Castanha-do-Brasil: a rainha soberana da Amazônia

Saiba mais sobre uma das maiores árvores da Amazônia, também conhecida como castanha-do-acre, castanha-da-amazônia, ou castanha-do-pará.

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Nozes mistas (13 de maio, 2013), de Hedi AghlaraFonte original: Wikimedia Commons

Castanha-do-Brasil

A "castanha-do-brasil" é conhecida pela maioria das pessoas como a maior noz em uma mistura de nozes. No entanto, a maioria das pessoas não sabe que ela vem de uma árvore amazônica com o mesmo nome ou que ela é realmente uma semente, não uma noz.

Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland na selva Amazônica (1856), de Eduard EnderFonte original: Wikimedia Commons

Os naturalistas Humboldt & Bonpland

Muito antes de ser registrada pela ciência europeia, a castanheira já era conhecida e usada pelos povos indígenas da Amazônia. Em 1808, foi descrita como Bertholletia excelsa por Humboldt e Bonpland, com base em exemplares que coletaram às margens do rio Orinoco.

Castanheira-do-brasil próximo ao Rio Negro, de Carol Ann GracieFonte original: The Lecythidaceae Pages

Uma grande árvore

Trata-se de uma das maiores árvores da Amazônia, chegando a medir entre 30 e 50 m de altura. Embora tenha sido descoberta na Venezuela, a espécie ficou mundialmente conhecida como “castanha-do-brasil”, pois o Brasil sempre foi um dos principais exportadores de suas sementes.

Map of Brazil nut groves in the Amazon basin (17 de outubro, 2019), de National GeographicFonte original: National Geographic

Distribuição da castanheira

Além do Brasil e Venezuela, a castanheira também ocorre nas regiões amazônicas da Colômbia, Guiana, Peru e Bolívia. Pequenas plantações foram estabelecidas na Malásia e Gana, e a espécie pode ser encontrada em vários jardins botânicos do mundo (e.g., Havaí, Florida e Taiwan).

Spix Reiseatlas original 75 (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Representações artísticas

No terceiro volume do livro Viagem pelo Brasil (1831), o botânico von Martius apresentou uma das primeiras representações artísticas da espécie. A árvore do centro é um indivíduo adulto de Bertholletia excelsa, com frutos, cipós e muitas epífitas.

Vol. XIV, Part I, Fasc. 18:2 Plate 60, 1858-02-01, Da coleção de: CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
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Inflorescência da castanheira-do-Brasil, Scott Alan Mori, Fonte original: The Lecythidaceae Pages
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Suas flores são grandes, robustas e carnosas. A parte masculina tem uma estrutura não encontrada em nenhuma outra família de plantas. Os estames férteis ficam dispostos em um anel em torno do ovário, e este anel expande-se para um dos lados formando um “capuz”.

Flores de castanheira-do-Brasil, de Scott Alan MoriFonte original: The Lecythidaceae Pages

O capuz protetor

No ápice desse “capuz” estão numerosos apêndices amarelos e produtores de néctar. O ápice do “capuz” pressiona a entrada do ovário e as seis pétalas da flor formam um “copo” sobreposto que bloqueia a entrada da flor para todos os insetos, exceto os seus polinizadores.

Polinização da castanheira-do-Brasil, de Andrew J. HendersonFonte original: The Lecythidaceae Pages

Polinização: a força das abelhas

A flor da castanheira só pode ser polinizada por abelhas suficientemente fortes para levantar o “capuz” da flor, e que tenham uma língua comprida o bastante para passar pela complexa espiral da flor. Ao buscarem mais néctar, as abelhas levam o pólen de uma árvore para outra.

Vol. XIV, Part I, Fasc. 18:2 Plate 61 (1858-02-01)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Os frutos da castanheira

Os frutos são redondos e lenhosos, do tamanho de uma bola de canhão. Quando maduros, caem no chão com 10 a 25 sementes comestíveis presas no seu interior.

Dispersão de sementes da castanha-do-Brasil, de Michael RothmanFonte original: The Lecythidaceae Pages

A vez dos roedores

As paredes do fruto são roídas por cutias (roedores do tamanho de um gato) e esquilos, que comem algumas sementes e armazenam outras para consumo futuro. Algumas das sementes armazenadas são esquecidas e acabam germinando para formar a próxima geração de árvores.

Ólho de castanha-do-brasil (07 de abril, 2011), de P. S. SenaFonte original: Wikimedia Commons

As valiosas sementes

As sementes também são muito apreciadas pelos humanos. São consumidas in natura, torradas, ou na forma de farinhas, doces, e sorvetes. Além disso, o óleo extraído das sementes apresenta grande valor alimentício e medicinal. Também é muito usado para a confecção de cosméticos.

Mulher carregando saco de castanha (2019), de Cleber Oliveira de AraújoMemorial dos Povos Indígenas

Uso sustentável

A castanha é o principal produto não madeireiro da Amazônia. As exportações entre janeiro e julho de 2021 renderam U$21 milhões para o Brasil. Sua colheita é feita de forma altamente sustentável, mostrando que é possível o homem viver bem e ganhar dinheiro sem derrubar a floresta

Amazon Road (1971), de John DominisLIFE Photo Collection

Nem sempre sustentável

Alguns estudos, no entanto, tem demonstrado que a colheita contínua e descontrolada de castanhas por longos períodos pode resultar em castanhais sem árvores jovens; assim, não haverá substituição quando as árvores mais velhas morrerem.

Imagem aérea de uma floresta com castanheiras (09 de agosto, 2018), de Instituto Centro VidaFonte original: ONF Brasil

O homem e as florestas tropicais

Continuamos aprendendo que as florestas tropicais são tão complexas que toda vez que são exploradas pelo homem, impactos negativos são causados em sua biodiversidade. O comércio da castanha pode contribuir para a preservação da floresta, mas apenas se praticado conscientemente.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA); Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991); The Lecythidaceae pages (https://sweetgum.nybg.org/science/projects/lp/)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores das fotos, ao Instituto Centro Vida e ao Dr. Scott A. Mori (1941-2020), pesquisador do Jardim Botânico de Nova York, especialista na família Lecythidaceae e curador do website "The Lecythidaceae pages".

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

Créditos: todas as mídias
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