Admirável Novo Mundo

Explore uma gravura do século XIX que transformou a América do Sul em uma alegoria da colonização europeia.

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Atlas da viagem pelo Brasil (1823), de Hermann Anton Stilke e Josef PäringerFonte original: Biodiversity Heritage Library

Uma alegoria tropical

No século XIX, muitos estudiosos recorriam à mitologia clássica para expressar ideias universais. Inspirado por Humboldt, Goethe e Schelling, o naturalista bávaro von Martius criou esta imagem como uma alegoria da América do Sul, unindo mito, ciência, arte e história.

A obra

A figura abre o Atlas zur Reise in Brasilien (1823–1831), uma coletânea de 41 litografias que retratam paisagens, povos, objetos, plantas e animais observados por Spix e Martius em sua expedição pelo Brasil.

Personificação do Equador

No topo da imagem, brilha o Equador, ou dux atque: a figura solar que simboliza a força criadora do universo. De sua cabeça emanam os raios que ordenam o mundo natural e moral da América do Sul.

O gênio da terra

À direita do Equador, um gênio protetor repousa sobre uma cadeia de montanhas. Ele representa a fertilidade das paisagens tropicais e o potencial vital da terra americana, intensificado pelos raios do sol.

Os gnomos e o solo fecundo

Logo abaixo, seres elementais — os gnomos — trabalham para enriquecer o solo. Símbolos da alquimia oculta da natureza, tornam possível a abundância vegetal e a exuberância do território.

A ferida da conquista

No canto inferior direito, uma cena sombria interrompe a harmonia: o embate violento entre indígenas e conquistadores europeus — símbolo do genocídio, da cobiça por ouro e da violência colonial.

O deus das águas

No canto superior esquerdo, um deus fluvial — personificação do Amazonas — derrama sua vitalidade sobre a paisagem. A água que brota de seu vaso fertiliza a terra e espalha vida por toda a floresta tropical.

A floresta viva

Abaixo do deus do rio, a floresta ganha vida. Entre palmeiras, cipós, cactos, aráceas, samambaias e bromélias, circulam macacos, juparás, tatus e serpentes. A cena celebra a biodiversidade da América do Sul em sua forma mais exuberante e generosa.

A vida em harmonia

No canto inferior esquerdo, um casal indígena vive em harmonia com a natureza. O homem caça uma anta, e a mulher segura uma ave e uma cumbuca diante de um defumador. A cena sugere fartura, respeito e equilíbrio.

A jovem América

No centro inferior, sentada sobre um trono flutuante, surge a jovem América — beneficiária das dádivas do Sol. Togada como uma deusa, carrega os atributos da civilização: leis, justiça, comércio e cultura.

Mais do que um documento histórico, esta gravura é uma tentativa de representar simbolicamente as forças que moldaram o continente americano em seus 300 anos de colonização. Uma América em tensão: entre mito e razão, destruição e criação, passado vivido e futuro imaginado.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Vanderlei Canhos (CRIA)
Referências: Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991); Atlas zur Reise in Brasilien (https://www.biodiversitylibrary.org/page/16440003); Lisboa (1997) A nova Atlântida de Spix e Martius: natureza e civilização na Viagem pelo Brasil (1817-1820). Editora Huicitec, São Paulo; Diener & Costa (2018). Martius. Editora Capivara, Rio de Janeiro.
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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