CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Luiza F. A. de Paula & Renato de Giovanni

Pequi: um caso de amor e ódio

Conheça mais sobre o pequi, o polêmico fruto do pequizeiro, árvore nativa do Cerrado brasileiro

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Árvore de Caryocar brasiliense (pequi) (2023), de Luiza de PaulaCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Pequizeiro

O pequizeiro (Caryocar brasiliense), da família Caryocaraceae, é uma planta arbórea nativa e emblemática do Cerrado brasileiro. Seus troncos são retorcidos e sua casca é grossa. 

Vol. XII, Part I, Fasc. 97 Plate 73 (1886-04-01)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Pequizeiro na Flora Brasiliensis

Esta litogravura do pequizeito está presente na obra Flora Brasiliensis, resultado da viagem dos alemães Spix e Martius pelo Brasil (1817-1820), naturalistas que registraram boa parte da flora brasileira.

As folhas

As folhas do pequizeiro (que podem medir até 20 cm) são formadas por três folíolos recobertos com pequenos pêlos, que geralmente são utilizados para a produção de adstringentes.

As flores

As flores são brancas, grandes e chamativas, com cinco pétalas e longos estames (apêndices finos, que são a parte masculina da flor). São polinizadas principalmente por morcegos mas também visitadas por abelhas grandes e beija-flores. A floração ocorre entre agosto e novembro.

Flor do pequi, Nina Wenóli, 2022, Fonte original: iNaturalist
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Folhas do pequi, Luiza de Paula, 2023, Da coleção de: CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
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Detalhes da flor e da folha do pequizeiro na natureza.

Frutos do Caryocar brasiliense (pequi), Manequinho, 2023, Fonte original: iNaturalist
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Fruto aberto do Caryocar brasiliense (pequi), Luísa Salema, 2022, Fonte original: iNaturalist
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O pequi é fruto do pequizeiro. Sua polpa é amarela, oleaginosa e aromática. A frutificação ocorre no período chuvoso, entre outubro e fevereiro. É um fruto polêmico, ao passo que alguns amam seu sabor, outros já odeiam seu gosto e as surpresinhas que eles carregam.

Arroz com pequi, de Felipe RibeiroCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Fruto amado

De sabor marcante e peculiar, existem muitos amantes do pequi, que o consomem cozido e puro. O fruto é comumente usado no preparo de arroz, licores, conservas, doces e sorvetes.

Pequi no mercado (2006), de Mateus HidalgoFonte original: Wikimedia Commons

Um gosto de Minas Gerais

O pequi é um fruto símbolo da cultura e da culinária da região norte do estado de Minas Gerais. Existe até mesmo uma cidade no estado que leva o nome do fruto. Em mercados locais, o pequi domina as barracas.

Espinhos do pequi, de Ernani CalazansCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Pele com espinhos

Uma das etimologias possíveis de origem da palavra pequi vem do tupi, significando "pele com espinhos", devido aos minúsculos espinhos dispostos no caroço e inseridos logo abaixo da polpa, em volta da amêndoa.

Pequis, polpas e suas castanhas (2017), de Neide RigoCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Fruto odiado

Pelos seus espinhos, o fruto deve ser cuidadosamente roído entre os dentes ao invés de mordido, ou deve-se fazer uso de um utensílio para raspar a polpa. Por isso, muitos odeiam o pequi, pois já tiveram sua língua e gengiva fincadas. O sabor peculiar também não agrada a todos.

Caryocar brasiliense (pequi) (2017), de Rafael CarrieriCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Para além do sabor

Amado ou odiado, para além do sabor o pequi tem diferentes usos. Seu óleo  (extraído da polpa e da amêndoa) é utilizado na fabricação de cosméticos e para a produção de biodiesel. Outros estudos identificaram suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Esquilo com pequi (2016), de José Eugênio Côrtes FigueiraCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Outros consumidores

Os frutos do pequi também são fonte de alimento para outras espécies, como antas, catetos, araras e esquilos, que contribuem para sua dispersão, porém em distâncias relativamente curtas, pois poucos conseguem engolir uma semente desse tamanho.

Ilustração da preguiça-gigante (1896), de Henry Neville HutchinsonFonte original: Extinct monsters: a popular account of some of the larger forms of ancient animal life

Consumido no passado por gigantes?

Estudos sugerem que a extinção de espécies da megafauna, há 10 mil anos atrás, pode ter impactado significativamente o potencial de dispersão de árvores com sementes grandes como a do pequi. A preguiça-gigante, por exemplo, ocorria nas mesmas regiões onde hoje temos pequizeiros.

Arara comendo pequi (2011), de Felipe Matheus Laurindo de OliveiraCRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental

Desafios da conservação

A limitação no potencial de dispersão do pequizeiro é apenas um dos desafios para sua sobrevivência a longo prazo...

Árvore do pequi (2021), de Silvia Harumi KamazukaFonte original: iNaturalist

Ouro do Cerrado

Apesar de polêmico no quesito do paladar, o pequi é conhecido como “Ouro do Cerrado”. Políticas públicas focadas no uso sustentável do pequizeiro têm buscado formas de preservar a espécie, já que o Cerrado vem perdendo grande extensões para a monocultura e centros urbanos.

Frutos e sementes (2018), de Leandro MouraFonte original: Wikimedia Commons

Mais fãs do pequi?

Há ainda estudos visando melhoramentos genéticos no pequizeiro, que buscam mais rendimento da parte comestível e a criação de pequi sem espinhos. De repente, em breve o pequi ganhará ainda mais fãs para aqueles em que o problema maior eram os espinhos.

Créditos: história

Pesquisa e redação: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA) & Renato De Giovanni (CRIA)
Montagem: Luiza F. A. de Paula (UFMG/CRIA) 
Revisão: Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e personagens da história

*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br

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