CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Luiza F. A. de Paula
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 4 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Canelas-de-ema
Típicas do bioma Cerrado, as canelas-de-ema tem várias espécies genericamente conhecidas por este nome, todas pertencentes à família Velloziaceae.
Canelas-de-ema no Cerrado
Nesta litografia da Flora Brasiliensis, retratando uma paisagem do Cerrado, é possível observar um grupo de siriemas (aves da família Cariamidae) passando por entre várias canelas-de-ema.
Aspectos morfológicos
Na Flora Brasiliensis, foram apresentadas pranchas esquemáticas de várias espécies de canelas-de-ema, contendo detalhes morfológicos de flores e frutos, além de ilustrações com aspecto geral das espécies.
Por que nome de animal em planta?
As canelas-de-ema possuem caules, que na verdade são as bases das folhas, que lembram as patas da ave de seu nome...
...mesmo a sua folhagem, em tufos, guarda uma semelhança com as emas.
Distribuição da família Velloziaceae (2024), de Luiza de PaulaCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Canelas-de-ema pelo mundo
A família Velloziaceae tem cerca de 250 espécies distribuídas na região tropical. É possível encontrá-las na América do Sul, África (incluindo Madagascar) e uma espécie na China.
Canelas-de-ema no Brasil
O Brasil é um centro de diversidade da família Velloziaceae, em que ocorrem dois grupos principais: Barbacenia (barbacenia) e Vellozia (vellósia).
A cor das flores das canelas-de-ema pode variar entre violeta, branco, amarelo, rosa e vermelho. Nas imagens, vellósia está apresentada com flor branca e barbacenia com flor vermelha.
Campo de Vellozia albiflora, de Pedro VianaCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Jardins naturais
Na época de floração, é comum encontrar campos dominados por canelas-de-ema, formando verdadeiros jardins naturais. Isso ocorre especialmente nos campos rupestres, ecossistemas encontrados sobre topos de serras e chapadas, que abarcam diversas espécies exclusivas.
Potencial paisagístico
Os belos jardins de canelas-de-ema não passariam despercebidos pelo famoso paisagista Roberto BURLE MARX (1909-1994).
Selo comemorativo
Ele foi um grande admirador dessas plantas e recebeu até mesmo uma homenagem com uma espécie em seu nome: Vellozia burle-marxii, representada na imagem do selo comemorativo ao paisagista.
Vellozia plicata (2016-09-25), de Luiza de PaulaCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Adaptações para sobrevivência
Essas plantas também crescem em solos rasos de montanhas de pedra, e possuem várias adaptações fisiológicas, morfológicas e ecológicas para aguentar calor intenso, alta luminosidade e escassez de água.
Uma estratégia comum das canelas-de-ema é a tolerância à dessecação. Durante a estação seca, algumas espécies entram em um estado desidratado, como se estivessem mortas. Suas folhas tornam-se enegrecidas e enroladas, chegando a perder mais de 90% de água. Após as chuvas, elas se reidratam, ficando verdes novamente, sem qualquer prejuízo estrutural ou fisiológico. Por essa característica única são chamadas pelos botânicos de ‘plantas de ressurreição’.
Vellozia plicata queimada em campo (2015), de Luiza de PaulaCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Adaptação ao fogo
As canelas-de-ema também possuem adaptação ao fogo. As bases das suas folhas armazenam uma resina altamente inflamável. Quando ocorrem queimadas - eventos frequentes em locais que crescem, como o Cerrado - o fogo passa rapidamente pela planta, o que permite que ela sobreviva.
Algumas espécies têm até mesmo sua floração estimulada pelo fogo, o que torna essa relação bem interessante. Nem sempre o fogo é o vilão. Contudo, por seu alto poder de combustão, as canelas-de-ema são utilizadas para acender fogões a lenha. O maior problema é que muitas espécies estão ameaçadas de extinção, mas seguem sendo vendidas em mercados locais.
Vellozia gigantea, de Gustavo ShimizuCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Plantas gigantes e anciãs
Outro fato curioso é que as canelas-de-ema podem ficar gigantes e atingir idades muito avançadas. Vellozia gigantea, que ocorre nos campos rupestres no sudeste do Brasil, possui indivíduos que alcançam 6 m de altura e idades estimadas de mais de 500 anos.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 52 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Onde estão as canelas-de-ema?
Agora que conhece bem as canelas-de-ema, saberia apontá-las nessa belíssima prancha da Flora Brasiliensis?
Pesquisa e redação: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA)
Montagem: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA)
Revisão: João Renato Stehmann (UFMG), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e personagens da história
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br