A planta amazônica com mil e uma utilidades!

Couma utilis (Mart.) Müll. Arg. - sorva, sorveira ou sorvinha.

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Couma utilis (= Collophora utilis) (14 de novembro, 2021), de Renato GoldenbergCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

A sorveira vem sendo utilizada por indígenas e comunidades interioranas e ribeirinhas da Amazônia há muito tempo. É uma árvore com lindas flores rosadas, frutos arredondados com polpa adocicada, e látex também adocicado, utilizado na alimentação e para finalidades diversas.

Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 1 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

É uma planta nativa da Amazônia central brasileira, da Colômbia, Guiana e Venezuela, em florestas de terra firme, campos ou campinas. É frequentemente cultivada em áreas urbanas e sítios nos arredores de Manaus. Também é chamada de sorva-pequena, sorvilha, cumã ou sorva da mata.

Tipo de Collophora utilis Mart.CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

O nome original da espécie, Collophora utilis Mart., e seu nome popular “sorveira”, são citados em três momentos na obra “Viagem pelo Brasil”, de Spix e Martius, por seus usos, como anti-helmíntico, na composição de massas para calafetagem de palafitas, e em tinturas.

Couma utilis, fruto e látexFonte original: Portal Amazônia

"Entre as plantas úteis que contêm látex,  menciono aqui a sucuúba. Internamente, serve este látex para a expulsão de vermes; externamente, aplica-se para a limpeza de úlceras malignas, impinges, e verrugas. Também o látex da sorveira, receita-se na mesma medida, contra vermes."

Couma utilis, aquarela (1785), de Joaquim José CodinaFonte original: Wikimedia Commons

O uso como anti-helmíntico é confirmado na obra “Plantas usadas pelos brasileiros e suas substâncias medicinais”. Lá Martius relata o consumo de 2 a 3 dracmas de látex e emulsão de sementes de rícino. Também relata o uso do látex como verniz em objetos domésticos por indígenas.

Goma de mascar Colgan's Taffy Tolu (1910), de Unknown authorFonte original: Wikimedia Commons

Relatos posteriores nos informam que o látex das sorvas (comercialmente conhecido como “pendare”) foi bastante explorado como matéria prima para a fabricação de goma-de-mascar, exportado em compactos blocos solidificados.

Couma utilis, ramos com frutos (23 de setembro, 2008), de André Olmos SimõesCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Seus frutos são bastante apreciados por habitantes da região amazônica, por serem doces e saborosos, além de bastante nutritivos, calóricos, e ricos em vitamina C. Há relatos de que a sorva é a fonte nutricional diária dos seringueiros, quando saem para trabalhar na floresta.

Couma utilis, árvore (23 de setembro, 2008), de André Olmos SimõesCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

No início do ano de 2022 foi noticiado que duas crianças, de 07 e 09 anos, ficaram perdidas por 27 dias na floresta, na região de Manicoré, estado do Amazonas, e sobreviveram graças ao consumo da sorva.

Porto dos Miranhas, Rio Japurá (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

"O chão é assoalhado; coberto de tijolo ou terra batida [...]. As paredes são caiadas de branco ou amarelo com tabatinga, tirada de enormes jazidas nos rios. Para melhor ligar esse material, amassa-se não somente com água, mas também com uma parte do leite viscoso da sorveira."

Spix Reiseatlas original 61, de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Cavalcante (1972) acrescenta que "o látex coagulado tem emprego no calafeto de embarcações, sendo também sorvido com café ou em forma de mingaus, de mistura com outros ingredientes."

Ferramentas indígenas (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

"A tarefa na qual os índios se revelam mais industriosos é a da pintura da louça. Uma tinta feita com oca ou tabatinga, finamente pulverizada, ou também com o carajuru vermelho, misturada com água, às vezes ligada com a resina leitosa da sorveira, forma o fundo."

Sobre ele são aplicados muitos padrões de figuras de linhas curvas e retas, entremeadas de flores e animais ou arabescos em variadas cores.” (Martius, Viagem pelo Brasil, v. III)

Fridericia chicaFonte original: Plants of the World Online, Kew

O nome “Tabatinga” refere-se à argila de coloração branca e o “carajuru” (ou chica, cipó-cruz, guajuru, guarajuru-piranga) refere-se à Fridericia chica (Bonpl.) L.G.Lohmann, uma planta da família dos ipês (Bignoniaceae) da qual se extrai uma tintura vermelha.

Banco Tukano feito de Sorva, de Federação das Organizações Indígenas do Rio NegroFonte original: FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro

A madeira da sorva é usada para construção e marcenaria, como, por exemplo, na confecção do banco Tukano (kumurõ), cuja produção vem sendo acompanhada de forma colaborativa para a elaboração de um plano de manejo dessa matéria-prima.

Vol. VI, Part I, Fasc. 26 Plate 5 (1860-07-30)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Na Flora Brasiliensis, a sorveira é tratada por Muller-Argovensis como Couma utilis (Mart.) Mull. Arg., seu nome válido até então.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Ingrid Koch (UNICAMP) & Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos, Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991); Cavalcante (1972). Frutas comestíveis da Amazônia. Pub. Avulsas Mus. Pa. Emilio Goeldi 17: 1-84. (https://repositorio.museu-goeldi.br/bitstream/mgoeldi/896/1/P%20Avul%20n17%201972%20CAVALCANTE.pdf)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das imagens e personagens da história

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

Créditos: todas as mídias
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