CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Fernando B. Matos & Renato Goldenberg
A estação de RobechiesFonte original: Gares Belges
Célestin Alfred Cogniaux (1841-1916) foi um botânico belga que nasceu no vilarejo de Robechies. Destacou-se pelo estudo das curcubitáceas, melastomatáceas e orquidáceas, e com essas famílias, foi o autor que contribuiu com mais páginas para a Flora Brasilienses.
L'École Normale, NivellesFonte original: Geneanet
Aluno promissor desde o início, formou-se na École Normale de Nivelles, onde recebeu o diploma de professor aos 22 anos de idade.
Célestin Alfred Cogniaux, botaniste, Bruxelles, 1872 (1870), de Théophile Le ComteFonte original: AbeBooks
Aparentemente por conta própria e sem orientação formal, o jovem Cogniaux demonstrou desde cedo um interesse especial pela flora local — especialmente por musgos e hepáticas. Em 1862, aos 21 anos, destacou-se como um dos 92 fundadores da Sociedade Botânica Belga.
Nitella tenuissima (2022), de MichelleFonte original: Wikimedia Commons
Seu primeiro artigo científico, sobre a alga Nitella tenuissima, apareceu no Bulletin de la Société Royale Botanique de Belgique em 1863. As descrições florais detalhadas posteriores de Cogniaux, com muitas medições, podem ter a ver com esse foco inicial nas plantas mais basais.
Jardim Botânico de Bruxelas (1829-1860), de Henri BorremansFonte original: Wikimedia Commons
Nos dez anos seguintes, Cogniaux ensinou em cinco escolas diferentes até 1872, quando lhe foi oferecido um cargo de pesquisador no Jardim Botânico Nacional da Bélgica devido à influência de seu amigo e mentor, o botânico que se tornou político Barthélemy Dumortier.
August Wilhelm EichlerFonte original: Museen Nord
Naquele ano, August Wilhelm Eichler, editor da Flora Brasiliensis, havia pedido aos belgas que contribuíssem, se possível, com tratamentos de algumas das famílias 'remanescentes', entre elas as Melastomataceae e as Cucurbitaceae.
Cogniauxia podolaena - Congo (28 de setembro, 1961), de Jean Pheulpin e Pierrette LambertFonte original: colnect
Embora Cogniaux tenha imediatamente se inscrito para as melastomatáceas, parece que Eichler estava um pouco cético e sugeriu que o jovem fizesse as cucurbitáceas primeiro. O tratamento dessa família para o Brasil (1878) e depois para o mundo (1881) teve aceitação internacional.
Tibouchina mutabilis (22 de fevereiro, 2008), de Mauro HalpernFonte original: flickr
Depois disso, Cogniaux tratou as Melastomataceae para a Flora brasiliensis (1883-1888) e para o Monographiae phanerogamarum (1891), onde são revisadas 2731 espécies e 555 variedades, 793 delas novas para a ciência.
Alfred CogniauxFonte original: Wikimedia Commons
Desentendimentos, cuja natureza não é clara, fizeram com que Cogniaux renunciasse ao Jardim Botânico em 1880, aos 39 anos, e voltasse ao ensino, o que fez até sua aposentadoria em 1901, enquanto continuava seus estudos sistemáticos.
Cogniaux foi então solicitado a cobrir as orquídeas da Flora brasiliensis, e seu tratamento apareceu em três volumes entre 1893-1906, encerrando um projeto iniciado 66 anos antes por Martius e continuado por Eichler e Urban, ambos os quais se tornaram bons amigos de Cogniaux.
Dos 40 volumes da Flora brasiliensis, Cogniaux foi responsável por 3.105 páginas de texto e 648 pranchas ilustradas — uma contribuição monumental que corresponde a aproximadamente 15% da obra completa, superando com folga a de qualquer outro autor. Curiosamente, apesar da altíssima qualidade e abrangência do seu trabalho, Cogniaux jamais esteve no Brasil.
Retrato de D. Pedro II (1879 - 1879), de Delfim Maria Martins da CâmaraMuseu Imperial
De 1887 a 1902, Cogniaux foi vice-cônsul do Brasil na cidade belga de Verviers. Quem o nomeou para esse cargo foi Dom Pedro II, que o havia conhecido na Europa e já o admirava pelas contribuições feitas à Flora Brasiliensis. Essa obra foi dedicada pelos seus autores ao imperador.
Seu trabalho em três famílias essencialmente tropicais não o impediu de prosseguir com seus interesses pela flora europeia; publicou uma Petite Flore de Belgique e sua lista de publicações em periódicos internacionais compreende mais de 200 títulos.
Cymbidium insigne (01 de agosto, 1906), de Alfred Cogniaux e Alphonse GoossensFonte original: flickr
Até o dia de sua morte, aos 75 anos, em 15 de abril de 1916, Cogniaux trabalhou em contribuições sobre melastomatáceas e cucurbitáceas para várias floras e em uma monografia mundial das orquídeas.
Herbarium, de Herbarium BRFonte original: Meise Botanic Garden
Embora a excelência de seu trabalho fosse amplamente reconhecida e lhe trouxesse aclamação internacional, Cogniaux sempre permaneceu um homem quieto e despretensioso. Após a sua morte, seu herbário privado, com 5251 espécimes, foi cedido ao Jardim Botânico de Meise.
Neocogniauxia monophylla (1883), de Matilda Smith e John Nugent FitchFonte original: Wikimedia Commons
O género de orquídeas Neocogniauxia foi assim designado em sua homenagem por Rudolf Schlechter. Henri Ernest Baillon denominou o gênero Cogniauxia (Cucurbitaceae) e Carl Ernst Otto Kuntze designou o gênero de fungos Biscogniauxia (Xylariaceae) em sua honra.
Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA) & Renato Goldenberg (UFPR)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Renner (1972). C.A. Cogniaux (1841-1916). Blumea 35: 1-3. (https://repository.naturalis.nl/pub/525885)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores de todas as imagens utilizadas na história
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br