CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Fernando B. Matos & Marcelo Reginato
The Piazza della Signoria in Florence (1730-1750), de Giuseppe ZocchiFonte original: Wikimedia Commons
Os Primeiros Anos
Nascido em Florença em 9 de julho de 1770, Raddi enfrentou dificuldades financeiras após a morte precoce de seu pai, quando tinha seis anos. Trabalhando em uma farmácia, dedicava seu tempo livre à botânica, estudando plantas medicinais e lendo as obras de Pietro Andrea Mattioli.
Jardim Botânico de Florença (21 de abril, 2010), de Txllxt TxllxTFonte original: Wikimedia Commons
Introdução à Botânica
Aos 15 anos, Raddi conheceu Gaetano Savi, que viria a se tornar professor de botânica em Pisa. Ambos foram orientados pelo médico e botânico Ottaviano Targioni Tozzetti. Foi graças à influência de Tozzetti que, em 1785, Raddi ingressou no Museu de História Natural de Florença.
Primeira publicação (1807), de Giuseppe RaddiFonte original: https://doi.org/10.1080/00837792.2018.1444463
Primeiras Publicações
Entre 1785 e 1808, Raddi aprimorou seus conhecimentos em botânica e aprendeu latim, inglês, francês e alemão. Suas primeiras contribuições científicas, publicadas entre 1806 e 1808, descreveram novas espécies de fungos e musgos encontrados nos arredores de Florença.
Fragatas Austria e Augusta partindo de Trieste para o Brasil, 1817 (1817), de Giovanni PessiFonte original: The World of Habsburgs
Viagem ao Brasil
Com o apoio do Grão-Duque da Toscana, Raddi juntou-se à Missão Austríaca, embarcando no porto de Livorno em 4 de setembro de 1817, a bordo da fragata San Sebastiano. Após uma viagem de 82 dias, desembarcou no Rio de Janeiro em 5 de novembro de 1817, pronto para explorar o Brasil.
Dificuldades econômicas e logísticas
Por ser o único italiano na expedição, Raddi enfrentou grandes desafios em sua missão científica. Ao contrário de seus colegas da Missão Austríaca, não tinha assistentes e contava com poucos recursos financeiros — o que dificultou ainda mais seu trabalho no Brasil.
Gabinete de curiosidades, Museu de História Natural, Pisa (3 de dezembro, 2018), de Federigo FederighiFonte original: Wikimedia Commons
Coletas no Brasil
Mesmo com todas as dificuldades, Raddi coletou entre 3.000 e 4.000 plantas, 2.230 insetos, 49 répteis, 65 minerais e 340 sementes no Brasil. Suas coletas ocorreram principalmente nos arredores do Rio de Janeiro.
Conexões Científicas: Raddi teve contato com renomados naturalistas no Brasil. Além de alguns membros da Missão Austríaca, destacam-se o barão Georg Heinrich von Langsdorff, para quem dedicou o gênero de palmeiras Langsdorffia, e o Frei Leandro do Sacramento, homenageado com o gênero Leandra, da família das quaresmeiras.
Fragata Austria (1817), de Thomas EnderFonte original: Biblioteca Nacional
Retorno à Europa
Após uma estadia de apenas oito meses no Brasil, Raddi embarcou de volta à Europa em 1º de junho de 1818. Em sua viagem de retorno, esteve acompanhado do botânico Johann Mikan e dos pintores Thomas Ender e Johann Buchberger, todos integrantes da Missão Austríaca.
De volta à Itália, Raddi publicou obras importantes sobre a flora brasileira: "Synopsis Filicum Brasiliensium" (1819) sobre pteridófitas, "Crittogame Brasiliane" (1822) sobre briófitas, "Agrostografia Brasiliensis" (1823) sobre gramíneas e "Plantarum Brasiliensium Nova Genera" (1825) descrevendo novas espécies e gêneros. Esses trabalhos foram essenciais para futuras pesquisas botânicas.
Rettili piante brasiliane (1820), de G. Raddi e NaudaeusFonte original: Wikimedia Commons
Outras Publicações
Além das já mencionadas briófitas, gramíneas e pteridófitas, Raddi empreendeu o estudo de muitos outros grupos de plantas coletados no Brasil, tais como: Araucariaceae, Arecaceae, Begoniaceae, Melastomataceae, Orchidaceae e Piperaceae.
Raddi e a família da Quaresmeiras: Para as Melastomataceae, por exemplo, Raddi descreveu dois gêneros importantes da Mata Atlântica (Bertolonia e Leandra), e um total de 22 espécies. Várias coletas de Melastomataceae deram-se na Fazenda Mandioca, de propriedade de Langsdorff, além de outras localidades próximas à cidade do Rio de Janeiro, como o Corcovado.
Raddi e a Flora Brasiliensis
Embora Raddi não tenha participado da Flora Brasiliensis, suas coleções e publicações serviram de base para diversos autores da obra. Curiosamente, não há evidências de que ele tenha conhecido Martius, idealizador da Flora Brasiliensis, embora ambos tenham estado no Rio de Janeiro entre novembro e dezembro de 1817.
Expedição Franco-Toscana ao Egito (1834-1836), de Giusppe AngelelliFonte original: Wikimedia Commons
Expedição ao Egito
Em 1828, Raddi foi designado para uma expedição franco-toscana ao Egito. A missão, que partiu de Toulon em 31 de agosto de 1828, visava documentar monumentos ao longo do Rio Nilo. Raddi coletou e descreveu novas espécies, enriquecendo o conhecimento botânico da região.
Local de desembarque em um pequeno porto de Rodes (1837), de Autor desconhecidoFonte original: Wikimedia Commons
Morte Prematura
Infelizmente, Raddi contraiu uma infecção intestinal durante essa viagem, falecendo na ilha de Rodes em 1829. A notícia de sua morte foi recebida com grandes condolências no meio científico europeu. Raddi deixou uma esposa, cinco filhos e um legado científico significativo.
Museo di botanica, erbario generale (30 de outubro, 2015), de SailkoFonte original: Wikimedia Commons
Coleções botânicas
As coleções botânicas de Raddi encontram-se principalmente em Pisa e Florença. Dois conjuntos de duplicatas foram distribuídos por Raddi, para Bolonha e Kew. Filippo Parlatore (1816-1877) rotulou as duplicatas presentes em Florença e as distribuiu para outros herbários europeus.
Contribuições e homenagens: Raddi nomeou cerca de 300 novas espécies de plantas vasculares, além de alguns musgos, fungos e animais. Seu nome foi imortalizado nos gêneros Raddia, Raddiela (ambas Poaceae) e Raddisia (Celastraceae), além de ser homenageado em cerca de 75 nomes de espécies.
Rancho auf dem Wege nach Mandioca (1817), de Thomas EnderFonte original: Wikimedia commons
Italiano, pioneiro e inspirador
Raddi não foi o primeiro italiano a estudar a flora brasileira. Domenico Agostino Vandelli (1735-1816) estudou espécimes de herbário antes dele, mas nunca pisou no Brasil. Raddi destacou-se como pioneiro na exploração direta da flora brasileira, deixando um legado inspirador.
Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA) & Marcelo Reginato (UFRGS)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Baldini & Pignotti (2018, in Webbbia 73: 111-129); Da Costa (2009, in Journal of Bryology 31: 222-233); Goldenberg & Baldini (2002 in Taxon 51: 739–746); Guimarães et al. (2023 in Taxon); Longhi Wagner & Baldini (2007 in Kew Bulletin 62: 381–405); Sermolli & Bizzarri (2005 in Webbia 60: 1–403).
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores de todas as imagens utilizadas na história
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br