CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Luiza F. A. de Paula
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 20 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Spix & Martius - Viagem pelo Brasil
A história da Flora Brasiliensis começa com a grande viagem de Spix e Martius. Após chegarem ao Rio de Janeiro em 1817, começaram uma viagem épica que percorreu 10.000 km durante um período de três anos e que passou por quase todos os principais tipos de vegetação do Brasil.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 19 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
As montanhas do Rio de Janeiro
Apesar de toda a heterogeneidade de ambientes que eles presenciaram, é possível notar que algumas paisagens foram especialmente registradas pelos naturalistas, como por exemplo as montanhas do Rio de Janeiro. Ali eles chegaram e se deslumbraram com a biodiversidade local.
Inselbergs
Essas montanhas, conhecidas como inselbergs (termo alemão: insel=ilha; berg = montanha), são formações rochosas isoladas que se destacam entre as praias mais famosas, como Copacabana e Ipanema, e colaboram para o encantamento da ‘cidade maravilhosa'.
A vegetação do Pão de Açúcar
Exemplos emblemáticos são o Pão de Açúcar, a Pedra da Gávea, os morros Dois Irmãos e o Corcovado. E, claro, os naturalistas não deixariam passar despercebida a distinta vegetação que crescia nessas montanhas.
As bromélias da Mata Atlântica e típicas dessas montanhas foram destacadas em diversas litografias que integram a Flora Brasiliensis. Entre essas bromélias que encantaram os viajantes, muitas são endêmicas das formações rochosas da cidade do Rio de Janeiro, isto é, não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta. Por exemplo, a espécie Pitcairnia albiflos ocorre somente no Pão de Açúcar e outras montanhas ao redor.
Bromélia endêmica
Outra bromélia endêmica dessas formações rochosas é a Tillandsia araujei...
Bromélias escaladoras de rochas
...uma espécie escaladora que cresce diretamente sobre a superfície lisa da rocha, sem a necessidade de solo ou fissuras. As espécies com essa forma de vida foram recentemente chamadas de hiperepilíticas (hiper = muito; epi = em cima; líticas = pedra; hyperepilithics em inglês).
Contudo, durante sua viagem pelo Brasil, o botânico Martius tinha olhos tanto para as plantas epilíticas, aquelas que crescem sobre a rocha, como para as plantas epífitas, aquelas que crescem sobre o tronco de espécies arbóreas (epi = em cima; fito = planta). Um exemplo é a Tillandsia brachyphylla, espécie que cresce nas árvores das florestas do entorno das montanhas.
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 24 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Bromélias epífitas no Corcovado
Essa é uma prancha que mostra exemplos de bromélias epífitas crescendo na floresta que circunda o Corcovado. Epifitismo é o nome dessa relação de inquilinismo entre duas plantas, na qual uma planta vive sobre a outra.
Bromélias escaladoras de árvores
Vale ressaltar que essas plantas não são parasitas, mas usam as árvores para se apoiarem e crescerem, e aos poucos vão escalando as árvores.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 59 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Serra dos Órgãos
A majestosa Serra dos Órgãos, na região de Petrópolis, Rio de Janeiro, foi também registrada pelos naturalistas diversas vezes. A beleza de suas montanhas inspirou artistas e cientistas da época.
Vriesea crassa é uma bromélia que ocorre nos topos da Serra dos Órgãos, crescendo associada à rocha, e encanta por suas belíssimas flores amarelas.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 38 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Serra da Estrela
O entorno da Serra dos Órgãos, formado por uma Mata Atlântica densa e úmida, também foi retratado na Flora Brasiliensis. Na imagem é representada a mata protegendo um riacho na Serra da Estrela.
Bromélia-gigante
Destaque para uma bromélia-gigante crescendo sobre uma rocha ao longo do riacho.
Alcantarea imperialis, mais conhecida como bromélia imperial, é um exemplo de bromélia-gigante que ocorre nessa região serrana do Rio de Janeiro. Uma curiosidade é que as flores dessa espécie abrem a noite e são polinizadas por morcegos.
Bromélias no paisagismo
Por ser muito ornamental, a bromélia imperial é amplamente cultivada no paisagismo brasileiro. Já foi largamente extraída de forma ilegal da natureza, mas hoje em dias vários viveiros propagam essa espécie, o que ajuda a combater a coleta de indivíduos em seu habitat natural.
Casa para animais
As bromélias-gigantes têm folhas que formam uma roseta com aspecto de tanque. É formado, portanto, um recipiente que acumula água, e que funciona como casa para diversas espécies da fauna, especialmente para anfíbios e insetos.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 30 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Papo de naturalista
Nesta ilustração, os naturalistas Spix e Martius descansam nos entornos da Serra dos Órgãos, próximos a árvores repletas de bromélias epífitas. Estariam eles discutindo como sobrevivem essas bromélias que crescem se apoiando sobre as árvores?
Escalada de sucesso
Existem estratégias de adaptação a esse ambiente sem solo e com pouca água. Pode-se citar raízes aéreas que absorvem água e nutrientes, presença de tecidos vegetais que acumulam água, pêlos e escamas absorventes nas folhas. Assim, as bromélias têm sucesso em sua escalada.
Pesquisa e redação: Luiza F. A. de Paula (Universidade Federal de Minas Gerais / CRIA)
Montagem: Luiza F. A. de Paula
Revisão: João Renato Stehmann (Universidade Federal de Minas Gerais), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e personagens da história
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br