Cenas Urbanas: Cidades, Vilas e Portos

A viagem de Spix e Martius pelo Brasil (1817-1820) - parte 5

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VISTA DA ENSEADA DE BOTAFOGO (1817 - 1818), de Thomas EnderMuseu Imperial

“Atrás levantavam-se audaciosos rochedos de formas imponentes, cujas encostas ostentam em toda a plenitude a uberdade da floresta tropical.”

Rio de Janeiro (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Rio de Janeiro

“Quem chega convencido de encontrar esta parte do mundo (...) com a natureza (...) invicta, poder-se-ia julgar (...) fora dela; (...) Língua, costumes, arquitetura e afluxo dos produtos da indústria de todas as partes do mundo dão à praça do Rio de Janeiro aspecto europeu.”

Mariana, Thomas Ender (1817-1818), de Thomas EnderFonte original: Wikimedia Commons

Mariana, Minas Gerais

Segundo atestam os viajantes, a cidade contava com 4.800 habitantes. Pareceu-lhes simpática pelas casinhas asseadas, construídas em ordem regular ao longo de ruas largas. No entanto, ela teria perdido certa opulência pois as minas da vizinhança diminuíram em seu rendimento.

Hospício da Mãe dos Homens (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Hospício da Mãe dos Homens, Serra do Caraça

“Nenhum lugar da terra poderá melhor livrar a alma das inclinações e preocupações mundanas do que esta habitação solitária de piedosa contemplação. Às agradáveis impressões que a região desperta no espírito do viajante, este se entrega (...).”

Rancho não muito longe da Serra do Caraça (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

“(...) pernoitamos num rancho, de onde apreciamos a bela serra do Caraça. O pouso estava repleto de mineiros de Minas Novas, que seguiam para o Rio de Janeiro, levando carga de algodão, e nos deram ensejo de apreciar o aspecto bem característico da vida das tropas em viagem."

Imagens da vida humana (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Em Tejuco, no distrito diamantino, observam a festa de coroação dos monarcas como solenidade “patriótica”. Tanto a “pompa” dos festejos e a “boa organização” foram razão de admiração de Spix e Martius em relação ao “tato perfeito e a fina sensibilidade do sertanejo brasileiro.”

Vila Velha, Bahia (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Vila Velha (interior da Bahia)

“Os fazendeiros aproveitam-se da feliz situação do belo vale, onde estão espaçadas as suas moradas para a pecuária e a cultura do algodão, que ali quase se dá tão bem, como nos terrenos de caatinga (...). Notamos (...) no fundo do vale (...) numerosos pés de Himenéias (...).”

Vila de Cachoeira, Bahia (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Vila de Cachoeira (interior da Bahia)

“O aspecto desta vila, de belos edifícios e movimentada pela atividade europeia, foi um verdadeiro prazer para nós depois da longa temporada no sertão. Ela reclina-se ao sopé de outeiros (...) plantados de canaviais e fumo e é (...) uma das vilas mais aprazíveis do (...) Brasil"

Imagens da vida humana (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Salvador, Bahia

“O estrangeiro dirige-se com prazer para a Cidade Alta (...) Nas ladeiras íngremes, (...), quase impossibilitando uso de cavalos, o visitante encontra cadeiras de aluguel, e dois negros robustos carregam-no rapidamente até o alto, onde o acolhe um sossego inusual (...)."

Spix Reiseatlas original 44, de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Juazeiro, Bahia

“Já a própria região, em que nos achávamos, exercia influência estimulante nos nossos ânimos, pois o majestoso São Francisco derrama aqui não só todas as bênçãos de um grande rio, mas também faz lembrar ao viajante alemão o pátrio Reno (...)”

Spix Reiseatlas original 45 (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Belém do Pará

A cidade ofereceu aos viajantes a “impressão de vida doméstica feliz”.  As casas eram sólidas, construídas em sua maioria de pedras de cantaria, de um pavimento, ao longo de ruas largas. A arquitetura era singela e a aparência era de asseio.

Spix Reiseatlas original 49 (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

São Paulo de Olivença

“Esta vila está na margem meridional do Solimões (...) Este lugar é também assolado pelas mesmas febres malignas e logo começaram a adoecer, uns após os outros, os indígenas tripulantes. Os habitantes tratam-se com toda sorte de plantas silvestres que nascem por aqui.”

Presídio de Tabatinga

“Este é o quartel de fronteira dos portugueses, no Solimões, contra o Peru, ponto ocidental extremo naquele rio (...). Acha-se aqui um comandante de milícias, com 12 soldados. Ainda se vêem ruínas de um belo edifício construído pela Companhia de Comércio do Grão-Pará (...)"

Extração de ovo de tartaruga, na bacia do Amazonas (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Extração de ovos de tartaruga, na bacia do Amazonas

“Aqui encontramos uns 350 homens ocupados com o preparo da manteiga, e tinham em diversas barracas vários artigos necessários expostos à venda. As praias de manteiga (em tupi çaiba-ibicuí) oferecem aos colonos, que vivem espalhados, todas as vantagens de uma feira.”

Porto dos Miranhas, Rio Japurá (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Porto dos Miranhas, Rio Japurá

Neste local, Martius encarregou seu guia, o capitão Zani, e os indígenas da construção de uma canoa para embarcar suas valiosas coleções botânicas, além dos macacos e aves. “Todos os indígenas foram empregados a abater um grande tronco de Jacareúva e de transportá-lo ao porto.”

Igualmente solicitou às mulheres que preparassem farinha de mandioca e beijus para a viagem de retorno, pois as provisões dos viajantes já estavam escassas. “Na grande cabana aberta (...) trabalhavam essas pobres e bondosas criaturas, com a máxima assiduidade (...).”

Créditos: história

Pesquisa e redação: Karen Macknow Lisboa (Universidade de São Paulo)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos curadores que forneceram imagens para esta história.

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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