CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Fernando B. Matos
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 11 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Flora brasiliensis
A Flora Brasiliensis é um marco da botânica mundial. Embora iniciada em 1840, seu volume 1 foi publicado por último, em 1906, com 59 gravuras de paisagens brasileiras. Nesta história, embarcaremos em um “passeio botânico” por uma delas, destacando suas plantas.
Ilhas de areia
O Rio Amazonas é o maior rio do mundo, com 6.992 quilômetros de extensão. Inúmeras são as ilhas espalhadas por esse imenso "mar de água doce", que desce do alto dos Andes até desaguar no Oceano Atlantico, entre os estados brasileiros do Amapá e Pará.
Muitas dessas ilhas são formadas pelo acúmulo de areias provenientes do Complexo Guianense. São ilhas baixas e planas, sem rochedos nem recifes, podendo ser totalmente inundadas ou modificadas na época das cheias.
A feição dessa paisagem baixa toma peculiar característica pela quantidade das "embaúbas" (Cecropia latiloba), cujos troncos de casca branca suavemente curvados estendem, em grande altura acima dos arbustos das margens, as suas folhas lobadas e enormes.
Duas outras espécies que sempre encontramos nessas ilhas são a "oeirana" (Alchornea castaneifolia) e o "salgueiro-do-rio" (Salix humboldtiana). Esses arbustos ou árvores de folhas estreitas estão bem adaptados às cheias, podendo ficar inteiramente submersos durante parte do ano.
Ao longo das margens, também vemos muitas espécies de capins, dentre as quais destacam-se as "canaranas" (e.g., Echinochloa polystachya, Louisiella elephantipes), o "capim-d'água" (Paspalum repens), e o "capim-colonião" (Megathyrsus maximus).
Onde a terra é um pouco mais elevada e reforçada pelo acumulo de argila e matéria orgânica, surgem as espécies que formam as matas de igapó. Uma dessas espécies é a "munguba" (Pachira aquatica), que apresenta folhas digitadas e pode chegar aos 18 metros de altura.
Também é notável a "caneleira-do-mato" ou "louro-bravo" (Nectandra canescens), retratada aqui ao lado de uma "munguba" gigante, no canto esquerdo da gravura.
Mas talvez a espécie mais distinta dessas paisagens seja o "açaí" (Euterpe oleracea), com seus caules delgados exibindo uma coroa de folhas pinadas no topo. Trata-se de uma palmeira esbelta e elegante, cuja silhueta pode ser facilmente reconhecida de longe.
Outro aspecto que devemos destacar sobre a vegetação dessas ilhas é a grande quantidade de trepadeiras, com destaque para a "andiroba-de-rama" (Fevillea cordifolia), o "maracujá" (Passiflora sp.), as "bignoniáceas" (e.g., Bignonia aequinoctialis), e muitas outras.
Os rios são reflexos ecológicos das terras que drenam e, na história recente, das atividades das populações humanas que vivem ao longo de suas margens. O futuro das florestas inundáveis depende de encontrarmos maneiras de conciliar o desenvolvimento com a conservação.
Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Esta história baseia-se no texto explicativo que acompanha a litografia n. 11 da Flora Brasiliensis (Martius 1906: 39-42).
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br