Explorando os Trópicos Brasileiros: A Jornada Científica de Spix e Martius

A viagem de Spix e Martius pelo Brasil (1817-1820) - parte 1

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Tabula Geographica (1820), de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia commons

Oferecemos aqui uma visão geral da expedição realizada pelos naturalistas Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich von Martius. Ambos percorreram mais de 10.000 km em terras brasileiras no início do século XIX e deixaram uma relevante obra científica e literária sobre o país.

Partida do Príncipe Regente de Portugal para o Brasil, aos 27 de Novembro de 1807, de Henry L'Évêque e Francesco BartolozziCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Contexto Histórico

Na iminência da invasão das tropas napoleônicas em Portugal, a família real portuguesa e seu séquito fugiram sob a proteção britânica para o Rio de Janeiro. Uma das importantes consequências foi a abertura dos portos em 1808, o que significou o fim do monopólio colonial.

Casamento de Pedro e Leopoldina (alegoria) (1820/1820), de Domingos ClementinoMuseu Histórico Nacional

No contexto da política da Santa Aliança de restauração das monarquias europeias após o fim das guerras napoleônicas, firma-se o casamento de d. Leopoldina, filha do Imperador da Áustria e o Príncipe Regente, d. Pedro, herdeiro do trono português.

Thomas Ender Rio de Janeiro Hauptstraße 1817 (1817), de Thomas EnderFonte original: Wikimedia commons

A mudança de d. Leopoldina em 1817 para o Rio de Janeiro foi o ensejo para que o Museu de História Natural de Viena organizasse uma grande expedição científica para o Brasil integrada por 14 profissionais da ciência e das artes, entre eles o pintor de paisagem Thomas Ender.

König Maximilian I. Joseph von Bayern im Krönungsornat (1806-1825) (1818), de Moritz Kellerhoven (1758–1830) e Franz Xaver Kleiber (1794–1872)Fonte original: Wikimedia Commons

Maximiliano José da Baviera já tinha como plano uma missão para a América Latina. Diante das relações familiares que ligavam as cortes de Viena e Munique, aproveitou-se a oportunidade de integrar dois membros da Academia de Ciências na expedição austríaca.

Johann Baptist von Spix (1781-1826), 1835, Fonte original: Wikimedia Commons
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Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), J. Kuhn segundo Merz, 12 de dezembro de 2006 (data de carregamento original), Fonte original: Hans Wahl, Anton Kippenberg: Goethe and his world, Insel-Verlag, Leipzig 1932 p.204
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A escolha recaiu sobre o zoólogo Johann Baptist von Spix e o botânico Carl Friedrich Philipp von Martius, ambos também formados em medicina. Spix era um experiente naturalista, que já tinha realizado algumas viagens de estudo pela Europa. Martius ainda estava no início de sua carreira.

Cephalogenesis (1815), de Johann Baptist Ritter von SpixFonte original: Wikimedia Commons

Johann Baptist von Spix (1781-1826) estudou filosofia e depois medicina em Würzburg, especializando-se em anatomia e zoologia. Em 1808 foi contratado pela Academia de Ciências da Baviera como curador da coleção de zoologia com o objetivo de modernizar a coleção.

Georges Cuvier, de Mathieu Ignace van Bree (1773-1839)Fonte original: Wikimedia Commons

Spix foi enviado pela Academia a Paris. Lá esteve em estreito contato com o famoso zoólogo Georges Cuvier, fundador da anatomia comparada, o que marcou a sua formação. Também conheceu Jean-Baptist Lamarck, que contribui fortemente para os conceitos evolucionistas.

Franz von Paula Schrank, de Friedrich John (1769-1843)Fonte original: Wikimedia Commons

Depois de estudar medicina, Carl Friedrich von Martius (1794-1868) enveredou pela botânica. Na Academia de Ciências da Baviera, Martius ingressou como assistente do professor de botânica Franz de Paula von Schrank, que igualmente era diretor do Jardim Botânico de Munique.

Fifteen Architectural Subjects: Views of Munich (1835), de Heinrich AdamThe Metropolitan Museum of Art

No início do século XIX, a Academia de Ciências foi estatizada. O objetivo era torná-la em um centro de referencia científica em Munique, diversificando os campos de pesquisa, atualizando seus métodos, bem como ampliando as coleções de objetos da natureza.

Bayerische Akademie der Wissenschaften (2006-08-26)Fonte original: Wikimedia Commons

O plano de realizar sob o mando da Academia de Ciências da Baviera uma missão científica à América Latina pode ser compreendido como um dos resultados do processo de reformas modernizadoras ocorridas na própria instituição.

Das Eisenwerk zu DillingenFonte original: Wikimedia Commons

As viagens de exploração científica dialogavam com interesses econômicos e políticos no contexto da industrialização na Europa, da expansão de mercados consumidores, da aceleração da globalização e das disputas neocoloniais/imperialistas entre as nações mais poderosas.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Karen Macknow Lisboa (Universidade de São Paulo)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos curadores que forneceram imagens para esta história.

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

Créditos: todas as mídias
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