CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Edgar E. L. Afonso & Pedro L. Viana
Brotos de Phyllostachys edulis (Carrière) J. Houz. (2023), de EcoBambuFonte original: EcoBambu
Gramíneas gigantes
Você sabia que os bambus são gramíneas gigantes? Assim como o arroz, o trigo e o milho, eles pertencem à fascinante família botânica Poaceae, que reúne algumas das plantas mais importantes do planeta.
Distribuição de bambus no planeta (2006), de L. G. ClarkFonte original: Scot A. Kelchner & Bamboo Phylogeny Group 2013
Distribuição geográfica
Os bambus ocorrem naturalmente entre as latitudes 46° N e 47° S, do nível do mar a mais de 4000 m de altitude. Crescem principalmente em florestas e campos elevados ao redor do mundo, exceto na Europa e Antártica.
Guadua macrospiculata Londoño (2020), de Edgar. A. L. AfonsoFonte original: Edgar A. L. Afonso
Diversidade
Existem mais de 1700 espécies de bambus, em cerca de 140 gêneros. Isso representa aproximadamente 14% da diversidade global de gramíneas.
Raddiella minima Judz. & Zuloaga (2007), de Pedro L. VianaFonte original: Pedro L. Viana
Nem sempre gigantes
O menor bambu conhecido, Raddiella minima, mede de 1 a 6 cm de altura e tem folhas de apenas 2-6 mm. Forma pequenas touceiras sob a vegetação graminosa das campinaranas amazônicas. Já outros bambus atingem dezenas de metros e podem formar vastas florestas monoespecíficas.
Guadua angustifolia Kunth (2014), de QuimbayaFonte original: Quimbaya
Florestas de bambu
A maior parte das florestas de bambu está na Ásia (62%), seguida pelas Américas (34%) e, em menor proporção, pela África e Oceania (4%).
A floresta de bambu de Moganshan, China (2019), de Travel&FoodFonte original: Travel&Food
Os Bambus asiáticos
A China é o maior produtor mundial de bambus, com mais de 150 milhões de toneladas por ano e 6,4 milhões de hectares cobertos por essas plantas.
Bambu nas Quatro Estações, de Tosa MitsunobuFonte original: Tosa Mitsunobu
Bambus na cultura chinesa
Os bambus estão profundamente enraizados na cultura e na história chinesa. Cultivados há mais de 5.000 anos, seus brotos são apreciados na culinária e seus colmos usados em utensílios, construção, artesanato e paisagismo.
Construção com colmos de Guadua angustifolia (2022), de Edgar A. L. AfonsoFonte original: Edgar A. L. Afonso
Guadua angustifolia
Na Colômbia, os bambus também são amplamente utilizados na construção civil, no artesanato e em diversas outras aplicações. Entre as espécie nativas, destaca-se a Guadua angustifolia: resistente e flexível, de manejo fácil e crescimento rápido.
Guadua sp. clump (2022), de Edgar A. L. AfonsoFonte original: Edgar A. L. Afonso
Tabocas da Amazônia
Na Amazônia, estima-se a ocorrência de 60 a 70 espécies de bambus, lenhosos e herbáceos. Entre os lenhosos, destaca-se o gênero Guadua, cujas espécies são conhecidas regionalmente como “tabocas”.
Florestas de bambu no sudoeste da Amazônia (em branco) (2005), de F. BianchiniFonte original: F. Bianchini
O maior bambuzal do mundo
No sudoeste da Amazônia encontra-se a maior floresta natural de bambus do mundo. Ela se estende principalmente pelo estado do Acre até a Bolívia e Peru, cobrindo cerca de 180 mil km².
Guadua sp. formando tabocal (2021), de F. LimaFonte original: F. Lima
Essa espetacular formação florestal é representada principalmente por espécies de Guadua. Somente no Acre, estima-se que existam 4,5 milhões de hectares de florestas de bambu.
Guadua weberbaueri Pilg. (2021), de Edgar A. L. AfonsoFonte original: Edgar A. L. Afonso
Guadua weberbaueri
Ocorre na Amazônia Ocidental, especialmente no Acre, formando grandes populações. Floresce a cada 28 ou 30 anos e produz grande quantidade de frutos carnosos (raros em Poaceae), os quais são consumidos por muitos animais que auxiliam na dispersão das sementes.
Guadua superba Huber (2021), de Edgar A. L. AfonsoFonte original: Edgar A. L. Afonso
Guadua superba
Por mais de 120 anos, esse nome foi usado para a “taboca gigante do Acre”. Hoje se sabe que Guadua superba é outra espécie, com até 18 m de altura. A verdadeira “taboca gigante”, com mais de 30 m, ainda aguarda um nome científico oficial.
Guadua macrostachya Rupr. (2019), de Edgar A. L. AfonsoFonte original: Edgar A. L. Afonso
Guadua macrostachya
Forma extensas populações no litoral norte da Amazônia, no Pará e Amapá. Pouco estudada e usada, tem potencial para muitas aplicações e é importante para o equilíbrio dos manguezais onde ocorre com frequência.
Manejo de Guadua sp. no estado do Acre (2018), de Elias MirandaFonte original: Elias Miranda
Potencial das tabocas Amazônicas
As tabocas amazônicas têm grande potencial socioeconômico e ecológico, mas ainda são pouco estudadas e aproveitadas no Brasil, especialmente no Acre, que concentra as maiores áreas de florestas dessas plantas notáveis.
Pesquisa e redação: Edgar A. L. Afonso (ITV) & Pedro L. Viana (INMA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA)
Referências: Filgueiras & Viana (2017) Bambus brasileiros: morfologia, taxonomia, distribuição e conservação. In: Drumond & Wiedman (eds.) Bambus no Brasil: da biologia à tecnologia. Rio de Janeiro: ICH, 10–27; Clark et al. (2007) Phylogenetic relationships among the one-flowered, determinate genera of Bambuseae (Poaceae: Bambusoideae). Aliso 23: 315–332; Judziewicz et al. (1999). American bamboos. Washington. Smithsonian Institution. 392p.; Londoño (1998). A decade of observations of a Guadua angustifolia plantation in Colombia. The Journal of the American Bamboo Society 12: 37–45.
Agradecimentos: Aos amigos e colaboradores Marcos Silveira (Universidade Federal do Acre), Lynn G. Clark (Iowa State University) e Ximena Londoño (Sociedad Colombiana del Bambú)