5 ninfas guardiãs da vegetação do Brasil

Martius dividiu o Brasil em cinco áreas de acordo com a vegetação de cada uma. Essas áreas foram associadas aos nomes de ninfas, quatro imortais e uma que morre e renasce.

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Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. unplaced Plate 60CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Viagem pelo Brasil

Os naturalistas alemães, Spix e Martius, em sua expedição pelo Brasil (1817-1820), catalogaram uma grande parte da biodiversidade brasileira.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. unplaced Plate 61CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Brasil divido em 5 províncias botânicas

Durante sua estadia no Brasil, Martius mapeou as diferentes regiões que compõem hoje parte do que chamamos de biomas, dividindo o país em cinco áreas de acordo com a vegetação de cada uma. No mapa, essas áreas estão apresentadas em diferentes cores.

Ninfas gregas

Esses cinco domínios florísticos foram associados por Martius aos nomes de ninfas gregas, quatro imortais e uma que morre e renasce.

Naiad (c. 1740), de Charles-André van LooFonte original: Nationalmuseum Sweden artwork ID: 17851

1. Nayades: ninfa das águas

As regiões cobertas pela Floresta Amazônica foram identificadas com as náiades, entidades dos regatos e das fontes, ressaltando a presença da complexa bacia hidrográfica que interage com a grande floresta na região norte do Brasil.

Floresta Amazônica (2011-04-19), de Neil Palmer/CIATFonte original: Wikimedia Commons

Amazônia

A Amazônia é o maior bioma do Brasil, e abrange mais de 9 países. Abriga a Floresta Amazônica, considerada a maior floresta tropical do mundo, e apresenta elevada biodiversidade. É caracterizada por formações florestais densas e úmidas, e pela presença de árvores de grande porte.

A Dryad (1884-1885), de Evelyn De MorganFonte original: De Morgan Centre, London

2. Dryades: ninfas das florestas

As florestas litorâneas do leste do Brasil são associadas às dríades, que cuidavam dos bosques situados em regiões montanhosas. Seria o que conhecemos hoje pela Mata Atlântica, que é esse bioma de encontro entre florestas e montanhas.

Mata Atlântica, de João Renato StehmannCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Mata Atlântica

A Mata Atlântica engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estrutura e composições florísticas diferenciadas, além de ecossistemas associados, como os manguezais, vegetações de restingas e afloramentos rochosos.

Les Oréades (1902), de William-Adolphe BouguereauFonte original: Musée d'Orsay

3. Oreades: ninfa dos campos de caça

Os biomas que conhecemos hoje como Cerrado e Pantanal – que consistem nas planícies, nos planaltos e nas chapadas do Brasil central – são relacionados às oréades, ninfas que acompanhavam Diana, deusa caçadora, no governo dos montes e dos campos.

Bioma Cerrado, de João Renato StehmannCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Cerrado

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, e compreende diferentes tipos de formações vegetais, como as campestres, savânicas e florestais. De forma geral, a vegetação do Cerrado é caracterizada por árvores com troncos tortuosos, arbustos e gramíneas.

Bioma Pantanal (2014), de Filipe FrazaoFonte original: Wikimedia Commons

Pantanal

O bioma Pantanal é reconhecido como a maior planície de inundação contínua do Planeta Terra, o que constitui o principal fator para a sua formação e diferenciação em relação aos demais biomas.

Napaea Godinnen en nimfen (título da série) (1564), de Cornelis CortFonte original: New Hollstein Dutch 163-1(3)

4. Napaea: ninfa das ravinas

As regiões do sul do Brasil, com seus campos abertos e suas florestas de montanha, marcadas pela presença dos pinheiros, são associadas às napeias, deusas que protegiam os vales e prados. Corresponde ao que conhecemos hoje como Florestas com Araucárias e campos sulinos. 

Bioma Pampas (2012-10-12), de Sandro AnhaiaFonte original: Wikimedia Commons

Pampas

As paisagens naturais do Pampa se caracterizam pelo predomínio dos campos nativos, mas há também a presença de outras formações vegetais, como as florestais, arbustivas e afloramentos rochosos.

Waterhouse, JW - A Hamadryad (1895) (1895), de John William WaterhouseFonte original: Wikimedia Commons

5. Hamadryades: ninfa que morre e renasce

Na mitologia grega, as hamadríades são ninfas que nascem com as árvores e com as quais partilham o destino, devendo protegê-las. Hamadryades, ninfa que morre e renasce, escolhida por Martius para reger a Caatinga, estaria também representando a sazonalidade desse bioma. 

Vegetação da Caatinga durante a estação seca (2019), de Luiza PaulaCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Caatinga

Exclusivamente brasileira, a Caatinga é o principal bioma da região nordeste do Brasil. Devido ao clima semi-árido, a vegetação apresenta características de adaptação ao longo período de seca, como espinhos e folhas que caem.

Mapa de biomas do Brasil, de Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaFonte original: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Biomas Brasileiros

Bioma é o conjunto dos seres vivos de uma área, com condições de geologia e clima semelhantes e que, historicamente, sofreram os mesmos processos de formação da paisagem. 

Legado de Spix e Matius

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera, atualmente, seis tipos de biomas para o Brasil: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. Essas classificações tiveram raízes nos trabalhos dos naturalistas Spix e Martius.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA)
Montagem: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA)
Revisão: João Renato Stehmann (UFMG), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e personagens da história

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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