CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Renato Goldenberg & Fernando B. Matos

Os manacás-da-serra, quaresmeiras e pixiricas

Das vibrantes quaresmeiras ao charme sutil das pixiricas, explore as diversas Melastomatáceas do Brasil.

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Quaresmeiras (27 de fevereiro, 2011), de Nilo José Antunes CruzFonte original: flickr

Os Manacás-da-Serra estão entre as plantas mais vistosas da flora brasileira. Nas regiões de Mata Atlântica do Sudeste e Sul do país, essas árvores formam maciços de flores brancas e roxas que marcam a paisagem, especialmente no final do ano, entre outubro e dezembro.

Tibouchina sellowiana, de Renato GoldenbergCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Existem três espécies conhecidas popularmente como Manacá-da-Serra. Todas pertencem ao gênero Pleroma e são amplamente cultivadas e comercializadas para fins paisagísticos.

Tibouchina mutabilis (22 de fevereiro, 2008), de Mauro HalpernFonte original: flickr

A característica mais marcante destas plantas são as flores, que abrem brancas e assim permanecem por um dia. No dia seguinte, as pétalas mudam de coloração, tornando-se lilases ou arroxeadas, e persistindo na flor por mais dois ou três dias.

Tibouchina sellowiana (1998), de Diana CarneiroCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Os Manacás-da-Serra pertencem à família Melastomataceae. As plantas desta famílias são mais fáceis de reconhecer pelas folhas do que pelas flores (que nem sempre são tão lindas como as dos manacás). Em Melastomataceae, as folhas quase sempre aparecem aos pares [...]

[...] e têm um desenho de nervuras muito particular: há uma nervura principal, e mais um, dois ou vários pares de nervuras laterais, que divergem da nervura central na base da folha, mas retornam para essa mesma nervura no ápice.

Miconia sublanata (= Leandra carassana), de Renato GoldenbergCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

O nome Melastomataceae pode ser difícil de repetir ou memorizar, mas tem um significado. Do grego mélās + stóma = “boca preta”. Isso porque os primeiros europeus a conhecerem estas plantas viram que crianças no Ceilão comiam os seus frutos, que deixavam suas bocas pretas.

Tibouchina granulosa (2008), de Mauro HalpernFonte original: flickr

Outras plantas dessa família que são bastante comuns entre nós são as quaresmeiras. São plantas também nativas da Mata Atlântica, e receberam este nome por florescer, geralmente, na Quaresma, entre o Carnaval e a Páscoa. Hoje em dia são cultivadas em todo o país.

Tibouchina granulosa 'Kathleen' (14 de maio, 2008), de Mauro HalpernFonte original: flickr

Fora do domínio da Mata Atlântica, florescem durante quase todo o ano, não mais apenas na Quaresma. As flores intensamente roxas também são típicas, mas há cultivares com flores mais claras, lilases até rosadas.

Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 7 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Outros biomas

Há muitas Melastomatáceas com enorme potencial ornamental ainda desconhecidas do público. Elas ocorrem no Cerrado, Campos Rupestres, Amazônia e inselbergs do leste do Brasil, mostrando uma rica diversidade tanto dentro quanto fora da Mata Atlântica. Seguem alguns exemplos:

Microlicia armata, de Renato GoldenbergCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Cerrado

Microlicia armata. Brasil: Paraná, Parque Estadual do Guartelá.

Lavoisiera harleyi (26 de fevereiro, 2006), de Fernando B. MatosCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Campos rupestres

Microlicia raymondii. Brasil: Bahia, Pico das Almas.

Rhynchanthera sp., de Renato GoldenbergCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Campos amazônicos

Rhynchanthera sp. Brasil: Roraima, Parque Nacional do Viruá.

Huberia kollmannii, de Renato GoldenbergCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Inselbergs

Huberia kollmannii. Brasil: Espírito Santo, Santa Leopoldina.

Miconia albicans, de Renato GoldenbergCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Mas a maioria das Melastomatáceas não tem flores grandes e vistosas. São muitas espécies, conhecidas como Pixiricas, Buxixus, Jacatirões, Cabuçus, Lacres, Tinteiros e Canelas-de-Velho.

Miconia albicans, de Renato GoldenbergCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Em sua maioria têm flores pequenas, pouco vistosas, mas ainda assim, muito bonitas quando aproximadas.

Vol. XIV, Part IV, Fasc. 103 Plate 121 (1888-08-15)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Flora Brasiliensis

A base do conhecimento sobre a família no Brasil é a monografia preparada pelo botânico belga Célestin Cogniaux para a Flora Brasiliensis (1883-1888), que registrou 978 espécies. Hoje, no Brasil, são reconhecidas ca. 1430 espécies. É a quinta maior família de plantas no país.

Melastomataceae e abelha, de Renato GoldenbergCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

As melastomatáceas são plantas pouco conhecidas pela maioria dos brasileiros. Embora poucas espécies tenham importância econômica, muitas delas são nativas e exercem um papel ecológico fundamental. As abelhas, por exemplo, utilizam seu pólen como fonte de alimento.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Renato Goldenberg (UFPR) & Fernando B. Matos (CRIA) 
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA) 
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores de todas as imagens utilizadas nessa história.

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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