CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Fernando B. Matos
Estrada entre Jacareí e Aldeia da Escada, de Thomas EnderFonte original: http://almanaqueurupes.com.br/index.php/2012/09/11/vale-de-viajantes-i/
Tais litografias foram baseadas em obras de grandes artistas europeus, entre eles os pintores Benjamin Mary (1792-1846), Johann Moritz Rugendas (1802-1858) e Thomas Ender (1793-1875), o litógrafo Johann Jacob Steinmann (1800-1844) e o fotógrafo George Leuzinger (1813-1892).
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 40 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
O próprio von Martius tinha habilidades e conhecimentos suficientes para fazer o serviço, como vemos no texto explicativo da estampa n. 40: "Foi a partir de um esboço que eu mesmo fiz, que a mão habilidosa do litógrafo August Brandmueller conseguiu representá-la [a vegetação]."
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 36 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Mas a maioria das estampas foi baseada em obras de outros artistas. A técnica da litografia permitiu que Martius aperfeiçoasse essas obras com base no seu conhecimento botânico, ressaltando as particularidades de cada espécie e acrescentando plantas de seu interesse às paisagens
Artocarpus integrifolia, original, de Benjamin MaryFonte original: CRIA
Nas sépias de Benjamin Mary, por exemplo, nota-se certo detalhamento das plantas retratadas, mas nem sempre é possível a identificação precisa das espécies. Isso foi "corrigido" por Martius e seus colaboradores durante o processo litográfico, como veremos na próxima tela.
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 31 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Além de aperfeiçoar as formas e texturas das plantas já ilustradas por Benjamin Mary, Martius foi capaz de retratar "um exército inteiro de orquídeas parasitas" sobre os troncos espessos da jaqueira. Também percebe-se um nível de detalhamento incrível na vegetação dos arredores.
Artocarpus integrifolia [jaqueira], de cuja sombra vê-se a baía e a cidade de S. Sebastião [do Rio de Janeiro] (1847), de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Instituto Moreira Salles
Após litografadas, algumas cópias ainda foram sutilmente aquareladas manualmente, como é o caso desse belíssimo exemplar da coleção do Instituto Moreira Salles.
Muitas das obras selecionadas como modelos foram produzidas pelo pintor austríaco Thomas Ender, que acompanhou Martius na primeira etapa de sua viagem pelo Brasil. Na litogravura n. 5, nota-se que Martius adicionou viajantes à cavalo na estrada, além de muitas espécies de plantas no primeiro plano.
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 44 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
A transferência da corte portuguesa para o Brasil, no início do século XIX, permitiu o aparecimento dos primeiros ateliês xilográficos e litográficos no país. A imprensa, inicialmente divulgadora de fatos sociais, acabou se constituindo num veículo de divulgação do Brasil.
Plantação de café (1839), de Johann Jacob Steinmann e Frédéric SalathéFonte original: Brasiliana Iconográfica
Dentre os ateliês que funcionaram nessa época estava o do litógrafo, pintor e desenhista suiço Johann Jacob Steinmann, que publicou a obra Souvenirs de Rio de Janeiro em 1836. Martius utilizou-se desta imagem como modelo para a gravura 44, mostrada na tela anterior.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 59 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Na base da gravura n. 59 encontra-se o nome do fotógrafo e impressor suiço George Leuzinger, responsável por fixar boa parte da iconografia oitocentista do Rio de Janeiro.
O Dedo de Deus na Serra dos Órgãos (1867), de George LeuzingerFonte original: Brasiliana Fotográfica
A fotografia original data de apenas um ano antes da morte de Martius, que até o final de sua vida persistiu na edição da Flora Brasiliensis e utilizou fotografias como meio de captação de imagens (algo bastante recente à época).
Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991); Litografias e obras artísticas na Flora Brasiliensis (https://www.unicamp.br/chaa/rhaa/downloads/Revista%2015%20-%20artigo%205.pdf)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das imagens e personagens da história.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br