Mangaba, do cerrado à restinga

Hancornia speciosa Gomes (Apocynaceae)

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Hancornia speciosa (mangaba), hábito (2016), de Mauricio MercadanteFonte original: flickr

A Mangaba ou Mangabeira é uma pequena árvore latescente, com folhas as vezes avermelhadas, nervuras bem-marcadas, lindas flores brancas, e frutos doces. Ocorre no Peru, Bolívia, Paraguai e Brasil, onde é abundante em áreas de restinga e cerrado.

Vol. VI, Part I, Fasc. 26 Plate 8 (1860-07-30)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Há registros muito antigos do consumo da Mangaba por indígenas, como os de Soares de Souza (1587): "Na vizinhança do mar da Bahia se dão umas árvores nas campinas e terras fracas, que se chamam mangabeiras... Esta fruta se come toda, sem deixar nada fora."

Vrijburgh, O Palácio de Friburgo ou Palácio das Torres, de Lauro VillaresFonte original: Velhos Hábitos, Word Press

A mangaba no Brasil holandês

"Não existiu nada comparável ao plantio das mangabeiras nos jardins do Palácio de Vrijburg, no Recife, realizado pelo Conde de Nassau, no século XVII ― talvez o cultivo mais antigo dessa fruteira de que se tem notícia." (Mota et al. 2011).

Historia Naturalis Brasiliae, Guilherme Piso e Georg Marggraf, 1648, Fonte original: Wikimedia commons
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Mangaiba, Historia naturalis Brasiliae, Guilherme Piso e Georg Marggraf, 1648, Fonte original: Biodiversity Heritage Library
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"O excelente fruto desta árvore, a que chamam Mangaiba, penso não deve ser ignorado nem omitido..... Pois lisonjeia tão deliciosamente a gula e tem sabor tão agradável, que não sei se a América produz alguma fruta mais bela e gostosa." (Marggraf & Piso, 1648).

Mangaba, aquarela (2010), de Eron TeixeiraFonte original: Blogspot

Um poema antigo

“Além das fruitas, que esta terra cria,
também não faltam outras na Bahia;
a mangava mimosa
salpicada de tintas por fermosa,
tem o cheiro famoso,
como se fora almíscar oloroso; (continua...)”

(Manuel Botelho de Oliveira — “À Ilha de Maré”, de 1705)

Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 3 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Viagem pelo Brasil

"A mangabeira ... aparece aqui em diante, cada vez em maior número, nas regiões quentes e secas do sertão, e é cultivada, não raro, como nas províncias da Bahia, Pernambuco e Ceará, junto com a goiabeira e o ananás." (Spix & Martius, 1828).

Hancornia speciosa (mangaba), látexFonte original: Plants of the World Online, Kew

Viagem pelo Brasil

"Contém suco leitoso, pegadiço, rico de resina, que, endurecida, talvez pudesse ser utilizada como a goma-elástica comum. Com os frutos, costuma a gente do lugar preparar um refresco agradável e nutritivo, que, entretanto, tomado em demasia, daria colorido à pele e à esclerótica."

Hancornia speciosa (mangaba), folhas (25 de outubro, 2020), de Igor OliveiraFonte original: iNaturalist

Viagem pelo Brasil

"Os sertanejos baianos entre os seus remédios possuem... mangabeira-brava..., da chapada quente do interior da Bahia, contra constipação dos órgãos abdominais, especialmente do fígado, contra icterícia e doenças crônicas da pele."

Hancornia speciosa (mangaba), frutos (12 de janeiro, 2008), de Artur CorumbaFonte original: flickr

Tesouro da culinária moderna

Em tempos mais recentes, os frutos são usados para o consumo ao natural ou para a obtenção de polpa para sucos e sorvetes. São também preparados como geleia, doces, bolos, biscoitos e licores.

Mulheres catadoras de mangabaFonte original: Governo de Sergipe

Muito mais do que um fruto

A casca, o látex, as folhas e as raízes de Mangaba são usadas como medicinais e a madeira pode ser usada como lenha. A produção é principalmente agroextrativista e geralmente a colheita é feita por mulheres. Os estados de Sergipe, Minas Gerais e Bahia são os maiores produtores.

Mangabeira, de ViniSouza128CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

As populações naturais de Mangaba estão atualmente em declínio em todos os estados do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste devido à substituição dos remanescentes de cerrado e tabuleiros costeiros pelas monoculturas de grãos, cana-de-açúcar e eucalipto, e à expansão urbana.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Ingrid Koch (UNICAMP) & Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991); Marggraf & Piso (1648). Historia Naturalis Brasiliae (https://www.biodiversitylibrary.org/page/289039); Mota et al. (2011). A mangabeira, as catadoras, o extrativismo. Belém: Embrapa Amazônia Oriental; Aracajú: Embrapa Tabuleiros Costeiros.
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das imagens e personagens da história.

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

Créditos: todas as mídias
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