CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Fernando B. Matos
Charles Darwin (1840), de George RichmondFonte original: From Origins, Richard Leakey and Roger Lewin
Charles Darwin no Brasil
Durante sua breve passagem pelo Rio de Janeiro, em 1832, o então jovem Charles Darwin admirou-se com os xaxins. Em seu diário de viagem, ele escreveu: “Os cursos d’água eram ornamentados pela mais elegante de todas as formas vegetais, a samambaia arbórea."
Martius e os xaxins
Não muito antes disso, em sua épica viagem pelo Brasil (1817-1820), o grande botânico Carl Friedrich Philipp von Martius também se encantou com essas plantas.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 14 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
“Nem sei qual espécie me surpreendeu mais quando vi pela primeira vez: a palmeira [...] ou a samambaia”, disse ele em uma de suas obras dedicadas às samambaias do Brasil (Martius, 1834, p. 79).
Caules de Cyathea (Tab.I) (1822)Fonte original: von Martius, C.F.P.: De plantis nonnullis antediluvianis ope specierum inter tropicos viventium illustrandis. Denkschr. Königl.-Baier. Bot. Ges. Regensburg 2: 121-147. 1822.
Espécies novas para a ciência
As primeiras espécies novas de Cyatheaceae (família dos xaxins) descritas por Martius foram publicadas em 1822, logo após o seu retorno para Munique.
Icones Plantarum Cryptogamicarum (1828-1834)
Outras espécies foram descritas e ilustradas posteriormente, em uma obra inteiramente dedicada às "plantas" sem sementes (algas, liquens, musgos e samambaias) coletadas pelo próprio Martius no Brasil.
Tab.XXXII, de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: von Martius, C.F.P.: Icones plantarum cryptogamicarum, Impensis auctoris, Monachii, 1828-1834.
Uma parceria científica notável
Neste estudo detalhado, Martius contou com o conhecimento especializado do botânico alemão Hugo von Mohl (1805-1872), um dos pioneiros na anatomia vegetal.
Descrições detalhadas e ecologia dos xaxins
A parte de Martius incluiu descrições para quase 20 espécies de xaxim, além de comentários taxonômicos e observações sobre a distribuição geográfica e ecologia dessas espécies.
Ilustrações
Mas o que mais impressiona são as belíssimas gravuras coloridas e detalhadas que acompanham as descrições, revelando as características únicas de cada espécie com grande precisão científica e alta sensibilidade artística.
Tab.XXIX, de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Icones Plantarum Cryptogamicarum
Xaxins em detalhes
Além de mostrar os xaxins em seus habitats naturais, a obra ainda contém pranchas com detalhes dos caules, folhas e soros.
John Gilbert Baker (circa 1900), de Joseph Wilson ForsterFonte original: Collection of the Herbarium, Library, Art & Archives, Royal Botanic Gardens, Kew
Flora Brasiliensis
Infelizmente, Martius não teve tempo de produzir um tratamento taxonômico para os xaxins na Flora Brasiliensis. Esse trabalho ficou ao encargo do botânico britânico John Gilbert Baker (1834-1920) e foi publicado apenas em 1870, dois anos após o falecimento de Martius.
Dicksonia sellowiana, de Polypodiaceae e EudicksoniaCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Baker e as samambaias
Ao todo, Baker reconheceu 38 espécies de samambaias arbóreas para o Brasil.
Alsophila elegans, de Cyatheaceae e ChnoophoraCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Flora Brasiliensis
As ilustrações são todas em preto e branco e mostram características diagnósticas de algumas espécies.
Uma versão moderna para a Flora Brasiliensis
Mais recentemente, 979 pesquisadores de diversos países reuniram-se para produzir a "Flora do Brasil 2020". Neste trabalho, foram reconhecidas 60 espécies de xaxim para o país.
Essas 60 espécies podem ser divididas em 2 grupos: os xaxins-de-espinho (pertencentes à família Cyatheaceae) e o xaxim-bugio (Dicksonia sellowiana Hook., Dicksoniaceae). O termo samambaiuçu pode ser usado para ambos, pois significa “samambaia grande” em tupi-guarani.
Samambaiaçu: samambaias grandes
Algumas dessas espécies chegam a 20 m de altura, e para isso elas dispõe de duas estratégias: 1) seus caules são endurecidos internamente com um tecido chamado esclerênquima; 2) um espesso manto de raízes é formado ao redor dos caules, aumentando o diâmetro dos mesmos.
Vasos e esculturas de xaxim, de Robbin C. MoranCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Samambaias ameaçadas
Esses mantos já foram muito usados como substrato para o cultivo de orquídeas, bem como para a confecção artesanal de vasos e esculturas. Atualmente, a comercialização desses produtos é ilegal, pois todas as espécies de xaxim são protegidas por um acordo internacional (CITES).
Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Lana Sylvestre (UFRJ), Luiza F. A. de Paula (UFMG), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991); Icones Plantarum Cryptogamicarum (https://www.biodiversitylibrary.org/bibliography/16100)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores das imagens.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br