CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Karen Macknow Lisboa
Mapa das províncias florísticas do Brasil (1858), de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 6 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Mata Atlântica
“(...) é compreensível que a beleza e a harmonia que distinguem as florestas primárias (...) sejam tão comoventes. Aqui podemos ver como, em ritmo constante, se alcança uma distribuição igualitária da vida. E o tempo de vida de cada um é governado de forma ordenada.”
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 8 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Mata Atlântica
Na estrada de Jacareí, a caminho de São Paulo, Martius escreve: “Também encontramos um grande número de árvores que são notáveis por sua altura e idade, pois não é difícil admitir que a maioria delas tem provavelmente mais de trezentos anos de idade.”
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 3 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Cerrado
“O solo um pouco avermelhado (...) muitas vezes carece de boa irrigação (...). A natureza (...) é escassa, mas prodigiosamente rica em ervas rastejantes, que ocupam manchas fecundas do solo, e um tipo particular de floresta chamada ‘tabuleiro coberto’ pelos habitantes locais.”
Lagoa das Aves no Rio de São Francisco (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons
Na travessia do Cerrado mineiro, os viajantes viram lugares em que havia uma densa vegetação verdejante, em torno de lagoas piscosas, em vez de matas secas e desfolhadas. ”Julgamo-nos aqui transportados a um país inteiramente diverso”.
Encantados descrevem uma lagoa em que viram mais de 10.000 animais reunidos. “As inúmeras espécies de aves aquáticas e paludícolas se agitavam, (...) perseguindo cada qual o seu gênero de presa, de insetos, rãs e peixes e cada qual sendo procurado por seu próprio inimigo.”
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 21 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Martius explica o processo da queimada como uma técnica comum de preparar o solo para o cultivo. As florestas estariam adaptadas a ela. Mas adverte também que sua exagerada repetição leva à destruição da vegetação e as árvores viram carvão.
“Ao caminhar por esses desertos em chamas, vemos nuvens, às vezes nuvens negras brilhando (...) à noite, que os ventos juntam das cinzas e a fumaça avança sobre os campos, uma visão horripilante.”
Spix Reiseatlas original 45 (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons
Caatinga
A travessia em 1819 de quatro meses de Salvador a São Luís foi amplamente descrita no relato de viagem. O sertão nordestino era na época um lugar pouco explorado por expedições científicas e um ambiente desconhecido ao público europeu bem como ao de outras regiões do Brasil.
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 10 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
“Assim, durante os meses de seca, as árvores atrofiadas estão nuas, sem sombra, e através de seus galhos frágeis o sol brilha sobre o caminhante que procura sombra em vão. Consequentemente, os índios Tupinambá os chamavam de "caa-tinga".”
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 40 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Amazônia
Em Belém Spix e Martius tiveram o primeiro contato com a Amazônia. “Como me sinto feliz aqui!”, lê-se no relato de viagem. Martius descreve com detalhes ao longo de páginas de forma muito poética 24 horas de um dia vivido na exuberância natural.
“O lugar sagrado, onde todas as forças se reúnem harmoniosamente (...), amadurece sensações e pensamentos. Parece-me compreender melhor o que é o historiador da natureza. (...) Como tudo é quieto e misterioso (...). Contemplo os meus queridos amigos, as árvores e arbustos.”
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 9 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
“Enquanto pensava na solidão da mata, lembrei das palavras de um orador brasileiro distinto: `O mais essencial você antes encontrará numa floresta do que num livro`. (...) na verdade, cada flor é uma página de sabedoria, cada fruto uma esperança, cada semente um fruto generoso.”
“Eu estava um pouco perturbado, (...) quando vi aquela floresta magnífica. E havia aquelas árvores gigantes, cuja circunferência indicava que tinham mais de mil anos, lembrando-nos de cada período da vida com infinitos intervalos de tempo e a dimensão inesgotável da idade.”
Pesquisa e redação: Karen Macknow Lisboa (Universidade de São Paulo)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos curadores que forneceram imagens para esta história.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br