CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Luiza F. A. de Paula, Francesca Bornanelli & Lívia Echternacht
Vol. IV, Part II, Fasc. 108 Plate 41 (1890-09-01)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Flores em foco
Você já parou para contemplar uma bela flor? Talvez já tenha sido presenteado com uma. Todos nós sabemos o que são as flores, mas a maioria das pessoas não entende suas partes e a importância que elas têm tanto para as plantas quanto para nós.
Diferente das samambaias e dos pinheiros, as angiospermas possuem a estrutura chamada de flor. O nome angiosperma é derivado das palavras gregas "angeion", que significa urna/vaso, e "sperma", que significa semente, e nos traz pistas da principal característica deste grupo: as sementes em urnas, ou frutos. São mais de 325 mil espécies de angiospermas, com os mais variados formatos e tamanhos, que incluem árvores, ervas, arbustos, trepadeiras, plantas aquáticas e até parasitas de outras plantas.
Flores são folhas modificadas
As flores são formadas por quatro tipos de folhas modificadas: duas para proteção e atração (sépalas e pétalas) e duas para reprodução, a masculina (estames) e a feminina (carpelos). Porém, desta aparente simplicidade, estas estruturas podem variar enormemente em forma e função.
Que melhor forma para se entender a flor do que desenhando? A Flora Brasiliensis é a maior obra histórica de botânica do Brasil, abrangendo 22.767 espécies, e com milhares de ilustrações. Esses desenhos podem ser utilizados para entendermos a diversidade e variedade de formas das flores.
Flores coloridas da Flora Brasiliensis (2018), de Francesca Borsaneli & Livia EchternachtFonte original: Available for download at:
Organizando o mundo vegetal
A diversidade é tanta, em formatos, cores e texturas, que pode ser desafiador compreender as flores. A prancha apresentada foi composta por flores selecionadas da Flora Brasiliensis e coloridas digitalmente. As imagens correspondem a cada uma das principais estruturas florais.
As partes mais visíveis da flor são as sépalas e as pétalas, que protegem as folhas reprodutivas e atraem os polinizadores. Em uma flor típica, as sépalas são a parte mais externa e juntas compõem o cálice. Internamente às sépalas, encontram-se as pétalas, que juntas formam a corola. Quando sépalas e pétalas são iguais, a flor é chamada homoclamídea, se forem diferentes, heteroclamídea.
Uma característica importante e que varia muito nas flores é o grau de fusão de suas partes. Quando são fusionadas entre si, utilizamos os prefixos “gamo”, e quando são livres, dizemos “diali”. Por exemplo, as flores com sépalas unidas são chamadas de gamossépalas, como no Abutilon megapotamicum desta imagem. Comumente as sépalas são verdes, mas nesta planta, e em muitas outras, elas podem ser coloridas.
Quando as pétalas são fusionadas, a flor é chamada de gamopétala, se são livres, dialipétala.
Internamente às pétalas, estão as folhas férteis masculinas, chamadas de estames. Seu conjunto chama-se androceu. Os estames podem ser poucos ou numerosos, livres ou fusionados, de alturas diferentes (heterodínamo) ou semelhante (isodínamo). Na parte superior dos estames são produzidos os grãos-de-pólen, onde se formam os gametas masculinos. O pólen é transportado de uma flor para a outra através dos polinizadores, para chegar ao ovário.
Na região mais interna da flor estão os carpelos, as folhas férteis femininas. Na flor, esta folha se dobra para proteger os óvulos. Sua ponta se especializa para receber o pólen e se chama estigma; o estilete leva o pólen até o ovário, onde estão os óvulos com os gametas femininos. Após a fecundação, os óvulos tornam-se sementes e o ovário desenvolve-se em fruto. O número de carpelos e como eles fusionam-se são aspectos importantes para identificação das famílias, gêneros e espécies.
Polinização por beija-flor (2013), de Luísa AzevedoCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Polinização
A polinização é a transferência dos grãos de pólen, que se formam nas anteras (parte masculina), até o estigma (parte feminina) da mesma flor ou de outra flor da mesma espécie. A polinização pode ser feita por animais ou pelo vento.
Polinização por abelhas, de Cristiano MenezesCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
As flores e a reprodução
Para que haja a formação das sementes e frutos é necessário que os grãos de pólen fecundem os óvulos. As flores são, portanto, as estruturas responsáveis pela reprodução das angiospermas.
Uma sequência de imagens mostra o desenvolvimento do fruto conhecido como pepininho-silvestre (Melothria cucumis): 1) flor com óvulos fixados na parede do ovário (placentação conhecida como parietal); 2) corte longitudinal do ovário; 3) desenvolvimento do fruto; 4) Fruto desenvolvido.
Vol. III, Part V, Fasc. 123 Plate 51 (1898-06-01)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Estudo de Botânica
Apesar de tantos nomes difíceis, o estudo da Botânica é fascinante. A descrição científica da estrutura e função dos órgãos das plantas apenas nos ajuda a entender melhor a natureza. A Flora Brasiliensis nos oferece um rico material didático para representarmos essa diversidade.
Flores coloridas da Flora Brasiliensis (2018), de Francesca Borsaneli & Livia EchternachtCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Pranchas coloridas
As imagens originais da Flora Brasiliensis foram realizadas por meio da técnica da litografia e são em preto e branco. As ilustrações nesta história foram coloridas digitalmente, para representar as flores das espécies na natureza.
Integração de ferramentas históricas e modernas
Uniu-se um patrimônio histórico com as ferramentas modernas, com o intuito didático e ornamental. Você gostaria de levar essas ilustrações coloridas para sua casa, escola ou universidade? Segue o link nos créditos logo abaixo.
Pesquisa e redação: Luiza F. A. de Paula (Universidade Federal de Minas Gerais / CRIA), Francesca Bornanelli (Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP) & Lívia Echternacht (UFOP)
Montagem: Luiza F. A. de Paula
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: Link para download das pranchas de flores coloridas da Flora Brasiliensis: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: O trabalho gráfico de confecção das pranchas coloridas foi realizado por Francesca Borsanelli sob orientação da Profa. Livia Echternacht, no Laboratório de Estudos da Flora/UFOP.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br