CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Joelcio Freitas; Elton John de Lírio & Ariane Luna Peixoto
Alexander von Humboldt & Aimé Bonpland (1870)Fonte original: Wikimedia Commons
Nos séculos anteriores ao XX, a ciência era um mundo predominantemente de homens e na Botânica não foi diferente. A presença de mulheres em campo, em busca de documentação e caracterização da flora e nas múltiplas atividades de laboratório era escassa.
Therese Charlotte Marianne Auguste (1850-1925) seguiu o caminho da ciência. Era a única filha do príncipe Luitpold da Baviera e sua mulher, a princesa Augusta Ferdinand, que tiveram outros três filhos homens. Luitpold assumiu o trono do reino em 1886 e governou até 1912.
O interesse da Princesa pelas ciências naturais levou-a a estudar zoologia, botânica, geografia e etnografia com célebres professores. Estudou também idiomas. Como lazer, fazia caminhadas, canoagem, natação, patinação e equitação. Um de seus sonhos era conhecer a América do Sul.
Cabana em CorarezinhoFonte original: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin
Entre os meses de janeiro e outubro de 1888 a Princesa Therese veio ao Brasil. O objetivo declarado de sua viagem era conhecer o país, visitar tribos indígenas, colecionar elementos da flora e da fauna, além de reunir materiais etnográficos.
Aportou em Belém e percorreu o Amazonas rio acima até Manaus, adentrando uma parte do rio Negro. Percorreu também outros locais da costa oriental do Brasil. Fazia trajetos a pé, a cavalo, navio ou canoa, almejando realizar estudos científicos e enriquecer seu museu particular.
Rio ItapemirimFonte original: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin
Sua expedição no ES ocorreu entre 26 de agosto e 13 de setembro. Aportou em Vitória, vinda do Rio de Janeiro e no dia seguinte seguiu de canoa pelo rio Santa Maria da Vitória, em direção às serras capixabas. Estivera antes, em passagem ligeira, em Barra do Itapemirim e Guarapari
Indios BotocudosFonte original: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin
A destemida exploradora adentrou nas florestas do ES para estudá-las com paixão, bem como aos índios botocudos. Não abria mão da câmera fotográfica, que além de inovadora, conferiu singularidade aos seus registros. Fez também desenhos à mão, que posteriormente eram aperfeiçoados
Acampamento no rio DoceFonte original: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin
A serenidade da Princesa Therese vestida com saia longa, blusa de mangas compridas e tendo nas mãos uma sombrinha e um chapéu de aba redonda, sentada à entrada da barraca de lona incapaz de proteger de chuvas fortes, revela o desprendimento que a impulsionou em suas expedições.
Ponte na Província do Espírito SantoFonte original: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin
Nesta expedição percorreu rios, matas e áreas agrícolas, vilas e cidades, em trajeto por Cachoeiro, Vitoria, Santa Leopoldina, Santa Teresa, Mutum, Linhares, Anchieta, Santa Cruz, Carapina, Vila Velha e outros povoados.
Plantas fotografadas no Espírito SantoCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Fez anotações sobre geografia, clima, atividades econômicas, costumes e espécies da fauna e flora, com riqueza de detalhes. As espécies por ela observadas, muitas das quais coletadas e herborizadas, podem ainda ser registradas na natureza nos dias atuais.
Em 1897 Therese publicou o livro "Minha Viagem aos Trópicos Brasileiros" onde destaca e agradece a diversas pessoas ligadas à coleções científicas ao redor do mundo. Cita dois cientistas que trabalhavam no Brasil: Emilio Goeldi, no Pará, e Orville A. Derby, geólogo, em São Paulo.
O resultado de suas viagens foi a criação de uma coleção particular formada por 2.438 objetos, a maioria de cunho etnográfico, e uma vasta produção escrita. Sua coleção integra o Museu Estatal de Etnologia de Munique.
Assinava coletas e obras como Th. von Bayern, talvez para evitar represália e discriminação por ser mulher. Foi eleita membro honorário de sociedades científicas e recebeu título de Doctor Honoris Causa. Em sua homenagem foi descrita a planta Macairea theresiae Cogniaux
A Flora Brasiliensis, publicada entre 1840 e 1906, teve como base exemplares coletados por 135 pessoas, entre as quais apenas duas mulheres: Maria Graham e Therese Prinzessin von Bayern. O primeiro volume dessa monumental obra apresenta a súmula biográfica de todos coletores.
Pesquisa e redação: Joelcio Freitas (Instituto Nacional da Mata Atlântica); Elton John de Lírio (USP; Instituto Tecnológico Vale) & Ariane Luna Peixoto (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro )
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA); Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Meine Reise in den Brasilianischen Tropen von Therese Prinzessin von Bayern (https://digital.bbm.usp.br/view/?45000008101&bbm/4514#page/1/mode/2up); Viagem ao Espírito Santo (https://ape.es.gov.br/Media/ape/PDF/Livros/Viagem_ao_Espírito_Santo.pdf).
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Aos autores das imagens e personagens da história.
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br