As espigas-de-sangue

Saiba mais sobre essas plantas parasitas do gênero Helosis, que tanto encantaram o naturalista von Martius no Brasil

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Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 1 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Martius na Amazônia

"A força geradora da terra [...] produz formas de plantas estranhas ao tipo real, fazendo lembrar as dos animais. Assim, surge do brejo a Helosis guyanensis, uma parasita semelhante ao falo, um cone carnoso pardo-purpurino sem folhas — um singular cogumelo com flores."

Helosis cayanensis_v02 (22 de novembro, 2013), de Marcelo Fragomeni SimonFonte original: specieslink

"O solo, quase todo coberto de matérias putrefatas [...] muito favorece o desenvolvimento de saprófitos; notamos alguns gigantescos cogumelos de chapéu, os quais ao lado da estranha Helosis vermelha, perecida com o falo, pareciam caracterizar a feição dessas matas virgens".

Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) (12 de dezembro de 2006 (data de carregamento original)), de J. Kuhn segundo MerzFonte original: Hans Wahl, Anton Kippenberg: Goethe and his world, Insel-Verlag, Leipzig 1932 p.204

Foi assim que Martius descreveu os seus encontros com as "espigas-de-sangue" na Amazônia, no terceiro volume de seu livro sobre a Viagem pelo Brasil (1831).

Helosis cayanensis_v03 (22 de novembro, 2013), de Marcelo Fragomeni SimonFonte original: specieslink

Parasitas obrigatórias

Também conhecidas como "cogumelo-de-sangue", "espiga-de-dragão" e "urupê", as espécies do gênero Helosis são parasitas de diversas plantas tropicais. Não realizam fotossíntese, e por isso dependem totalmente dos nutrientes que roubam de seus hospedeiros.

Helosis cayennensis, PeruFonte original: The parasitic plant connection

Parecem cogumelos, mas não são

Pertencem ao grupo das plantas com flores (angiospermas), mas muitas vezes são confundidas com cogumelos, pois suas inflorescências são carnosas, vermelhas e brotam junto ao chão.

Velacho (Helosis cayennensis), Parana (26 de setembro, 2020), de Marcelo BrottoFonte original: iNaturalist

As flores da espiga-de-dragão

Suas flores são totalmente cobertas por brácteas hexagonais, as quais lembram os gomos de uma bola de futebol ou as escamas de um réptil. Essas brácteas caem naturalmente, deixando as flores expostas para os polinizadores.

Helosis cayennensis, Costa Rica (29 de dezembro, 2008), de Reinaldo AguilarFonte original: Tropicos

Inflorescências femininas

Aqui vemos uma inflorescência feminina sem brácteas. Os numerosos filamentos brancos são as flores femininas, que estão entre as menores do reino vegetal. Note as grandes gotas de néctar e também as cicatrizes das brácteas.

Vol. IV, Part II, Fasc. 47 Plate 5, 1869-05-01, Da coleção de: CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
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Helosis cayennensis, Guiana Francesa, C. Gracie, Fonte original: The parasitic plant connection
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Nas inflorescências masculinas, cada flor apresenta três pétalas envolvendo um grupo de três estames unidos. Apesar de serem menos numerosas, essas flores masculinas são bem maiores e mais espaçadas do que as femininas.

Vol. IV, Part II, Fasc. 47 Plate 5 (1869-05-01)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Estolões e tubérculos

Além das inflorescências vistosas, apresentam um complexo sistema subterrâneo formado por estolões e tubérculos. Os tubérculos armazenam os nutrientes extraídos da planta hospedeira e dão origem aos estolões. Os estolões se espalham pelo solo e dão origem a novas inflorescências.

Helosis gujanensis, Carl Friedrich Philipp von Martius, 1832, Fonte original: flickr
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Helosis cayanensis_v05, Marcelo Fragomeni Simon, 22 de novembro, 2013, Fonte original: specieslink
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No Brasil ocorrem duas espécies de Helosis. Aquela que Martius viu na Amazonia é a Helosis cayanensis, uma espécie amplamente distribuída na América tropical.

Vol. IV, Part II, Fasc. 47 Plate 5, 1869-05-01, Da coleção de: CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
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Velacho (Helosis cayennensis), Parana, Marcelo Brotto, 26 de setembro, 2020, Fonte original: iNaturalist
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A outra é a Helosis brasiliensis, espécie endêmica da Floresta Atlântica. Difere de Helosis cayanensis principalmente pelas inflorescências mais esféricas e brácteas piramidais (vs. arredondadas a truncadas).

Langsdorffia (09 de maio, 2015), de Fábio Júnio Santos FonsecaFonte original: Wikimedia Commons

A família Balanophoraceae

As "espigas-de-sangue" desafiam quase tudo o sabemos sobre as plantas "convencionais". Clique aqui para aprender mais sobre as balanoforáceas, família botânica que inclui Helosis e outros 17 gêneros incríveis de plantas parasitas.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Luiza F.A. de Paula (UFMG/CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores de todas as imagens utilizadas na história.

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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