisagem é a Araucaria angustifolia, uma gimnosperma conhecida como "pinheiro-brasileiro" ou "pinheiro-do-Paraná". Com troncos retilíneos e copas em forma de candelabro, suas sementes, os pinhões, alimentam a fauna e fazem parte da cultura local.

Outras plantas

Em primeiro plano, à esquerda, destaca-se a Ouratea multiflora, uma graciosa árvore de pequeno porte com folhas grandes e brilhantes. Seus belos cachos de flores amarelas contrastam com o verde das folhas, trazendo vida e cor ao cenário.

Logo à direita, encontra-se o Diplusodon ovatus, um subarbusto com xilopódios e flores rosas, pertencente à família Lythraceae. Os xilopódios são caules lenhosos e subterrâneos que armazenam água e nutrientes, permitindo que essas plantas sobrevivam durante os períodos de seca. 

Logo à direita, vemos os arbustos “cataia” (Drimys brasiliensis) e “coca-do-paraguai” (Erythroxylum campestre) lado a lado, com a trepadeira “glória-da-manhã” (Ipomoea alba) subindo seus ramos e encantando com suas belas e enormes flores brancas.

Espessas moitas de Baccharis, com suas pequenas folhas resinosas, se destacam ao lado dos caules trepadores de Cynophalla flexuosa, uma Capparaceae de flores brancas conhecida como “feijão-bravo” ou “feijão-de-boi”. Destacam-se também as diversas espécies de capim.

Na beira do caminho, brotam muitos “abacaxis” (Ananas comosus), uma bromélia cujos frutos suculentos oferecem um doce alívio aos viajantes. No entanto, colha com cautela: além dos espinhos, existe uma pequena cobra venenosa que costuma se esconder em suas folhas.

Embora os Campos Gerais preservem um mosaico de ecossistemas únicos, o avanço da agricultura e o pastoreio intensivo ameaçam a biodiversidade local. A proteção dessas áreas é essencial para manter a rica diversidade de espécies que inspirou as obras de Martius.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Esta história foi baseada no texto explicativo que acompanha a litografia n. 5 da Flora Brasiliensis (Martius 1906: 7-8).

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

Créditos: todas as mídias
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