CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Rejan R. Guedes-Bruni & Gabriel Paes da Silva Sales
Expedições pelas terras fluminenses
Muitos naturalistas percorreram as terras fluminenses desde o século XVI, a partir dos arredores da cidade do Rio de Janeiro, até áreas longínquas, nas regiões serranas do estado.
Encontro de indigenas com viajantes europeus (1827), de Johann Moritz RugendasFonte original: Wikimedia commons
Território indígena
Entre os séculos XVI e XIX, as regiões da cidade do Rio de Janeiro, da atual Baixada Fluminense, e do norte e sul fluminense, eram ocupados por aldeamentos indígenas de grupos étnicos nativos como os Tupiniquins, Tamoios, Temiminós, Tupinambás, Aimorés, Goitacás, dentre outros.
Indígenas em sua cabana (1835), de Johann Moritz RugendasFonte original: Wikimedia commons
Antropofagia
As aldeias indígenas, na planície costeira, foram um dos fatores limitantes ao trabalho dos naturalistas nessa região, em razão da antropofagia de algumas etnias, sobretudo os tupinambás, ainda que os indígenas tenham sido fundamentais à decodificação da natureza brasileira.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 20 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Baixada Fluminense
Na planície localizada na Região Metropolitana, conhecida atualmente como baixada fluminense, citam-se os testemunhos de Schott (1817), Sellow (1818), Beyrich (1822 a 1823), Lhotzki (1831), Comes Raben (1835), Casaretto (1839-40) e Princesa Therese da Baviera (1888).
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 17 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Uma estética tropical
A capoeira na planície decorre da intensa atividade agrícola de então na região. Trepadeiras como o cipó-suna (Anchietea pyrifolia), se enrolam sobre arbustos de Cordia, Schmidelia e as palmeiras gerivás (Syagrus romanzoffiana), cuja estética encantava os viajantes naturalistas.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 30 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Medo e encantamento
As florestas fluminenses despertavam uma profusão de sentimentos em quem as experimentava, desde um intenso medo até um profundo encantamento, fosse pelo canto dos pássaros, rugido das feras, farfalhar das folhagens, estalar das árvores ou o simples barulho do vento.
Floresta virgem de Mangaratiba na província do Rio de Janeiro (1835), de Johann Moritz RugendasFonte original: Wikimedia commons
Os viajantes
Dentre os naturalistas que se dirigiam para o norte, a caminho de Minas Gerais, citam-se von Martius (1817), Auguste Saint-Hilaire (1818), Pohl (1818), Beyrich (1822 a 1823) e Riedel (1822 a 1824).
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 33 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
A exuberante Serra da Estrela
Um dos caminhos utilizados para alcançar Minas Gerais era percorrer a Serra da Estrela, lugar que, com suas verdejantes montanhas, oferecia inúmeros exemplos para contemplação: Cariniana legalis, Ceiba speciosa e Handroanthus chrysotrichus, para citar apenas algumas árvores.
Rancho auf dem Wege nach Mandioca (1817), de Thomas EnderFonte original: Wikimedia commons
A fazenda do Barão Langsdorff
A Fazenda da Mandioca, de propriedade do Barão Langsdorff, na subida da Serra da Estrela, abrigou quase todos os naturalistas e artistas viajantes europeus. Dedicada à pesquisa sobre natureza e etnografia dispunha de herbário, jardim botânico, coleções zoológicas e mineralógicas
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 59 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Os naturalistas e as serras
As serranias foram amplamente exploradas, especialmente por St.Hilaire (1818-22), Schott (1820), Sellow (1830), Glaziou (1872), Riedel (1831-33), Gardner (1841), Weddell (1843), Warming (1863 a 1866), Barbosa Rodrigues (1868), Wawra (1879) e Ule (1894).
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 6 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
A exuberância da floresta tropical
O tronco de Eschweilera compressa, recoberto por Smilax, Serjania e Bignonia, seduz o ilustrador. À sua esquerda, uma canela-preta (Nectandra reticulata) e um esbelto arbusto de pimenta da terra, Xylopia sericea, evocam a atual composição dos remanescentes florestais locais.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 14 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Os contrastes
O frescor que os fetos arborescentes, Cyathea phalerata, somados à profusão de Dichorisandra thyrsiflora expressam, adornando as montanhas, contrastam-se à paisagem degradada e ensejaram o narrador a ressaltar: esta imagem é digna de apresentação e faz jus ao seu nome, Formoso.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 16 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
O desmatamento
A queima e destruição das matas virgens assombram os viajantes. A magnitude do Ficus maxima, ainda assim, impõe-se com seus 30 metros de altura, cujas sapopemas estendem-se sobre o solo ultrajado, recoberto de restos de troncos, galhos e queixas das pessoas por tal destruição.
Teresópolis mountain range (2023), de Tito BruniFonte original: Particular
As florestas encontram-se reduzidas atualmente a ca. 30% de sua área original e cuja riqueza de espécies ultrapassa oito mil táxons. O assombro dos naturalistas ainda reverbera em nossos dias, seja pela pujança da natureza, seja pela inclemente ação deletéria que nela incide.
Pesquisa e redação: Rejan R. Guedes-Bruni (Puc-Rio, Biologia) & Gabriel Paes da Silva Sales (Puc-Rio, Geografia)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA); Luiza de Paula (CRIA/UFMG); Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Silva, D.G.B. (org). Os diários de Langsdorff (3 vols.). Editora Fiocruz; Coedição com Associação Internacional de Estudos Langsdorff e COC. 1997.
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores de todas as imagens desta história.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br