Um passeio com os viajantes naturalistas por Minas Gerais

Na viagem de Martius e Spix, mais de oito meses do ano de 1818 foram dedicados a conhecer a Província de Minas Gerais, região de vastas belezas naturais.

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Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. unplaced Plate 60CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Minérios e pedras preciosas: a famosa Minas Gerais

A Província de Minas Gerais, já no século XIX, chamava a atenção na Europa pela grande quantidade de minérios e pedras preciosas. Provavelmente isso teria aguçado a curiosidade dos naturalistas alemães, Spix e Martius, que permaneceram 8 meses viajando na até então província.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. unplaced Plate 60CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Chegando em Minas Gerais

Partindo do estado de São Paulo, os naturalistas Spix e Martius chegaram a Minas Gerais com sua comitiva pelo sul e seguiram boa parte da expedição pela conhecida Estrada Real.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 46 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Primeiras impressões

Começando o percurso em Minas, os viajantes descreveram: "Abismos tremendos ou gigantes píncaros, dispostos em escarpas ameaçadoras, aqui não se vêem; ao contrário, a vista aqui se tranquiliza ante o aspecto agradável de vales não muito profundos (...)"

Primeiras impressões

"(...) todavia não é o aspecto de natureza menor o que o viajante encontra aqui: ao contrário, o característico destas paisagens é de grandiosidade, a par de simplicidade e suavidade; elas contam entre as mais encantadoras que apreciamos nos trópicos."

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 4 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Mergulho botânico

Os naturalistas viajaram muitos cantos de Minas Gerais e suas observações sobre as plantas e seus ambientes nos fazem mergulhar na viagem com eles: "As variadas vistas dos vales (...) aparecem com maior frequência e se alternam quanto mais perto se vai chegando de Vila Rica..."

Mergulho botânico

"...Ficamos, porém, maravilhados, quando subimos o íngreme Morro de Gravier, continuação da Serra de Ouro Branco, ao avistarmos os lírios arbóreos, cujos caules fortes e nus, bifurcados em pouco galhos, muitas vezes terminados com um tufo de folhas compridas..."

Mergulho botânico

"...(...) são uma das mais maravilhosas formas do mundo das plantas. Ambos os gêneros que eles formam, Barbacenia e Vellosia, são chamados no país de canela-de-ema e (...) são tidos pelo povo como sinal característico da riqueza de um terreno em ouro e diamantes."

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 48 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

As Serras de Ouro Preto

Na mesma região, eles também descrevem sobre o morro do Itacolomi: "é o mais alto píncaro da Serra de Ouro Preto (...). O caminho leva por risonhas ladeiras de capim, às vezes por mata baixa no alto..."

As Serras de Ouro Preto

"...Pouco a pouco, alarga-se a chapada do morro, e achamo-nos numa planície extensa, docemente inclinada e em cujo fundo se eleva o último píncaro de rocha."

Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 3 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Conhecendo o Cerrado Mineiro

Passando pelo Nordeste de Minas Gerais, eles descreveram: "A vegetação, nesse tabuleiro uniforme, que se prolonga de Tijuco a Minas Novas, perdendo progressivamente em altura, apresenta uma feição que nunca havíamos observado em tal extensão..."

Conhecendo o Cerrado Mineiro

"...Árvores baixas, de galhos retorcidos e folhagem larga, elevam-se num e noutro ponto, entre moitas fechadas dos mais diversos arbustos, que se alternam, ora com chapas de rochas nuas, ora com campinas ralas, ou nas baixadas e regatos, com capão algo mais alto e viçoso..."

Conhecendo o Cerrado Mineiro

"...Chama-se também aqui o mato baixo de cerrado; quando baixo e sem árvores, é carrasco. Nem todas as plantas a ele pertencentes, perdem as folhas na época da seca; seu aspecto, contudo, participa então da feição geral de murcho e seco dos pastos."

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 43 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Aventuras dos viajantes

Em Minas Gerais, os viajantes tiveram muitas aventuras. Durante suas caminhadas, foram atacados por uma onça, mas se saíram bem: "(...) os companheiros da viagem adormeciam nas suas redes, quando o sentinela nos assustou com um tiro de fuzil..."

Aventuras dos viajantes

"...No mesmo instante, as mulas desembocaram todas juntas do abrigo, rinchando aflitas e perseguidas por uma onça pintada que, entretanto, diante do fogo, se retirou lentamente." 

Lembranças da onça-pintada

Na litogravura, a onça está próxima do Rio da Velhas, em Ouro Preto, e deve ter sido ilustrada por representar uma lembrança que os naturalistas tiveram durante sua expedição em Minas Gerais.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. unplaced Plate 60CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Saindo de Minas Gerais

Após passarem pela região de Vila Rica, e seguirem para o Distrito Diamantino, os viajantes passaram por Sabará e chegaram até Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha. Foram até a fronteira de Goiás, voltaram para Minas, seguiram então para a Bahia e de lá subiram até o Amazonas.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA)
Montagem: Luiza F. A. de Paula
Revisão: João Renato Stehmann (UFMG), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e personagens da história

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

Créditos: todas as mídias
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