CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Marcus Magno e Luiza F. A. de Paula
Historia Naturalis Palmarum
História Natural das Palmeiras é um livro de três volumes produzido pelo mesmo botânico que liderou a Flora Brasiliensis: von Martius. No volume I há os primeiros mapas da biogeogeografia das palmeiras (família Arecaceae), mostrando a distribuição das espécies ao redor do mundo.
Vol. III, Part II, Fasc. 86 Plate 134 (1882-05-01)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
As palmeiras na Flora Brasiliensis
A Flora Brasiliensis reuniu pela primeira vez, no séc. XIX, as espécies de plantas do Brasil. Entre as quase 23 mil espécies catalogadas, destacam-se as palmeiras. No mapa, é apresentada a distribuição dos gêneros de palmeiras brasileiras. Venha conhecer 5 espécies e seus usos!
1. Açaí (Euterpe oleracea): nativa da Amazônia, é uma palmeira de estipes finos que forma touceiras, podendo chegar a 20 m de altura. Suas folhas são grandes, em forma de pena. Os frutos são pequenos, redondos e de cor roxa escura. Contém uma única semente e ficam agrupados em cachos pendentes.
Na mão do amazônida, do açaí nada se perde. Os frutos tornam-se bebida, polpa e corante; o caule, palmito e material de construção; as folhas, cobertura e artesanato; as sementes, biojóias e adubo; as inflorescências, vassouras; as raízes, fitoterápicos. A espécie também é muito utilizada no paisagismo.
2. Bacaba (Oenocarpus bacaba): nativa da Amazônia, é uma palmeira solitária, possui um tronco alto que pode chegar até 22 m de altura, com palmito curto e grosso no ápice. As folhas são dispostas em forma de leque no topo. Produz cachos robustos com frutos arredondados, de cor escura quando maduros, contendo uma única semente coberta por uma polpa carnosa.
Como o açaí, todas as partes são usadas. Os frutos tornam-se polpa; as sementes são usadas na extração de óleo e como ração animal; as folhas viram cobertura de casas; os estipes são usados na construção; as raízes se tornam remédios; as inflorescências são comumente usadas como vassouras. Várias partes da palmeira são utilizadas no artesanato, como folhas e sementes.
3. Miriti (Mauritia flexuosa): é uma palmeira majestosa, ocorre na região amazônica mas possui ampla distribuição geográfica no Brasil, com preferência para áreas alagadas. Seus frutos são recobertos por escamas avermelhadas e boiam na água, facilitando a dispersão. Ela pode chegar aos 25 m de altura e suas folhas têm forma de leque.
A espécie Mauritia flexuosa possui diversos nomes populares, entre os mais comuns estão miriti, buriti e muriti. Ela está entre as palmeiras mais versáteis de todas. É usada na confecção de brinquedos, biojóias, vestuário e utensílios. Além disso, tem utilidades na agricultura, pesca, construção civil, nas práticas medicinais e ritualísticas. Diversas partes são usadas como alimento (fruto e palmito), licor, adubo, óleo, além de ser matéria-prima de muitos produtos.
4. Inajá (Attalea maripa): ocorre especialmente na região amazônica, é uma palmeira solitária, comumente encontrada entre 10 e 12 metros. As folhas são arranjadas em espiral e, ao cair, deixam parte do pecíolo fixo no caule por um tempo. As flores tem cor amarelo-clara. Os frutos apresentam casca fina, polpa suculenta, amarelada, pastosa e oleosa.
Os frutos do inajá servem como alimento humano e animal, e também para produção de óleo e biocombustível. As folhas podem ser usadas para confecção de telhados, armadilhas para peixes e cordas. A espata (folha modificada e situada na base da inflorescência) é utilizada como recipiente.
5. Tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum tucuma): nativa da região amazônica, é uma palmeira grande, que pode atingir até 25 m de altura. Tem um único tronco e espinhos dispostos em forma de anéis sob toda a sua extensão, e também na área basal das folhas. Os frutos são arredondados e tem uma fina camada de polpa de coloração amarelo-alaranjado sobre a semente.
O fruto do tucumã é usado para fazer o famoso sanduíche de tucumã, o “x-caboquinho”, mas também é alimento para animais e fonte de óleos. Suas sementes podem ser usadas no artesanato assim como suas folhas, de onde se extrai fibra e palha, enquanto seu tronco é utilizado para construções rurais.
Pesquisa e redação: Marcus Magno (UFPA/HF) e Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA)
Montagem: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus)
Historia Naturalis Palmarum (https://www.biodiversitylibrary.org/bibliography/506)
Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e personagens da história
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br