CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Fernando B. Matos & Christoph B. Jaster
Pedra Branca do Amapari, na Floresta Amazônica, de Luciana Macêdo/ Fotos Públicas (05/09/2016)Museu do Amanhã
Colossos escondidos na floresta
Na Amazônia, entre rios e névoa, existem seres vivos que desafiam o tempo e estimulam a nossa imaginação. São árvores gigantes que podem ultrapassar 80 metros de altura e que, até pouco tempo, eram praticamente desconhecidas.
Angelim-vermelho visto por LiDARFonte original: Ecoa Uol
Descoberta recente
Foi apenas em 2022, com a ajuda de drones e da tecnologia LIDAR, que cientistas encontraram a maior árvore já registrada no Brasil: um angelim-vermelho com 88,5 m de altura e quase 10 m de circunferência, no coração da Floresta Estadual do Paru, na divisa do Pará com Amapá.
Síntipo de Dinizia excelsa coletado por DuckeFonte original: speciesLink
Angelim-vermelho: o gigante amazônico
Descrita pelo naturalista Adolpho Ducke em 1922, a Dinizia excelsa (nome científico do angelim-vermelho) é exclusiva da Amazônia e ocorre em todos os estados da região Norte do Brasil. Na maior parte da floresta, no entanto, os indivíduos não passam dos 30 m de altura.
Medição do angelim gigante (26 de janeiro, 2025), de WikiRainforestFonte original: Wikicommons
Por que tão gigantes?
Mas por que algumas árvores crescem tanto, chegando a ultrapassar 80 metros nas florestas de terra firme do Amapá e do Pará? Ainda não sabemos. Genética, solo, vento, luz e competição certamente estão envolvidos, mas o mistério desses gigantes continua de pé.
Cristo Redentor ao pôr do sol, vista traseira (21 de março, 2023), de Donatas DabravolskasFonte original: Wikicommons
Maiores que Cristo
Com 88,5 metros, o maior angelim-vermelho já encontrado equivale a 2,5 vezes a estátua do Cristo Redentor (38 m). É como se um prédio de 30 andares estivesse crescendo em meio à floresta.
Vida na copa de uma árvore gigante (1998), de Michael RothmanFonte original: Michael Rothman
A floresta no corpo de uma árvore
Independentemente do tamanho, indivíduos adultos de angelim-vermelho podem sustentar redes inteiras de vida na floresta: plantas epífitas, trepadeiras, parasitas, micróbios, fungos e diversos animais que dependem desses colossos.
Dinizia excelsa (20 de agosto, 2019), de GorgensFonte original: Wikicommons
Antigos como a história
Estima-se que alguns desses gigantes tenham mais de 500 anos. Ou seja, já estavam de pé quando os primeiros portugueses invadiram o Brasil, e permaneceram por séculos como testemunhas silenciosas da história.
Hyperion, a árvore mais alta da Terra (2009), de Michael NicholsFonte original: Michael Nichols
Entre as maiores do mundo
A árvore mais alta do mundo é uma sequóia (Sequoia sempervirens), que vive na Califórnia e ultrapassa os 115 metros. Nos trópicos, temos a Shorea faguetiana, uma árvore da Malásia que pode chegar aos 100 m. O angelim-vermelho é a árvore mais alta da América Latina, com quase 90 m.
Rikbaktsa e castanheira (Abril de 2025)Fonte original: Mariana Bassani
Outros titãs da Amazônia
Amazônia abriga outras árvores gigantes, como a castanheira, a maçaranduba, a sumaúma, o pequiá e o tauari. No entanto, a maioria dessas espécies raramente atinge os 60 metros de altura.
Desmatamento., de Ana Cotta (CC BY 2.0)Museu do Amanhã
Gigantes ameaçados
Mesmo com sua imponência, as árvores gigantes estão sob risco. Desmatamento, queimadas, extração de madeira e o avanço da mineração ilegal afetam inclusive áreas remotas.
Imagem aérea de uma floresta com castanheiras (09 de agosto, 2018), de Instituto Centro VidaFonte original: ONF Brasil
Guardiãs do clima
Essas árvores capturam e armazenam enormes quantidades de carbono. Também ajudam a manter a umidade do ar, regular a temperatura e sustentar os ciclos da água. Preservá-las é vital para o equilíbrio do clima local e global.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 9 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Monumentos vivos
Os maiores e mais valiosos monumentos do Brasil não estão em praças nem em museus. São árvores gigantes, vivas, que crescem lentamente nas profundezas da floresta. Seu valor é imensurável, e derrubá-las seria um erro irreversível.
Crianças e sumaúma (2013)Fonte original: Araquém Alcântara
O futuro que se ergue
Na COP-30, o mundo olhará para a Amazônia. Que olhe também para suas árvores gigantes — símbolos da floresta em pé e do futuro que ainda podemos cultivar.
Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA) & Christoph B. Jaster (ICMBio)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Prizibisczki (2022). Maior árvore do Brasil, angelim-vermelho de 88,5 metros está ameaçado por avanço do desmatamento (https://oeco.org.br/). Guimarães (2024). Pesquisadores investigam os mistérios das árvores gigantes da Amazônia (https://revistapesquisa.fapesp.br/).
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Agradecemos a todos os autores das imagens, em especial a Araquém Alcântara e Michael Rothman.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br