CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Stephen A. Harris
Mapa da viagem de Gardner pelo BrasilFonte original: Gardner, G (1849) Travels in the interior of Brazil, principally through the northern provinces, and the gold and diamond districts, during the years 1836-1841. Reeve, Benham, and Reeve: London, insert map.
Entre julho de 1836 e junho de 1841, George Gardner (1810-49) viajou pelo território que corresponde hoje a 11 estados brasileiros. Coletou dezenas de milhares de espécimes de plantas na caatinga, cerrado e mata atlântica. Também abriu depósitos de peixes fósseis no Ceará para investigação científica.
Sarcomphalus joazeiroFonte original: von Martius, C, Eichler, AG and Urban, I (1861) Flora Brasiliensis, vol. 11. R. Oldenbourg: Monachii et Lipsiae, t.27.
O trabalho de campo de Gardner transformou o conhecimento da flora brasileira. Centenas de coletores contribuíram para a Flora Brasiliensis, mas cerca de um quarto de todos os espécimes usados foram coletados por cinco pessoas. Gardner esteve entre esses coletores.
William Jackson HookerFonte original: Hooker, JD (1902) A sketch of the life and labours of Sir William Jackson Hooker. Annals of Botany 16: ix-xc, frontispiece.
Gardner nasceu na costa oeste da Escócia. Em 1829, tornou-se estudante de cirurgia na Universidade Andersonian (Glasgow), onde seus talentos como colecionador de plantas foram notados por William Jackson Hooker (1785-1865).
Sphagnum do Musci Britannici de GardnerFonte original: Gardner, G (1836) Musci Britannici, or pocket herbarium of British mosses. Allan & Ferguson: Glasgow, f.2.
O Musci Britannici (1836) chamou a atenção de Hooker para Gardner. Hooker reconheceu as características de um colecionador de plantas de primeira classe: paciência; atenção aos detalhes; tenacidade; eficiência organizacional; e, talvez o mais importante, sorte.
Cattleya labiataFonte original: Hooker, WJ (1843) Cattleya labiata. Crimson-lipped cattleya. Curtis’s Botanical Magazine 69: t.3998.
Após chegar ao Rio de Janeiro, Gardner aprendeu a ser um botânico tropical enquanto explorava a cidade e seus arredores. Na Gávea, ele avistou esta orquídea, Cattleya labiata, que considerava segura ‘longe do alcance do colecionador ganancioso’.
Schlumbergera russellianaFonte original: Hooker, WJ (1840) Epiphyllum russellianum. The Duke of Bedford’s epiphyllum. Curtis’s Botanical Magazine 66: t.3717.
A Schlumbergera russelliana, dedicada ao ‘generoso patrono de Gardner, Sua Graça, o Duque de Bedford’, foi descoberta em altitudes elevadas na Serra dos Órgãos. Um híbrido com uma espécie de mata atlântica de baixa altitude deu origem ao cacto-de-natal cultivado.
Aosa rupestrisFonte original: Gardner, G (1844) Loasa rupestrisGardn. Hooker’s Icones Plantarum 7: t.663.
Tipótipo de Aosa rupestris, uma urtiga rupícola endêmica do nordeste do Brasil, descoberta pela primeira vez por Gardner em locais secos e rochosos na divisa oeste do Ceará. O desenho original foi feito por Mary Fielding, esposa de um dos compradores das amostras de Gardner.
Allamanda blanchetiiFonte original: Hooker, JD (1890) Allamanda violacea. Curtis’s Botanical Magazine 116: t.7122.
Allamanda blanchetii é um arbusto endêmico do Brasil. Em 1844, com base em suas coleções do Ceará, Gardner a descreveu como espécie nova. Infelizmente, ele desconhecia um nome válido anterior. Gardner ficou especialmente impressionado com o potencial horticultural da planta.
Ruizterania gardnerianaFonte original: Gardner 2841 (isotype).
Isótipo de Ruizterania gardneriana, uma árvore endêmica do Piauí. Gardner a viu apenas uma vez durante sua viagem pelo Brasil, na Fazenda Santa Rosa. O fazendeiro mandou derrubar a árvore para que Gardner pudesse coletar esse exemplar.
Banisteriopsis gardnerianaFonte original: Gardner 2502 (type).
Tipo de Banisteriopsis gardneriana, uma trepadeira lenhosa endêmica amplamente distribuída pelo cerrado e caatinga. A espécie foi nomeada em homenagem a Gardner, com base neste exemplar que ele coletou no Piauí.
Aldama grandifloraFonte original: MS Sherard 393, f.54-55.
Gardner tinha especial interesse em Asteraceae. Esta ilustração em nanquim, feita por Mary Fielding, mostra o tipo da endêmica brasileira Aldama grandiflora, que ele coletou em Dianópolis (Tocantins) em 1839.
Melinis minutifloraFonte original: Gardner 4393.
Durante suas viagens, Gardner observou mudanças antropogênicas na vegetação brasileira. Apesar das opiniões predominantes, ele estava convencido de que algumas plantas aparentemente nativas foram introduzidas, como este capim africano Melinis minutiflora, que ele coletou em Goiás.
Viajantes em Minas Gerais, por RugendasFonte original: Rugendas, JM (1835) Voyage pittoresque dans le Brésil. Engelmann & cie.: Paris, 2a Div., t.18.
Ao viajar pelo interior do Brasil, Gardner adotou os costumes e o vestuário das populações locais. Roupas típicas dos mineiros do início do século XIX são retratadas na litografia Habitans de Minas (1835), de Johann Moritz Rugendas.
Passiflora speciosaFonte original: MS Sherard 393, f.17.
Gardner coletou Passiflora speciosa próximo a Cocaes em 1840. Apesar de exausto e desesperado por dinheiro, considerou Cocaes a cidade mais bonita e bem situada que viu em Minas Gerais. Este desenho foi feito por Mary Fielding.
Sinningia polyanthaFonte original: Hooker, WJ (1843) Gesneria polyantha. Many-flowered gesneria. Curtis’s Botanical Magazine 69: t.3995.
Na Grã-Bretanha, Gardner começou a publicar. Passagens breves como professor em Glasgow e curador de herbário levaram à sua nomeação como Diretor do Jardim Botânico de Peradeniya, no Sri Lanka. Morreu na ilha aos 39 anos; a maior parte de sua pesquisa no Brasil permaneceu inédita.
Pesquisa e redação: Stephen A. Harris (Departamento de Biologia, Universidade de Oxford).
Montagem: Fernando B. Matos (CRIA)
Referências: Arquivos dos Jardins Botânicos Reais de Kew e Herbários da Universidade de Oxford; Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus); Gardner, G (1849) Travels in the interior of Brazil, principally through the northern provinces, and the gold and diamond districts, during the years 1836-1841. Reeve, Benham, and Reeve: Londres (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/518667); Harris, SA (2018) Snapshots of tropical diversity. Collecting plants in Colonial and Imperial Brazil. In: A MacGregor (ed) Naturalists in the field. Brill: Leiden, pp. 550-77; Harris, SA (submetido) George Gardner’s Musci Britannici (1836): a gateway into tropical botany. Journal of the History of Collections; Harris, SA (manuscrito de livro não publicado) George Gardner in Brazil (1836-1841).
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories