CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Alexandre Antonelli
Floresta Amazônica (2011-04-19), de Neil Palmer/CIATFonte original: Wikimedia Commons
Você certamente já ouviu falar da Amazônia — a maior, mais antiga e mais biodiversa floresta tropical do planeta. Mas sabia que a América do Sul também abriga uma segunda grande floresta tropical?
Delimitação da Mata Atlântica no Brasil, Paraguai e Argentina (24 de julho de 2012), de NASA e MiguelrangeljrFonte original: Wikicommons
Ela se chama Mata Atlântica e se estende ao longo da costa leste da América do Sul. Mais de 60% de todos os brasileiros vivem dentro desse bioma. A floresta fornece água e ar limpos, alimentos, materiais de construção, remédios e lazer, além de prevenir deslizamentos e inundações.
Hotspots e darkspots globais de biodiversidade (16 de agosto de 2024), de Ian OndoFonte original: Ondo, I. et al. (2024) Plant diversity darkspots for global collection priorities. New Phytologist 244: 719-733
A Mata Atlântica detém dois títulos importantes: é um “Hotspot” Global de Biodiversidade, por sua diversidade excepcional, singularidade e ameaças; e um “Darkspot” Global de Diversidade de Plantas, provavelmente abrigando grande número de espécies vegetais desconhecidas pela ciência, além de novos registros de espécies já conhecidas.
Cobertura florestal remanescente da Mata Atlântica em 2008 (10 de setembro de 2014), de Carlos A. JolyFonte original: Joly, A.C. et al. (2014). Experiences from the Brazilian Atlantic Forest: ecological findings and conservation initiatives. New Phytologist, 204: 459–473
Apesar dessa incrível diversidade e do potencial para descobertas científicas, a Mata Atlântica é um dos biomas mais degradados e ameaçados do mundo. Em 2008, restava menos de 8% de sua cobertura original — em fragmentos florestais altamente desconectados e isolados.
Desmatamento na Mata Atlântica, de Alexandre AntonelliFonte original: Alexandre Antonelli
E embora a floresta remanescente esteja agora formalmente protegida pela Lei da Mata Atlântica, na prática o desmatamento ainda continua — impulsionado principalmente pela agricultura e pela urbanização.
Viveiro de mudas da Associação Ambiental Copaíba, em Socorro (SP) (15 de novembro de 2019), de Associação Ambientalista CopaíbaFonte original: Associação Ambientalista Copaíba
Mas há esperança. Diversas organizações estão agora trabalhando contra o tempo para proteger o que resta e restaurar o que foi perdido. Esse trabalho vital ajuda o Brasil a cumprir seus compromissos nacionais e internacionais de mitigação do clima e conservação da biodiversidade.
Aliança de Pesquisa e Conservação da Mata Atlântica (ARAÇÁ), de Alexandre Antonelli e Inessa VoetFonte original: Alexandre Antonelli
Um esforço recente está sendo liderado pela Aliança de Pesquisa e Conservação da Mata Atlântica (ARAÇÁ), cuja missão é compreender e proteger a Mata Atlântica por meio de pesquisa de excelência, conservação e capacitação.
A estação de campo da RPPN Alto da Figueira, na Mata Atlântica, Brasil., de Thomas BergFonte original: Thomas Berg
Para ajudar a cumprir essa missão, a organização brasileira sem fins lucrativos por trás da ARAÇÁ construiu uma estação de pesquisa de excelência em uma reserva de proteção permanente (Alto da Figueira), no coração do maior remanescente de floresta do Rio de Janeiro.
Beija-flor da Mata Atlântica, de Alexandre AntonelliFonte original: Alexandre Antonelli
O objetivo da equipe é promover estudos aprofundados e de longo prazo sobre biodiversidade, interações ecológicas, dinâmica do carbono, impactos das mudanças climáticas e muito mais. A aspiração é tornar-se o local mais bem estudado da Mata Atlântica.
Amostragem de uma figueira a partir de plataformas de andaimes, de Thomas BergFonte original: Thomas Berg
Um estudo em particular busca compreender tudo o que for possível sobre uma única árvore, como parte da grande colaboração “Life on Trees”. Estruturas já estão montadas e uma campanha de arrecadação está em andamento para instalar uma Plataforma Permanente de Observação de Árvores!
Coletas de moscas do dossel da figueira, de Dalton de Souza AmorimFonte original: Dalton de Souza Amorim
As descobertas que estão sendo produzidas são impressionantes. Por exemplo, praticamente cada mosca encontrada no dossel das árvores — e já são centenas ou possivelmente milhares — parece ser desconhecida pela ciência.
O objetivo final da restauração – uma floresta saudável e resiliente., de Thomas BergFonte original: Thomas Berg
Mas a pesquisa não é o objetivo final. Ao compreender o que significa uma floresta 'saudável' — quantas e quais espécies são necessárias para sustentar um ecossistema equilibrado e resiliente — os pesquisadores da ARAÇÁ agora buscam transferir esse conhecimento para aprimorar os esforços de restauração.
Novas tecnologias para apoiar a restauração (20 de março de 2025), de Pedro BrancalionFonte original: Brancalion, P.H.S. et al. (2025). Moving biodiversity from an afterthought to a key outcome of forest restoration. Nat. Rev. Biodivers. 1, 248–261.
Ao combinar métodos tradicionais de levantamento com novas tecnologias — de varreduras a laser em 3D a gravadores de áudio e aprendizado de máquina — os dados produzidos estão ajudando a identificar áreas prioritárias para a conservação, que maximizem a recuperação da biodiversidade e o armazenamento de carbono.
Mata Atlântica na região de Petrópolis, Rio de Janeiro, de Alexandre AntonelliFonte original: Alexandre Antonelli
Não se preocupe se você nunca tinha ouvido falar da Mata Atlântica antes. Agora já ouviu!
O essencial é: nós precisamos da Mata Atlântica, e a Mata Atlântica precisa de nós.
Mata nebular no Alto da Figueira, de Alexandre Antonelli e Jeff EdenFonte original: Alexandre Antonelli
Pesquisa e redação: Alexandre Antonelli (Royal Botanic Gardens, Kew; e Antonelli Foundations)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Rhian Smith (Royal Botanic Gardens, Kew; e Antonelli Foundations) e Hannes Dempewolf (Antonelli Foundations)
Referências: Ver slides individuais.
Informações adicionais: www.hu-b.org e www.araca-project.org
Agradecimentos: Thomas Berg, Dalton Amorim, Glauco Machado e outros autores de imagens. Ver slides individuais para créditos de imagens.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br