CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Fernando B. Matos, Luiza de Paula & Julia Kovensky

A arte proveniente da pedra: o que é litografia?

Aprenda sobre a técnica utilizada para produzir as gravuras da Flora Brasiliensis

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Interieur de l'imprimerie lithographique de LemercierFonte original: Instituto Moreira Salles

Desenvolvimento da comunicação visual

O século XIX foi um período crucial para o desenvolvimento da comunicação visual, estabelecendo os fundamentos da comunicação de massa como a conhecemos atualmente.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 59 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Imagens em larga escala

Nesse período formou-se um mercado cada vez mais interessado em consumir álbuns, livros de viagens, revistas e jornais ilustrados, e isso estimulou a invenção de mecanismos e técnicas que permitiram reproduzir imagens em larga escala.

O Dedo de Deus na Serra dos Órgãos (1867), de George LeuzingerFonte original: Brasiliana Fotográfica

Litografia e fotografia

Duas grandes invenções foram criadas e amadureceram no decorrer desse século: a litografia e a fotografia.

Litografia, de Gravura ContemporâneaFonte original: Gravura Contemporânea

Mas o que é litografia?

O próprio nome da técnica já nos dá pistas sobre o procedimento, em grego antigo, líthos = pedra e gráphein = escrever.

Alois Senefelder, inventor da litografiaFonte original: Meisterdrucke

A técnica da litografia

Inventada no final do século XVIII por Alois Senefelder, essa técnica de impressão utiliza a pedra como matriz e é baseada no princípio de repulsão entre gordura e água. O desenho é feito sobre uma pedra de composição calcária com tinta ou lápis litográficos, ambos gordurosos.

Litógrafo (1874), de Louis PrangFonte original: Wikimedia commons

A técnica da litografia

Utiliza-se, então, uma solução de goma arábica acidulada para cobrir toda a superfície. As partes protegidas pela gordura ficam lisas, enquanto as partes expostas são atacadas pelo ácido e adquirem uma textura porosa.

Chromolithographic Art Institute (1931), de Atelier Hermann WalterFonte original: Wikimedia commons

A técnica da litografia

A matriz é limpa e levada à prensa litográfica, onde é umedecida e, com a ajuda de um rolo, é aplicada uma tinta gordurosa. As áreas porosas, que absorveram a água, repelem a tinta, que fica retida apenas sobre as áreas lisas da pedra, que definem a imagem a ser impressa.

Técnica litográfica, de Simon BurderFonte original: Stone lithography

Transferência de gravuras

Portanto, é possível transferir as gravuras da pedra para o papel.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 30 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Flora Brasiliensis

As estampas que ilustram a monumental obra Flora Brasiliensis  (1840-1906), de von Martius, foram todas feitas com essa técnica de litografia. No total, são 3811 estampas, com detalhes de plantas e paisagens de diferentes regiões do Brasil.

Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 19 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Litografia a duas cores

Nesse caso, são utilizadas duas matrizes, que são entintadas com cores diferentes. No século XIX, era muito comum o emprego das cores preto e sépia, o que dava mais recursos visuais. As matrizes são impressas sobre o mesmo papel, de modo a deixar imagens sobrepostas.

Tintas para impressão (2011), de Sumner MurphyFonte original: Wikimedia commons

Cromolitografia

Para impressões coloridas, deve-se usar uma pedra para cada cor. Nesse caso, torna-se necessária uma complexa decomposição da imagem original, resultando em camadas de cores de impressão. Cada camada é aplicada no impresso por uma pedra diferente.

Clusia insignis (1832), de Carl Friedrich Philipp von MartiusFonte original: flickr

Litografias coloridas

Assim foram feitas as 300 litografias de uma das principais obras de Martius, o "Nova genera et species plantarum, quas in itinere per Brasiliam (1824-1832)", com a descrição de 400 espécies novas e 70 gêneros novos de plantas.

Mesa com materiais para xilogravura, de Freyda Spira e Liz ZanisFonte original: The Metropolitan Museum of Art

A revolução da litografia

A litografia foi revolucionária porque permitiu que pintores e desenhistas trabalhassem diretamente na pedra, eliminando a necessidade de entalhar a matriz. Isso facilitou muito o processo, agilizando a produção em comparação à xilogravura (madeira) e calcogravura (metal).

Democratização do conhecimento

A nova técnica permitiu a reprodução de imagens em larga escala, contribuindo para a difusão e democratização do conhecimento. Este vídeo apresenta, de forma belíssima, um passo-a-passo do processo de litografia.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Fernando B. Matos (CRIA), Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA) & Julia S. Kovensky (Instituto Moreira Salles)
Montagem: Fernando B. Matos & Luiza F. A. de Paula
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Nova genera et species plantarum, vol. 3 (https://www.biodiversitylibrary.org/page/744493).
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e personagens da história

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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