CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Luiza F. A. de Paula, Núria Manresa, Elisa Marques
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. unplaced Column 1000CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Tabulae Physiognomicae
A Flora Brasiliensis apresenta no primeiro volume as Tabulae Physiognomicae, que é uma seção com 59 pranchas paisagísticas litografadas de diversas regiões fitogeográficas brasileiras.
Registros das paisagens
As pranchas da Flora Brasiliensis deixaram registros de como foram nossos biomas, seus estados de conservação na época, e possibilitam nos dias de hoje a nossa comparação entre passado, presente e até mesmo do futuro. No mapa, os biomas são coloridos na perspectiva de Martius.
Carl Friedrich Philipp Von Martius (1794-1868)
O naturalista Martius, editor da Flora Brasiliensis, apesar de registrar inúmeras paisagens prístinas, fez considerações sobre a devastação após a chegada dos colonizadores portugueses. Martius, portanto, já vislumbrava problemas futuros e previa os desafios do Antropoceno.
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 41 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Antropoceno
Antropoceno é um termo usado por alguns cientistas para descrever o período mais recente na história do Planeta Terra.
Ainda não há data de início precisa e oficialmente apontada, mas muitos pesquisadores consideram que começa no final do Século XVIII, quando as atividades humanas começaram a ter um impacto global significativo no clima da Terra e no funcionamento dos seus ecossistemas.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 16 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Força exploratória
Muitas vezes nos planos de fundo, mas também enquanto protagonista de alguns dos quadros, as cenas de queimadas, as monoculturas e o desmatamento evidenciam a força exploratória do empreendimento colonial.
Imagens conflituosas
Justapostas, as imagens produzem um contraste entre expressões tanto da abundância como da escassez, da potência como da fragilidade, ora do ser humano, ora da natureza. Admirada ou dominada, trata-se de uma natureza que é sempre externa, apartada do ser humano.
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 44 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Plantações de café
A prancha litografada (1855) por August Brandmayer segundo desenho natural (1836) executado por Johann Steinmann, dá uma boa idéia da constituição das plantações de café na Serra dos Órgãos, no caminho para Teresópolis.
Ausência de grandes árvores
Atenção para a área desmatada à direita da imagem. Martius já apresentava preocupação quanto à pobreza do solo que, após algumas colheitas, era abandonado e substituído pela capoeira caracterizada pela ausência das "grandes árvores originais de lento crescimento".
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 21 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Queimadas
A prática das queimadas foi também retratada na Flora Brasiliensis. Martius fez questão de abordar sobre os agravos provocados ao meio ambiente pelas frequentes queimadas, características do manejo brasileiro quando do desmatamento da vegetação natural para plantio.
Em relação ao desmatamento para o cultivo de espécies exóticas (ex. bananas e agaves, apresentadas nas imagens), no livro Viagem pelo Brasil, Martius escreveu: "pela atividade civilizatória deste país em vigoroso progresso, a natureza está sendo transformada em muitos aspectos”. Ele estimulou que se iniciassem, sem demora, mais investigações sobre a flora e fauna dos biomas, “antes que a mão destruidora e transformadora do homem tenha obstruído ou desviado o curso da natureza”.
No ímpeto de construir um mundo único e cada vez mais novo, nos esquecemos, ou, talvez, tenhamos desistido de verdadeiramente habitar o planeta. O foco está em projetar, produzir, planificar, terraplanar, edificar, lotear, urbanizar. De agora em diante, como considerar para além dos interesses humanos? Como imaginar formas de cohabitação que incluam toda uma rede de alianças, hoje relegada à função de entorno?
Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 18 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Técnicas em simbiose
Na contramão da lógica exploratória, sabemos hoje, através das pesquisas arqueológicas, que em várias regiões fitogeográficas brasileiras havia ambientes cultivados pelos habitantes originários através de sofisticadas técnicas em simbiose com outros seres.
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 35 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Como habitar, estar, cultivar e criar o mundo?
Em meio a um mundo que estimula o imediatismo, a possibilidade da pesquisa alimenta processos de decantação e reflexão em profundidade. É uma abertura à diferença, que pode fortalecer a multiplicidade de formas de existências (resistências).
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 36 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
O legado
A Flora Brasiliensis nos deixou um legado para refletirmos sobre o aprendizado com experiências outras de relações entre humanos e não humanos, que constituem-se na forma de redes complexas. Para onde estas pranchas nos levam a extrapolar?
Profundidade, margens e extracampo
Na profundidade, nas margens, ou ainda que no extracampo dessas imagens, será que podem ser evocadas outras formas de relações entre humanos e não-humanos, outros modos de viver e de conceber a vida?
Flora Brasiliensis: Vol. I, Part I, Fasc. See Urban Plate 9 (1906)CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Flora Brasiliensis: rede colaborativa
O mesmo espírito colaborativo que produziu a Flora Brasiliensis pode nos inspirar a criar redes de solidariedade, onde política, economia, cultura e ecologia caminhem juntas, estabelecendo outras conexões, mais plurais, que revelem formas de ficar (não de sair) do mundo.
Flora Brasiliensis: rede colaborativa
Quais pistas as imagens da Flora brasilienses nos dão sobre o modo de viver, cuidar e produzir biodiversidade antes da colônia? Como estas imagens podem nos ajudar a imaginar possibilidades de produzir, em companhia, um espaço biodiverso e saudável para humanos e não-humanos?
Pesquisa e redação: Luiza F. A. de Paula (Universidade Federal de Minas Gerais / CRIA), Núria Manresa (Universidade Federal de Minas Gerais ), Elisa Marques (Universidade Federal de Minas Gerais )
Montagem: Luiza F. A. de Paula
Revisão: João Renato Stehmann (Universidade Federal de Minas Gerais ), Renato De Giovanni (CRIA)
Referências: Flora Brasiliensis (http://florabrasiliensis.cria.org.br/opus), Viagem pelo Brasil (https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/573991)
Informações adicionais: http://florabrasiliensis.cria.org.br/stories
Agradecimentos: Todos os autores das fotos e personagens da história
*Todos os esforços foram feitos para creditar as imagens, áudios e vídeos e contar corretamente os episódios narrados nas exposições. Caso encontre erros e/ou omissões, favor entrar em contato pelo e-mail contato@cria.org.br