O ofício do naturalista: estudo da natureza

A viagem de Spix e Martius pelo Brasil (1817-1820) - parte 3

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Astrocanyum gynacanthum, Bactris pertinata, Bactris hinta (1830), de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

As regiões ricas em diversidade natural, tal como o Brasil, eram verdadeiros paraísos para os naturalistas, motivados a descobrir e coletar novas espécies com o objetivo de engrandecer os estudos que tratavam do mundo mineral, vegetal e animal.

Systema Naturae (1758), de Carl Linnaeus (1707–1778)Fonte original: Wikimedia Commons

Para estudar a natureza Spix e Martius se orientaram segundo o método sistematizador, proposto por Carl Lineu, que investigava os fenômenos da natureza por meio da descrição isolada de seus objetos, com o objetivo de classificá-los no sistema.

Formas Vegetais da América Tropical (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Com o apoio de ajudantes locais, que conheciam a natureza e o entorno, juntaram uma enorme coleção de objetos naturais. Foram 6.500 espécies vegetais, formando um herbário de 20.000 exemplares prensados, além de centenas de plantas vivas, que levaram à Europa.

Formas Animais da América Tropical (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Da fauna, 85 espécies de mamíferos, 350 de aves, 130 de anfíbios, 116 de peixes, 2.700 de insetos, 50 de aracnídeos e 50 de crustáceos. E peças mineralógicas e paleontológicas. Boa parte da coleção foi enviada sucessivamente em caixas para Munique, das quais nenhuma se perdeu.

Morenia poeppigiana Mart. (1837), de Eduard Friedrich PöppigFonte original: Wikimedia Commons

Formados também pelo ideário do romantismo, Spix e Martius acreditavam que a observação e a compreensão mais profunda da natureza dependiam não somente da descoberta de novas espécies e de classificar os objetos no sistema natural, mas também do sentimento do naturalista.

Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland no sopé do vulcão Chimborazo (1806), de Friedrich Georg WeitschFonte original: Wikimedia Commons

Sob influencia da filosofia da natureza e do poeta Goethe, procuraram unir ciência e poesia. Inspiraram-se no naturalista Alexander von Humboldt, que elegeu os trópicos americanos como lugar privilegiado para a “antiga comunhão da natureza com a vida espiritual do homem”.

Portrait of Alexander von Humboldt (1806), de Friedrich Georg WeitschAlte Nationalgalerie, Staatliche Museen zu Berlin

Para Humboldt, o “quadro da natureza”, ou seja, a sua descrição em palavras ou a sua representação em imagens pictóricas, deveria reproduzir no leitor “o prazer que a mente sensível sentia na contemplação do mundo natural” e, ao mesmo tempo, transmitir o conhecimento.

Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 24 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Além de ser objeto de estudo, estar na natureza dos trópicos causava prazer e encantamento. “Tudo age com magia toda especial na alma do homem sentimental renascido pelo espetáculo do delicioso país”, expressaram Spix e Martius já em suas primeiras caminhadas pela mata atlântica

Créditos: história

Pesquisa e redação: Karen Macknow Lisboa (Universidade de São Paulo)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos curadores que forneceram imagens para esta história.

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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