CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Karen Macknow Lisboa
Fragatas Austria e Augusta partindo de Trieste para o Brasil, 1817 (1817), de Giovanni PessiFonte original: The World of Habsburgs
Vista da Fonte da Carioca (Mosteiro de Santo Antônio e Capela dos Terceiros) (1817), de Thomas EnderFonte original: Wikimedia Commons
Após uma estadia de quase seis meses no Rio de Janeiro – período dedicado à preparação da expedição e adaptação ao clima –, a dupla partiu no final de 1817, acompanhada pelo pintor Thomas Ender, rumo a São Paulo.
Spix Reiseatlas original 44, de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons
Enquanto Ender teve que voltar ao Rio de Janeiro por razões de saúde, Spix e Martius seguiram para Minas Gerais. De lá, atravessaram o sertão da Bahia, Pernambuco, Piauí e Maranhão, percorrendo regiões ainda bem desconhecidas à ciência europeia.
Spix Reiseatlas original 61, de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons
Em 1819, chegaram debilitados a São Luís do Maranhão. Após se recuperarem, navegaram para Belém e embarcaram em uma longa expedição pela bacia do rio Amazonas. De volta a Belém, partiram para a Europa, chegando a Munique em dezembro de 1820.
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 18 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Na ausência de boas estradas e mapas, os exploradores dependiam do apoio de guias locais, arrieiros com tropas de muares para o transporte pessoal e das bagagens, ou bons pilotos e remadores ao viajar pelos rios.
Die Österreichischen Kamer Herm auf der Reise nach St. Paul (1817), de Thomas Ender (1793-1875)Fonte original: Spix Museum
Spix e Martius descrevem o seu cotidiano: "Durante a marcha, tínhamos ensejo de observar a zona em que viajávamos, e tudo que existia perto da estrada, em matéria de minerais, plantas, animais, etc."
“Depois de acampada a tropa, passávamos o resto do dia em incursões pelas vizinhanças para o mesmo fim, as horas do crepusculo e da noitinha eram empregadas em tomar apontamentos nos nossos diários, no preparo, seca e empacotamento das nossas coleções.”
Ambos estão de volta a Munique em dezembro de 1820, quando se inicia a última etapa da missão: a avaliação e análise da viagem, desde os aspectos cotidianos até às atividades científicas e os objetos coletados para a confecção de livros, mapas, ilustrações, coleções, etc.
Porto dos Miranhas (1820), de Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868)Fonte original: Wikimedia Commons
Para tanto, fizeram uso de suas anotações em campo, diários, esboços, desenhos, coleções, cartas e relatórios enviados ao Rei da Baviera bem como das lembranças que traziam. E consultaram especialistas e estudos sobre a natureza e história do Brasil.
Um dos primeiros grandes resultados escritos a quatro mãos foi o relato de viagem. O primeiro volume da Reise in Brasilien veio a lume em novembro de 1823.
Atlas da viagem pelo Brasil de Spix e Martius, tabula I (1823), de Hermann Anton Stilke e Josef PäringerFonte original: Wikimedia Commons
O segundo volume sai em 1828, com participação parcial de Spix. Ele faleceu seis anos depois do retorno, de forma que seu trabalho não foi finalizado. Em 1831, é publicado o terceiro e último volume da Reise, acompanhado de um Atlas com ilustrações, mapas e um compêndio musical.
Já Martius viveu por mais de quatro décadas, dedicando-se incessantemente aos temas brasileiros. Do relato de viagem aos estudos da flora, passando pela etnografia e chegando a fazer incursões pela historiografia e literatura ficcional.
Pesquisa e redação: Karen Macknow Lisboa (Universidade de São Paulo)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos curadores que forneceram imagens para esta história.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br