Vida nas Árvores

Uma exploração microscópica de uma árvore gigante

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Guardaparques e Dipteryx (28 de junho, 2022), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Quantificando a biodiversidade no hotspot Amazônia-Andes

"Quantos organismos habitam uma árvore?" — uma pergunta que parece simples à primeira vista, mas que é surpreendentemente difícil de responder.

Dipteryx emergente (06 de maio, 2023), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Árvores gigantes

Especialmente para as maiores árvores, que na Amazônia podem atingir mais de 50 metros de altura e copas com até 50 metros de diâmetro. Mover-se por essas árvores é como navegar por um prédio de 15 andares ou escalar a Estátua da Liberdade.

Imagem a laser

Para evitar se perder em uma árvore assim — onde nem é possível ver as pontas dos galhos de dentro da copa — mapear a árvore usando um laser que captura uma imagem 3D é extremamente útil.

Acesso à copa

Coletar amostras seria impossível sem a ajuda de escaladores especializados, que auxiliam os pesquisadores a acessar áreas ao longo do tronco e coletar material nos pontos mais perigosos, como o topo da copa ou as extremidades dos galhos.

Tapete de musgos (15 de outubro, 2023), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Musgos

Na base da subida, é possível observar musgos concentrados no lado mais úmido do tronco e líquens no lado mais seco. Musgos são plantas não vasculares e, em uma superfície do tamanho de um maço de cigarros, podem ser encontradas uma dúzia ou mais de espécies — seja em galhos ou folhas.

Líquens sobre a folha de uma árvore (10 de julho, 2021), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Líquens: fungos com parceiros fotossintéticos

O mesmo ocorre com os líquens, que são uma associação simbiótica entre um fungo e uma alga, sendo a alga responsável por fornecer energia por meio da fotossíntese.

Microfungos da folha de uma árvore (08 de setembro, 2022), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Fungos

Fungos grandes são raros nas árvores, aparecendo principalmente em madeira morta. No entanto, fungos microscópicos habitam a madeira viva e as folhas. Pouco se sabe sobre seu modo de vida, mas até cem espécies podem ser encontradas em uma única árvore.

Orquídea (11 de fevereiro, 2024), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Plantas epífitas

Ao chegar aos galhos semi-horizontais, encontra-se uma grande variedade de plantas chamadas epífitas, que crescem sobre outras plantas — neste caso, a árvore. Na América do Sul, há uma diversidade especialmente grande de orquídeas, às vezes mais de 100 espécies em uma única árvore, muitas vezes difíceis de perceber devido às flores minúsculas.

Bromélia tanque (10 de maio, 2023), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Bromélias reservatório

Bromélias, plantas da família do abacaxi, também são abundantes. Com suas folhas em forma de roseta, atuam como reservatórios naturais, coletando e retendo a água da chuva.

Protistas, organismos que não são plantas, animais ou fungos

Nesses mini-aquários, a vida minúscula prospera — alguns unicelulares, como os ciliados que nadam com pequenos cílios e se alimentam de bactérias; outros multicelulares, como as algas verdes filamentosas que usam a luz do sol para produzir alimento e formam a base da cadeia alimentar aquática.

Bromélia e animais (22 de abril, 2022), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Animais

Esses pequenos reservatórios também abrigam invertebrados, como larvas de libélula e outros insetos aquáticos. Algumas pererecas usam esses ambientes em parte do seu ciclo de vida. Aves também visitam para beber ou tomar banho, como mostram os traços de DNA deixados na água.

Ficus e Sloanea (18 de setembro, 2023), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Mata Atlântica

Próximo ao Rio de Janeiro, outra grande árvore está sob observação rigorosa (projeto Araçá). Ela fica em um dos últimos remanescentes da Mata Atlântica, que perdeu quase 92% de sua área. Se a floresta desaparecer, o abastecimento de água da grande cidade estará ameaçado.

Desmatamento (16 de junho, 2014), de Maurice LeponceFonte original: Life on Trees

Árvores como mini-ecossistemas

Encontramos mais de mil espécies vivendo em uma única árvore amazônica, e muitas outras ainda por descobrir. Derrubar uma árvore significa perder essa vasta comunidade interconectada, vital para a resiliência da floresta às mudanças climáticas e outros distúrbios.

Apoiando comunidades locais (07 de março, 2025), de Angela Celis TarazonaFonte original: Life on Trees

Apoiar as comunidades locais é fundamental para a proteção das florestas.

Para proteger as florestas, as comunidades locais precisam ser apoiadas e se beneficiar das pesquisas sobre biodiversidade. O projeto Life on Trees envolveu guardas florestais e escolas no Peru, e trabalhou com a equipe de Apropriação Social do Instituto Humboldt na Colômbia.

Créditos: história

Autores: Maurice Leponce (Instituto Real Belga de Ciências Naturais) & Olivier Pascal (FDD Biotope)
Edição: Fernando B. Matos (CRIA)
Revisão: Fernando B. Matos (CRIA)
Referências: Leponce et al. (2024) Frontiers in Forests and Global Change 7 (https://doi.org/10.3389/ffgc.2024.1425492); https://www.youtube.com/@LifeOnTrees-research
Agradecimentos: O programa de pesquisa “Life on Trees” (LOT) é uma iniciativa conjunta do Instituto Real Belga de Ciências Naturais e do Fonds de Dotation Biotope pour la Nature (FDD Biotope), em parceria com o Museo Historia Natural da Universidad Nacional Mayor de San Marcos, Peru, o Servicio Nacional de Áreas Naturales Protegidas por el Estado (SERNANP, Peru) e o Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt (Colômbia). Somos profundamente gratos aos muitos participantes do LOT — cientistas, guardas florestais, assistentes de campo e voluntários (veja www.lifeontrees.org).

Créditos: todas as mídias
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