CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Karen Macknow Lisboa
Astrocanyum gynacanthum, Bactris pertinata, Bactris hinta (1830), de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons
As regiões ricas em diversidade natural, tal como o Brasil, eram verdadeiros paraísos para os naturalistas, motivados a descobrir e coletar novas espécies com o objetivo de engrandecer os estudos que tratavam do mundo mineral, vegetal e animal.
Formas Vegetais da América Tropical (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons
Com o apoio de ajudantes locais, que conheciam a natureza e o entorno, juntaram uma enorme coleção de objetos naturais. Foram 6.500 espécies vegetais, formando um herbário de 20.000 exemplares prensados, além de centenas de plantas vivas, que levaram à Europa.
Formas Animais da América Tropical (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons
Da fauna, 85 espécies de mamíferos, 350 de aves, 130 de anfíbios, 116 de peixes, 2.700 de insetos, 50 de aracnídeos e 50 de crustáceos. E peças mineralógicas e paleontológicas. Boa parte da coleção foi enviada sucessivamente em caixas para Munique, das quais nenhuma se perdeu.
Formados também pelo ideário do romantismo, Spix e Martius acreditavam que a observação e a compreensão mais profunda da natureza dependiam não somente da descoberta de novas espécies e de classificar os objetos no sistema natural, mas também do sentimento do naturalista.
Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland no sopé do vulcão Chimborazo (1806), de Friedrich Georg WeitschFonte original: Wikimedia Commons
Sob influencia da filosofia da natureza e do poeta Goethe, procuraram unir ciência e poesia. Inspiraram-se no naturalista Alexander von Humboldt, que elegeu os trópicos americanos como lugar privilegiado para a “antiga comunhão da natureza com a vida espiritual do homem”.
Para Humboldt, o “quadro da natureza”, ou seja, a sua descrição em palavras ou a sua representação em imagens pictóricas, deveria reproduzir no leitor “o prazer que a mente sensível sentia na contemplação do mundo natural” e, ao mesmo tempo, transmitir o conhecimento.
Além de ser objeto de estudo, estar na natureza dos trópicos causava prazer e encantamento. “Tudo age com magia toda especial na alma do homem sentimental renascido pelo espetáculo do delicioso país”, expressaram Spix e Martius já em suas primeiras caminhadas pela mata atlântica
Pesquisa e redação: Karen Macknow Lisboa (Universidade de São Paulo)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos curadores que forneceram imagens para esta história.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br