CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
João Renato Stehmann & Luiza F. A. de Paula
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 3 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
O Cerrado na Flora Brasiliensis
O Cerrado é uma savana neotropical e cobre 25% do território brasileiro. É um dos hotspots de biodiversidade global, com alta riqueza, endemismos e ameaças. A imagem ilustra o Cerrado na Flora Brasiliensis, obra resultante da viagem de Spix e Martius pelo Brasil (1817-1820).
Descrição da lobeira
Ele coletou amostras da planta e a batizou anos mais tarde como Solanum lycocarpum, que em latim significa "fruta-de-lobo" (lyco=lobo; carpum=fruto).
Fruta-de-lobo
A fruta-de-lobo, ou lobeira, como também é conhecida popularmente, é uma árvore com ampla distribuição no Cerrado brasileiro.
A lobeira possui flores roxas e frutos carnosos que podem ter mais de 10cm de diâmetro.
Little Red Riding Hood wall-hanging (1945-1946), de Olga BasylevichNational Museum of Australia
O lobo
O lobo que come a fruta-de-lobo não é o temido lobo das histórias de chapeuzinho-vermelho (Canis lupus) e que da sua domesticação descendem os cães domésticos.
Lobo-guará
Trata-se de um outro canídeo, o lobo-guará (Chrysoscyon brachyurus), um animal esbelto, com pernas finas e longas e pelagem amarelo-avermelhada.
Habitat
Diferentemente do lobo que habita regiões frias do hemisfério norte, o lobo-guará é uma espécies típica de regiões quentes. É encontrado no Cerrado, bem como nos biomas limítrofes, como o Pantanal, a Caatinga e a Mata Atlântica.
Chrysocyon brachyurus (2004), de AguaráFonte original: Wikimedia Commons
Hábitos
As duas espécies são muito distintas nos seus hábitos sociais e alimentares, enquanto o lobo vive geralmente em matilhas e é carnívoro; o lobo-guará é solitário e possui uma alimentação variada, de pequenos animais e frutos.
Dieta do lobo
Estudos que analisaram as fezes do lobo-guará encontraram sementes da lobeira, o que comprova estar esse fruto na sua dieta alimentar.
Fragmentação do cerrado, de Rui RezendeFonte original: https://www.decorarcomfoto.com.br/
Cerrado ameaçado
O Cerrado é hoje uma das formações vegetais mais ameaçadas do planeta, especialmente pelo avanço da agricultura extensiva de “commodities”, como a soja e o milho. Hoje restam menos de 50% de sua área original, da qual apenas 8% estão em Unidades de Conservação.
Lobo ameaçado
Isso tem levado à diminuição das populações do lobo-guará em diversas regiões, que é considerado um animal que vive em situação vulnerável para extinção, conforme a legislação brasileira.
Árvore de Solanum lycocarpum (Solanaceae) no Cerrado (2020-12-12), de Gabriel MagalhãesFonte original: iNaturalist
A lobeira sem o lobo
Já a lobeira convive dia após dia com menos lobos-guarás, que são caçados ou atropelados nas estradas do interior do Brasil. Sem eles, a lobeira perde um importante agente de dispersão de suas sementes.
Cerrado brasileiro (2015), de Michael RothmanFonte original: New York Botanical Garden
Conservação
A proteção de áreas de Cerrado, e o estabelecimento de conexões entre elas, é fundamental para manter a integridade de sua biodiversidade e das relações como a da fruta-de-lobo e o lobo-guará, forjadas há milhares de anos antes da existência do homem na natureza.
Pesquisa e redação: João Renato Stehmann (UFMG) & Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA)
Montagem: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA), Fernando B. Matos (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e ilustrações desta história. Um agradecimento especial a Michael Rothman por sua deslumbrante pintura do Cerrado, que embeleza nosso primeiro e último slide. Para saber mais sobre suas obras, visite seu site em www.rothmanillustration.us.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br