Um Olhar Sobre o Legado da Viagem de Spix e Martius pelo Brasil

A viagem de Spix e Martius pelo Brasil (1817-1820) - parte 7

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Rancho não muito longe da Serra do Caraça (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

Essa longa viagem, que custou muita dedicação e persistência de Spix e Martius, jamais poderia ter sido realizada sem apoio e ajuda de guias, tradutores, tropeiros, escravos e indígenas. Enfim, pessoas de todas as camadas sociais que conheciam o país, sua natureza e cultura.

Estátua Spix (2003), de Helmut KunkelFonte original: Wikimedia Commons

Os resultados dessa viagem se perderiam se Spix e Martius não a transformassem em inesgotável fonte para a sua produção intelectual. E nisso Martius, em particular, foi exitoso, ao contrário de seu companheiro de viagem, que voltou muito doente, falecendo seis anos mais tarde.

Bothrops surucucu, Spix, Johann Baptist von; Wagler, Johann Georg, 1824, Fonte original: Wikimedia Commons
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Testudines, Martius, Karl Friedrich Philippp von; Spix, Johann Baptist von, 1838, Fonte original: Wikimedia Commons
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Ainda assim, Spix publicou muitos estudos sobre a fauna brasileira. E dos animais por ele coletados e levados para a Europa, a maioria não foi destruída durante os bombardeios da 2a Guerra Mundial e se encontra hoje na Zoologische Staatssammlung München. (https://zsm.snsb.de)

A distribuição anterior e supostas migrações dos Tupis. Os principais grupos de idiomas atuais (1867), de Martius, Karl Friedrich Philippp vonFonte original: Wikimedia Commons

A obra científica de ambos focou sobretudo assuntos brasileiros. Martius publicou vários estudos sobre os indígenas brasileiros, sua história, seu estado de direito, suas práticas medicinais, sua língua e costumes.

Como se deve escrever a historia do Brazil (1845), de Martius, Karl Friedrich Philippp vonFonte original: SCRIBD

Martius também dedicou-se à historiografia. No tratado “Como se deve escrever a história do Brasil”, destinado a um concurso no IHGB, o naturalista sublinha a contribuição dos negros, indígenas e europeus na formação da nação brasileira, valorizando a miscigenação.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 25 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

A expedição pelo rio Japurá, no alto Amazonas, foi também inspiração para Martius escrever um romance, bem no estilo romântico, em que se problematiza a ação dos brancos colonizadores, a tentativa de catequização dos indígenas e de seu trágico extermínio.

Spix Reiseatlas original 58 (1823), de Johann Baptist von Spix, Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: Wikimedia Commons

O romance "Frey Apollonio" permaneceu em manuscrito por mais de 150 anos, vindo a ser publicado apenas em 1994.  Nesse romance, Martius adota uma postura mais humanista, fazendo uma espécie de autocrítica às suas visões negativas e racistas sobre os indígenas.

Correspondência, 1827 (1827), de Martius, Carl Friedrich Philipp vonFonte original: Staatsbibliothek zu Berlin

Martius construiu uma ampla rede de trocas de saberes, tanto na Academia de Ciências como na Universidade, mas também com muitos interlocutores na Europa e no Brasil. No acervo de manuscritos da Biblioteca Estadual da Baviera encontram-se ca. de 11.000 cartas de/para Martius.

LIFE Photo Collection

Dentre os correspondentes contam Alexander von Humboldt, Georges Cuvier, linguistas como Jakob Grimm, poetas como Goethe. E colegas que estiveram no Brasil, como Wilhelm von Eschwege, Princípe Wied-Neuwied, Alcide Orbigny, Ferdinand Denis, August Saint-Hilaire, entre outros.

Coroação de D. Pedro II (estudo) (1840/1849), de Manuel de Araújo Porto AlegreMuseu Histórico Nacional

Do lado brasileiro, d. Pedro II, o pintor Araújo de Porto Alegre, o historiador Francisco A. Varnhagen, os botânicos Francisco Freire Alemão e José de Saldanha da Gama, o escritor e jornalista Januário da Cunha Barbosa, o naturalista e engenheiro Barão de Capanema e tantos mais.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 57 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Hoje em dia, a vasta obra (publicada e em manuscritos), os herbários, as coleções mineralógicas e zoo-botânicas, de artefatos indígenas e de melodias de Spix e Martius formam um enorme caudal para a investigação de todas as disciplinas, possibilitando a compreender o passado.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Karen Macknow Lisboa (Universidade de São Paulo)
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos curadores que forneceram imagens para esta história.

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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