As Embaúbas de Manaus

Uma riqueza desconhecida no coração da Amazônia

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Cecropia distachyaFonte original: D. Aguiar, 2016

As árvores do gênero Cecropia (Urticaceae), conhecidas no Brasil como embaúbas, imbaúbas, ambaíbas e toréns, são elementos típicos das florestas neotropicais. Icônicas e chamativas, destacam-se pelos troncos ocos e acinzentados, folhas grandes e lobadas, e copas abertas.

Azteca alfari, Fonte original: D. Aguiar, 2021
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Triquílio de Cecropia membranacea, Fonte original: D. Aguiar, 2022
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Azteca ovaticeps, Fonte original: D. Aguiar, 2021
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As embaúbas são frequentemente lembradas por sua relação de mutualismo com formigas, especialmente do gênero Azteca. Em troca de abrigo no interior do caule e alimento (corpúsculos de Müller e corpúsculos-pérola), as formigas defendem a planta contra herbívoros e removem trepadeiras concorrentes.

Bradypus tridactylus, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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Iguana, Fonte original: D. Aguiar, 2016
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Coelomera cajennensis, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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Interações entre vespas, Fonte original: D. Aguiar, 2021
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Historis odius, Fonte original: D. Aguiar, 2016
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Ramphastos vitellinus, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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Mas não são apenas as formigas que se beneficiam das Cecropias. Muitos animais dependem dessas plantas, incorporando suas folhas, frutos, flores em suas dietas. Exemplos notáveis incluem preguiças, iguanas e tucanos. Além de serem um recurso vital para a fauna, as embaúbas são espécies pioneiras que desempenham um papel crucial na restauração dos ecossistemas.

Cecropia latilobaFonte original: D. Aguiar, 2017

Atualmente, cerca de 60 espécies de embaúba são reconhecidas, ocorrendo do sul do México ao norte da Argentina. A maior diversidade está nos Andes colombianos, mas a Amazônia Central, especialmente Manaus, concentra oito espécies, superando a diversidade da Mata Atlântica.

Cecropia concolor, hábito, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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folha, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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estípula terminal e espatas, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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inflorescências estaminadas e espatas, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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inflorescências pistiladas, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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Uma das embaúbas mais abundantes em Manaus é a Cecropia concolor, conhecida como embaúba-branca pela face inferior das folhas, estípulas e pecíolos esbranquiçados. Adaptada a habitats altamente degradados, ocorre desde bordas de florestas até os mais inóspitos ambientes urbanos. Presente em boa parte da Amazônia brasileira, além da Bolívia e sudeste do Peru.

Cecropia distachya, hábito, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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estípula. espatas e inflorescência estaminada, Fonte original: D. Aguiar, 2020
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folha, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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inflorescência pistilada, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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Cecropia distachya: Conhecida como embaúba-vermelha ou embaúba-da-mata. Ao contrário de Cecropia concolor, é uma espécie altamente associada a ambientes bem conservados, como interiores e bordas de florestas primárias na Amazônia. Pode ultrapassar 30 m de altura e se destaca pela beleza de suas nervuras avermelhadas e estípulas roxas.

Cecropia latiloba, Rio Solimões, Fonte original: D. Aguiar, 2022
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Cecropia latiloba, igarapé do São Raimundo, Fonte original: D. Aguiar, 2022
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ramos com inflorescências pistiladas, Fonte original: D. Aguiar, 2022
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folhas, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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inflorescências pistiladas e estaminada, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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Cecropia latiloba: Conhecida como embaúba-da-várzea, é abundante em depressões alagáveis (chavascais) e ilhas ao longo do Rio Solimões, podendo formar densos embaubais. Presente em todos os países amazônicos, ocorre em áreas sujeitas à inundação. Em Manaus, é vista principalmente nas margens de igarapés alterados, especialmente nas proximidades do Rio Negro, em trechos sob influência do pulso de inundação sazonal.

Cecropia membranacea, hábito, Fonte original: D. Aguiar, 2022
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estípula terminal e espatas, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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folhas, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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inflorescências pistiladas e estaminada, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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Cecropia membranacea: Também associada a áreas úmidas, mas menos adaptada a inundações prolongadas que Cecropia latiloba. Imponente e robusta, pode alcançar grande altura. Em Manaus, é abundante nas margens de igarapés, formando notáveis embaubais. É uma das espécies mais amplamente distribuídas na Amazônia e uma das poucas presentes a leste e oeste dos Andes.

Cecropia palmata, hábito, Fonte original: D. Aguiar, 2014
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folhas, Fonte original: D. Aguiar, 2020
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espata e inflorescência estaminada, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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estípula terminal, Fonte original: D. Aguiar, 2020
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inflorescências pistiladas, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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Cecropia palmata: Presente na Amazônia Central, Oriental e no Escudo Guianense, estende-se até a Zona da Mata Nordestina, alcançando a Bahia. Pode ocorrer com C. concolor em áreas antropizadas, mas é mais típica de fragmentos florestais e adjacências, sendo menos adaptada a áreas degradadas. Destaca-se por suas espigas estaminadas, entre as mais espessas do gênero.

Cecropia purpurascens, hábito, Fonte original: Layon Demarchi, 2023
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folhas, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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estípula terminal, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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inflorescência estaminada, Fonte original: D. Aguiar, 2022
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inflorescência pistilada, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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Cecropia purpurascens: Espécie restrita ao Centro de Endemismo Guiana, sendo encontrada apenas no nordeste do Amazonas, sudeste de Roraima e noroeste do Pará. Típica de Manaus, ocorre preferencialmente em florestas de terra firme bem conservadas. Destaca-se, mesmo a distância, por suas folhas pouco recortadas e arredondadas, diferenciando-se de outras embaúbas da mesma região.

Cecropia sciadophylla, hábito, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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detalhe mostrando a ausência de triquílios, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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inflorescência pistilada, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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folha, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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estípula terminal, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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inflorescências estaminadas, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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Cecropia sciadophylla: Espécie de ampla distribuição na Amazônia, restrita a florestas de terra firme bem conservadas, sendo abundante em clareiras e bordas. As árvores são robustas, podendo alcançar grande altura. É a única espécie amazônica não mirmecófita (sem mutualismo com formigas), razão pela qual não possui triquílio (tufo de pelos onde se formam os corpúsculos de Müller). Suas folhas são bastante distintas, com segmentos numerosos e estreitos, lembrando folhas compostas.

Cecropia ulei, hábito, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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estípula terminal, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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inflorescências estaminadas, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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folhas, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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inflorescências pistilada e estaminada, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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Cecropia ulei: Restrita à Amazônia Central, é registrada apenas no Amazonas e Pará, com provável ocorrência no sudeste de Roraima e norte de Rondônia. Comum em Manaus, é uma espécie ainda pouco conhecida, talvez por seu porte menor. Possui lobos estreitos e tricomas irritantes nos ramos, pecíolos e pedúnculos. É comum em florestas secundárias, mas ausente em áreas muito degradadas.

Cecropia ficifolia, hábito, Fonte original: D. Aguiar, 2024
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estípula terminal, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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folha, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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inflorescência estaminada, Fonte original: D. Aguiar, 2020
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inflorescência pistilada, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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Cecropia ficifolia: Embora não registrada em Manaus, ocorre em municípios vizinhos da região metropolitana. Não é comumente citada na Amazônia Central, mas é bem conhecida na Amazônia Ocidental, especialmente na Colômbia e no Peru. De porte pequeno a médio, é abundante em bordas de florestas de terra firme. Suas folhas podem ter formato distinto de espátula, com o ápice do lobo abruptamente alargado.

Cecropia sp. nov. 1, Fonte original: D. Aguiar, 2017
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Cecropia sp. nov. 2, Fonte original: D. Aguiar, 2018
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Cecropia sp. nov. 3, Fonte original: D. Aguiar, 2024
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Mas não para por aí! Manaus também abriga outras três espécies ainda desconhecidas pela ciência e que estão em fase de descrição. A riqueza de espécies dessa região é a maior já registrada fora da Cordilheira dos Andes. Essas espécies, bem como as demais abordadas aqui, serão ricamente detalhadas na obra “História Natural das Embaúbas e Guia de Identificação das Espécies de Manaus".

Créditos: história

Pesquisa e redação: Daniel Praia Portela de Aguiar
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Berg & Rosselli (2005). Cecropia in: Flora Neotropica (94) (https://www.jstor.org/stable/4393938); Gaglioti & Aguiar (2020). Cecropia in: Flora e Funga do Brasil (https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB15038).
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: O autor agradece a Layon Demarchi, pela permissão de uso de uma imagem, bem como pelo apoio nas coletas e triagem de material; a André Gaglioti, pela validação de informações e consultoria; e ao Projeto MAUA-INPA, pelo apoio material e logístico. 

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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