Martius e a ilha das palmeiras miriti: lar das araras-azuis

Um passeio botânico pela litografia n. 41 da Flora Brasiliensis

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Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 41 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Flora brasiliensis

A Flora Brasiliensis é um marco da botânica mundial. Embora iniciada em 1840, seu volume 1 foi publicado por último, em 1906, com 59 gravuras de paisagens brasileiras. Nesta história, embarcaremos em um “passeio botânico” por uma delas, destacando suas plantas.

Partindo de Belém e passando pelo arquipélago de Marajó, Spix e Martius subiram pelo Rio Amazonas até a Fortaleza da Barra (Manaus), numa viagem de 3 meses. Logo no início desse trecho, em agosto de 1819, foram forçados a parar numa ilha por causa de uma forte tempestade tropical

Relatos de viagem:

"Com o barco ancorado perto da ilha da Pautinga, tivemos oportunidade de contemplar a singular natureza do lugar. [...] A ilha arenosa, plana e baixa é coberta por uma floresta densa, com árvores de extraordinária altura, destacando-se aí a palmeira miriti (Mauritia flexuosa)."

"Os estipes esbranquiçados e lustrosos, com diâmetro de 45 a 60 cm, e que erguem bem alto a sua ampla cabeleira de folhas em leque, estão tão juntos uns dos outros, que chegam a imitar a paliçada de uma vasta fortificação."

"As copas agitadas ao vento e o barulho do rio combinam suas vozes de maneira tão singular, que nos parecia estar diante do antigo coro das dríades a clamar os seus versos."

"Aos murmúrios do rio vinha juntar-se ainda o grasnar das numerosas araras-azuis (Anodorhynchus hyacinthinus), que fazem ninho naquelas palmeiras."

"A solidão da ilha deserta e das aves que são os seus únicos habitantes, a peculiaridade da região e a extensão daquela planície líquida que bem pode ser chamada de um oceano de água doce, parecem ter sido assim dispostos para que se manifestasse esta força incontrolável da natureza."

"Toda essa comoção do nosso espírito aumenta quando vemos a multidão de troncos arrancados pela força do rio. [...] Mesmo estas árvores tão vigorosas, que parecem ter vencido séculos de existência, podem ser arrebatadas, como efêmeros animaizinhos, na brevidade de um instante."

"E jazem aqueles troncos, já despojados das suas palmas, perto uns dos outros e muitas vezes superpostos, ou então espalhados, sem nenhuma ordem, pelas areias da praia e pela lama do rio."

"Uns a rápida podridão destrói. Outros a maré arrebata novamente [...] e lança-os das águas para a terra, quando não os carrega para a imensidão do oceano. E as próprias árvores que ainda estão no esplendor de sua força parecem soprar nos ouvidos: lembra-te de que hás de morrer."

"É como disse o mais profundo dos poetas romanos: Tudo passa, a natureza muda todas as coisas e obriga tudo a voltar, pois se alguma coisa se corrompe e com o tempo perde sua força, logo em seguida surge algo novo nascido do que se perdeu (Lucrécio, v. 830)."

Créditos: história

Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Esta história foi baseada no texto explicativo que acompanha a litografia n. 41 da Flora Brasiliensis (Martius 1906: 106-107).

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

Créditos: todas as mídias
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