CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Fernando B. Matos
Scybalium fungiforme, feminina (01 de agosto, 2011), de Gregório CeccantiniFonte original: flickr
Fungos ou plantas?
Ao se deparar com um organismo desses no chão da floresta, qualquer pessoa que nunca tenha ouvido falar da família Balanophoraceae certamente ficará na dúvida. Sua aparência bizarra muitas vezes nos lembra de algo vindo do fundo do mar, e não do chão da floresta.
Scybalium fungiforme, corte longitudinal (01 de agosto, 2011), de Gregório CeccantiniFonte original: flickr
Plantas vampiras
As balanoforáceas são plantas holoparasitas, o que significa que não realizam fotossíntese. Em vez disso, elas usam estruturas especializadas para obter nutrientes das raízes de outras plantas, como árvores e trepadeiras, contando apenas com seus hospedeiros para sobreviver.
Velacho (Helosis cayennensis), Parana (26 de setembro, 2020), de Marcelo BrottoFonte original: iNaturalist
Suas flores são minúsculas e formadas em inflorescências carnosas que brotam próximo ao chão. Essas inflorescências são vistosas (brancas, amarelas, vermelhas, rosas, ou roxas) e ficam conectadas a um tubérculo subterrâneo que armazena os nutrientes roubados da planta hospedeira.
Vol. IV, Part II, Fasc. 47 Plate 11 (1869-05-01)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Diversidade de balanoforáceas
Com relação à diversidade, a família é pantropical e inclui cerca de 50 espécies. No Brasil ocorrem 15 espécies, das quais oito foram reconhecidas por Eichler na Flora Brasiliensis (1869). Esta obra apresenta ilustrações incríveis de todas as espécies, como veremos a seguir.
Langsdorffia hypogaea Mart.
Lophophytum leandri Eichler
Lophophytum mirabile Schott & Endl.
Ombrophytum peruvianum Poepp. & Endl. e Ombrophytum violaceum B. Hansen
Scybalium fungiforme Schott & Endl.
Gambás polinizadores
Muito tem se descoberto sobre a vida dessas plantas. Em 2020, pesquisadores brasileiros flagraram uma polinização inédita por gambás. Retirando as brácteas para se alimentar do néctar, os gambás acabam expondo as flores para polinizadores secundários, como morcegos, aves e insetos.
Scybalium fungiforme, polinização por beija-flor, de Felipe AmorimFonte original: Revista Pesquisa FAPESP
Néctar em abundância
A quantidade de néctar produzida pelas flores é enorme, mas isso não custa nada para as plantas parasitas, que sugam a seiva diretamente das raízes de suas hospedeiras. Tais interações tróficas (relações alimentares) são essenciais para a manutenção do equilíbrio da floresta.
Ombrophytum subterraneumFonte original: Jornada
Potencial nutritivo e medicinal
Outras pesquisas tem demonstrado o potencial nutritivo e medicinal de algumas balanoforáceas, como é o caso do "amañoco" (Ombrophytum subterraneum), espécie utilizada pelos Aimarás da Bolívia. Isso só atiça a nossa curiosidade, tornando essas plantas ainda mais interessantes.
Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Luiza F.A. de Paula (UFMG/CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991); Gambás 'abrem caminho' para polinização de planta parasita (https://www2.unesp.br/sharer.php?noticia=35533)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores de todas as imagens, especialmente ao Dr. Felipe Amorim (Unesp Botucatu) pelas imagens e vídeos de polinização, e aos Drs. Claudio Nicoletti (INMA), Gregório Ceccantini (USP), Jean Santos (UFS), Marcelo Brotto (MBM), Marcelo Simon (EMBRAPA), e Maria Ogrzewalska (Fiocruz).
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br